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Drama
Elefante
Gus Van Sant expõe a banalidade da violência

Mariane Morisawa

 
Divulgação
Elefante: baseado no massacre
de Columbine, filme passeia pelo
cotidiano das escolas americanas
Elefante parece um nome esquisito para um filme sobre o massacre na escola Columbine. O cineasta Gus Van Sant se inspirou na parábola em que vários cegos examinam diferentes partes de um elefante, sem ter a noção do todo. É isso que ele faz com o colégio – na verdade, em nenhum momento ele cita o nome, mas é claro que se baseou nos fatos reais. Num passeio pelos corredores e salas de aula, Van Sant mostra o dia-a-dia dos estudantes.

O diretor diz que não queria explicar nada. Mas a verdade é que está tudo lá, nas entrelinhas, sem necessidade de ficar chamando a atenção do espectador, como fazia o documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore. Há os jogadores de futebol americano, as cheerleaders, as garotas bulímicas, os nerds, todos quase sempre negligenciados por pais e mestres, além da facilidade de comprar armas. O filme é lento, sem muitas falas e principalmente sem grandes falas. Os personagens dizem aquilo que adolescentes dizem no cotidiano, sobre roupas, jogos e namorados, tudo muito banal. Não há gritaria, não há violência explícita. E, no entanto, Elefante é violento e chocante, porque no fundo expõe a banalidade típica do mundo em que vivemos. Principalmente a banalidade da violência. Diz tudo