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Diversão & arte - Televisão
   

Monique Gardenberg
com Cleo Pires no set

Ping-Pong / Monique Gardenberg
“Levei os personagens para a análise”

Mariane Morisawa

 

Benjamim é o segundo filme da diretora Monique Gardenberg, que fez Jenipapo em 1996. Ela contou a Gente como foi adaptar o romance de Chico Buarque e por que apostou em
Cleo Pires para viver Ariela e Castana.

Quis adaptar o livro de cara?
Li em 1996 e achei cinematográfico, apesar de haver imagens infilmáveis. Mas queria fazer uma comédia. Dois anos depois, perdi minha irmã. Imediatamente pensei em Benjamim. Fiquei imaginando o que seria se eu estivesse andando na rua e visse a Silvinha reencarnada. Precisava viver essa experiência.

Isso tornou a filmagem mais difícil?
Ao contrário, ficou mais visceral. Era como se eu soubesse tudo, o tom, a atmosfera, o sentimento. Procurei entender os personagens, levei todos para a análise.

O Chico opinou?
Mostrava para ele, porque incluí algumas coisas. O
Chico reclamava às vezes que o Benjamim estava muito
chorão, e que o Benjamim não chora. Eu dizia: o meu
chora! Mas ele aprovou tudo.

Qual a maior dificuldade na adaptação?
A não-linearidade do livro. Para fazer uma boa
adaptação, foi fundamental a entrada do Jorge
Furtado, que entende de estrutura.

Como fez para tornar o filme claro?
A preocupação era diferenciar as épocas. Decidi que seria melhor obedecer a um tipo de sentimento. O passado era
tempo de glamour e alegria para Benjamim e por isso mais colorido. O presente é mais frio. Antigamente, a gente
dispunha mais de tempo, por isso a câmera passeia
devagar. No presente, a câmera está na mão.

Por que apostar na Cleo?
Lembrei da Cleo imediatamente. Era fascinada pela sua
beleza, a força de seu olhar, o jeito como se comporta.
Ela tem uma intuição incrível, faz tudo nos pequenos
gestos. E passa sinceridade.