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Paula morou nos EUA durante quase oito anos e para se sustentar trabalhava de garçonete
“Meu papel não é grande o bastante para um diretor de núcleo. Se não fosse filha dele, essa hipótese nem seria cogitada’’
Paula Hunter, que ainda não foi dirigida por Manga

Televisão
Filha de talento
Paula Hunter trocou a carreira de cantora
country pela televisão e ganha seu primeiro papel de destaque na minissérie Um Só
Coração
, dirigida por seu pai, Carlos Manga

Carla Felícia

 

Os longos cabelos louros, as botas de couro e o chapéu de cowboy ficaram para trás. Em seu lugar, surgiram os fios cor de fogo, as lentes de contato verdes e o figurino de época. Decepcionada com a malsucedida investida na carreira de cantora country, Paula Hunter decidiu largar a rotina de shows pelo interior do Brasil para recomeçar a fazer arte da maneira que havia iniciado: atuando. Depois de cinco anos afastada, está de volta à tevê na minissérie Um Só Coração, com o desafio de encarnar a mimada Gilda, uma mulher de temperamento difícil, obcecada por Martin (Erik Marmo). Aos 34 anos, a atriz comemora não só seu primeiro personagem de destaque, mas também a oportunidade de trabalhar pela primeira vez ao lado do pai, Carlos Manga, diretor de núcleo da Globo responsável pela trama.

“Nunca havíamos nem ensaiado texto em casa”, lembra ela, que tem duas novelas no currículo: Deus nos Acuda (1992), dirigida por Jorge Fernando, e Pecado Capital (1998), com direção de Maurício Farias e Wolf Maya. A distância na área profissional deveu-se, em grande parte, ao fato de Paula ter trabalhado pouco no Brasil – ela viveu durante quase oito anos nos Estados Unidos. Mas a atriz acredita que também havia uma certa insegurança por parte dos dois quando o assunto era trabalhar juntos. “Acho que, sem termos verbalizado isso, existia um medo de dar errado, um receio de não sabermos lidar um com o outro profissionalmente”, diz. A barreira, porém, ainda não foi transposta por completo.

Embora estejam no mesmo projeto, ela conta, sem mágoas, que ainda não foi dirigida pessoalmente pelo pai. “Sabe aquele doce que você quer comer e não pode? Fiquei assim, com água na boca”, compara. “Mas meu papel não é grande o bastante para um diretor de núcleo. Se não fosse filha dele, essa hipótese nem seria cogitada.” Ser filha de Carlos Manga ajudou Paula a conseguir um teste para a minissérie. E, segundo a autora Maria Adelaide Amaral, foi só. “Ela não precisa do pai para nada, a não ser para dar-lhe carinho. É uma atriz feita, com formação nos Estados Unidos, tem força interior, boa voz, presença”, afirma Maria Adelaide. “Só precisa de bons papéis.”

A atenção com que sempre acompanhou o trabalho de Manga – diretor de cinema antes de chegar à tevê – mostrou cedo à família que Paula queria seguir a carreira artística. Com apenas três anos, ela viu o pai procurando um rolo de filme em seu escritório e não titubeou. “Eu sabia onde estava. Fui lá dentro e voltei com o rolo, para a surpresa de todos”, conta a atriz, que adorava assistir a filmagens, sentada em algum canto do set. “Achava tudo o máximo, até o lado chato, de ter que repetir a cena, os atores esperando acertar a luz.” Tanto fascínio levou-a aos 11 anos para as aulas de teatro no colégio, no Rio, onde nasceu. Fez cursos em escolas especializadas e, com 18 anos, decidiu embarcar para Los Angeles.

O que era para ser um ano de estudos na faculdade de artes cênicas da Universidade da Califórnia se estendeu por quase uma década de workshops, peças em teatros alternativos, participações em filmes D – com apenas um intervalo para vir ao Brasil gravar Deus nos Acuda, a convite do autor, Silvio de Abreu, amigo da família. Para se sustentar, trabalhou de garçonete em diversos restaurantes da cidade. Voltou ao Brasil para fugir de um relacionamento de cinco anos com um americano que já não vinha dando certo. Não voltou mais. Hoje, solteira, mora com a mãe, Inalda Vieira, numa mansão na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
Agradecimentos: Shepa

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