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‘Quero ganhar sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de demagogia’ Ayrton Senna
‘Foi bom para sentir o quanto somos insignificantes. Senti a profissão acabada. Eu mesmo, como pessoa, me senti balançar’
Ayrton Senna, sobre a paralisia facial que deformou seu rosto em novembro de 1984

Gente Fora de Série - Capítulo 1
Do kart às fórmulas européias -
continuação

 
Prensa Três
Ayrton com o irmão Leonardo e o empresário Armando Botelho, amigo de longa data da
família, na Inglaterra, na época da Fórmula 3

No final do ano, um dos maiores sustos de sua carreira: no dia 5 de novembro, acordou com o lado direito do rosto paralisado. Achou que era um derrame, mas foi diagnosticada uma paralisia facial, provocada pela inflamação da mastóide (osso do rosto). Fez massagens e usou remédios à base de cortisona, mas, sensível ao medicamento, ficou com o rosto deformado e só veio a se recuperar totalmente em fevereiro de 1985. “Foi bom para sentir o quanto somos insignificantes. Tinha acabado de assinar o contrato com a Lotus e de repente senti a profissão acabada. Eu mesmo, como pessoa, me senti balançar”, analisou o piloto.

Já na Lotus, equipe pela qual conseguiria sua primeira vitória na Fórmula 1: sem disputar o título, mas incomodando os gigantes da categoria

A temporada de 1985 seria marcada por abandonos e as primeiras vitórias. Ayrton não terminou 10 das 16 corridas, mas venceu duas delas, em Portugal e na Bélgica, ambas debaixo de chuva, o que evidenciava o seu arrojo. Seus críticos, no entanto, insistiam em classificá-lo como um piloto “pé-de-chumbo”, daqueles que aceleram o carro até o limite, sem se importar com as conseqüências.

No ano seguinte, ainda na Lotus, Senna faria pela primeira vez o gesto que o consagraria como o maior ídolo brasileiro de sua época, um dia depois da eliminação da Seleção Brasileira de futebol na Copa do Mundo de 1986, pela França. Ao vencer o GP de Detroit, nos Estados Unidos, à frente
de dois franceses (Jacques Laffite e Alain Prost), Ayrton passou pelos boxes, apanhou uma bandeira do Brasil e, empunhando-a orgulhosamente, deu a volta da vitória – ato que repetiria em seus triunfos até o final da carreira, para delírio de seus compatriotas.

A vitória em Mônaco, engasgada desde o episódio em seu ano de estréia na F-1, viria em 1987. A Lotus já contava com os motores Honda, os melhores da categoria, mas não evoluíra em outros quesitos. Senna tinha, então, de descontar no braço a diferença para as outras máquinas – que ficava menor nas lentas ruas do principado de Monte Carlo, onde o talento do piloto contava mais do que em outros circuitos. Em uma performance épica, ele conquistou a primeira vitória de um brasileiro no mais tradicional Grande Prêmio da F-1. Na comemoração, nem a família real de Mônaco escapou do banho de champanhe.

Embora ainda não lutasse pelo título, o carismático Senna já amealhava uma legião de fãs e construía uma reputação sólida como o piloto mais rápido do mundo. O sucesso incomodou os gigantes da F-1, e ele passou a colecionar rivalidades. Após um acidente no GP da Bélgica, discutiu rispidamente e trocou empurrões com o inglês Nigel Mansell – por pouco não chegaram às vias de fato. Com Piquet, a disputa permanecia, até então, restrita às corridas. De personalidades opostas, os dois passaram a dividir a torcida nacional nas manhãs de domingo, numa espécie de representação motorizada dos clássicos do futebol, uma espécie de fla-flu sobre rodas.

Em quatro anos na Fórmula 1, Ayrton Senna consolidou seu nome entre os melhores, mas não saciara sua sede de vitórias. “Quero ganhar sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de demagogia”, afirmara. Era hora de mudar de ares para não perder a motivação. E antes do final da temporada Senna fechou o contrato que o faria um tricampeão. Por US$ 20 milhões, assinou com a McLaren para pilotar um dos carros da equipe pelos três anos seguintes. Seria o início de uma nova era.

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Na próxima edição, Senna vira ídolo ao conquistar três títulos mundiais com a McLaren. Inicia rivalidade com o francês Alain Prost e troca acusações com Nélson Piquet. Compra a casa de Angra dos Reis e começa o namoro com Xuxa.

Nas bancas, Edição Extra tamanho gigante de IstoéGente sobre os 10 anos da morte de Ayrton Senna, com as melhores fotos, a história e um pôster do ídolo

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