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A estréia de Senna em uma corrida oficial aconteceu no GP do Brasil de 1984, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. O carro quebrou e ele abandonou a corrida no início
Divulgação
Na F-1 ele começou
na Toleman, passou
pela Lotus e se
destacou na McLaren
Piloto habilidoso, Senna saía-se bem em pistas molhadas e ficou conhecido como “O Rei da Chuva”

Gente Fora de Série - Capítulo 2
As primeira vitórias na F-1
Em seu primeiro teste na Fórmula 1, Senna bateu o recorde da pista de Donington Park, na Inglaterra, e firmou-se como o mais talentoso piloto da nova geração. Disputou a temporada de estréia na modesta Toleman, teve paralisia facial no lado direito do rosto e, já na Lotus, conquistou suas primeiras vitórias e tornou-se o piloto mais rápido da categoria, passando a colecionar rivalidades entre os gigantes da F-1

por Jonas Furtado

 

Resumo do capítulo 1:
Ayrton Senna ganhou seu primeiro kart do pai aos
quatro anos. Era um garoto levado e extrovertido nas brincadeiras de rua e um aluno mediano na escola.
Foi casado com Lilian de Vasconcellos, uma amiga de infância, por apenas 14 meses e mudou-se para a
Europa em 1981 para competir nas fórmulas européias, onde conquistou vitórias e dizimou recordes.

No autódromo de Donington Park, na Inglaterra, onde Ayrton Senna dirigiu pela primeira vez um carro de Fórmula-1, em 19 de julho de 1983, aos 23 anos, ele já não era apenas mais um novato fazendo testes em uma equipe. Seus feitos na F-3 inglesa, categoria imediatamente anterior à F-1, onde chegou a vencer nove provas consecutivas, já o credenciavam como o mais talentoso piloto da nova geração e fizeram com que cartolas e jornalistas acompanhassem de perto cada passo do brasileiro rumo à categoria mais importante do automobilismo mundial.

“O que posso dizer dele? Só posso afirmar que é um fenômeno. A Fórmula 3 inglesa é uma loucura. Vencer
duas ou três provas já é difícil. Não tenho dúvidas: ano
que vem ele deve estar na Fórmula 1, com grandes possibilidades de sucesso”, afirmou o bicampeão mundial Emerson Fittipaldi, dois meses antes de Ayrton fazer
seu teste de estréia na F-1.

Mas Senna foi além do que todos esperavam. A bordo
da Williams FW08C Ford, ele deixou boquiaberto o chefão
da equipe Frank Williams, que o convidara pessoalmente
para o teste, ao bater o recorde da pista. “Aquele dia não era da Williams, não era de ninguém. Era só meu. Lembro
que cheguei perto da máquina, fiquei olhando, fiz carinho,
dei uns tapinhas e falei para ela: é hoje, é hoje”, recordou, anos depois.

A entrada definitiva no mundo da F-1 aconteceria no
ano seguinte, mas dirigindo pela Toleman, uma equipe muito mais modesta do que a Williams. A estréia em uma corrida oficial aconteceu no GP do Brasil de 1984, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, quando o carro quebrou e ele abando-
nou nas primeiras voltas. O primeiro ponto viria no Grande Prêmio seguinte, com uma sexta colocação na África do
Sul. A grande cartada ainda estava guardada na manga –
e ela seria dada na mais charmosa corrida da categoria,
o GP de Mônaco.

Ayrton largou na décima-terceira posição e, debaixo de uma chuva torrencial, foi deixando todos os favoritos para trás. Quando já estava em segundo lugar, tirando uma média de três segundos por volta da diferença que o separava do líder Alain Prost, e preparava-se para assumir a ponta, viu a prova ser interrompida na trigésima-segunda volta, a pedidos de Prost. Senna tivera a primeira vitória tomada de suas mãos, mas nascia ali uma lenda. Mais tarde, ele seria chamado de “O Rei da Chuva”.

Confirmando seu talento, o piloto ainda subiria mais duas vezes ao pódio em 1984. A performance abriu os olhos das grandes escuderias, que passaram a disputá-lo. Antes do término da temporada, a Lotus abriu os cofres e ofereceu-lhe um contrato de dois anos, pelo qual receberia US$ 2 milhões a cada 12 meses. Senna assinou. Em uma equipe tradicional, ele teria a chance de lutar efetivamente por vitórias.

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