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Ricardo Beliel
Geórgia em 1993: “Fui tão realizada que não sinto falta de nada”, diz

Por onde anda
Modelo por trás das câmeras
Top-model de sucesso nos anos 80 e 90, Geórgia Wortmann constituiu família, trabalhou na tevê e hoje dá os primeiros passos como fotógrafa

Nina Arcoverde Mansur

 
Leandro Pimentel
“Geórgia era superprofissional numa
época em que a estrutura era precária.
Ela virou um mito”, diz Regina
Martelli, editora de Moda da Rede Globo

Quando ter atitude era virtude rara no mundo fashion, Geórgia Wortmann encantava as platéias dos desfiles com seu passo marcado e uma beleza desconcertante e sofisticada. Fez história na moda e transformou-se num ícone nos anos 80 e 90, muito antes de Shirley Mallmann e de Gisele Bündchen. Hoje, nove anos após ter trocado o frenesi das passarelas no auge da carreira pela tranqüilidade da vida doméstica, ela não se arrepende: “Minha auto-estima está em dia. Fui tão realizada que não sinto falta de nada.” Aos 33 anos, casada com o oftalmologista Almir Ghiaroni, 50 anos, e mãe de Leonardo, 6 anos, e Gabriela, 2, ela revive, em raras exibições, o glamour do mundo fashion. Foi assim ano passado, quando desfilou na estréia da estilista Alessandra Wagner, viúva do jornalista Tim Lopes. Deixou a passarela sob aplausos calorosos.

Mas Geórgia garante que virou a página. “Tudo aconteceu
na hora certa. Fiz sucesso, casei, trabalhei na televisão e tive meus filhos”, diz. Agora, ela experimenta olhar por trás das lentes para as quais posou como a principal modelo do Brasil. A fotografia surgiu há um ano como hobby após o nascimento de Gabriela. A vontade de registrar momentos dos filhos virou uma atividade quase profissional. “Hoje
minha rotina está ligada à fotografia”, conta ela, que fez vários cursos e contabiliza alguns trabalhos para catálogos de moda e para amigos.

A editora de Moda da Rede Globo, Regina Martelli, que acompanhou sua trajetória, aplaude a ex-modelo: “Ela virou um mito. Saiu de cena na hora certa”. Regina lembra de um dia inteiro que passou com Geórgia, para um editorial de moda. Surpreendeu-se com a tolerância e a simpatia, apesar do sol a pino e das horas sem comer. “Além de belíssima,
era superprofissional numa época em que a estrutura do mercado era precária”, diz.

O caminho para a tevê foi natural. Foram cinco anos como apresentadora do Programa de Domingo, da extinta TV Manchete. O casamento não chegou a ser empecilho. “No começo, ele tinha um pouco de ciúme, mas não tinha es-
tresse. Como médico, preferia falar de medicina e não apare-
cer como o namorado da modelo. Para mim também foi difícil conviver com o mundo dos médicos.” Ela casou-se aos 24 anos, pouco tempo depois de conhecer o marido na festa de 40 anos de colunismo social de Ibrahim Sued, no Copacabana Palace. Com o fim da emissora em 1998, passou a se dedicar à família. Hoje Geórgia é uma mãe modelo. “Acompanho as crianças na hora do banho, no almoço e eles têm horário para dormir”, diz. “Sou participativa e marco em cima.”

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