17 de janeiro de 2000
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J. Silvestre
Morre um dos pioneiros da tevê brasileira e apresentador de O Céu É o Limite

Foto: Alvaro Motta/AE

"Está absolutamente ceerto!"

Vibrando toda vez que pronunciava esse bordão, o jornalista, radialista e escritor João Silvestre entrou para a história como um dos pioneiros da televisão brasileira. O apresentador do célebre O Céu É o Limite morreu na sexta-feira 7, aos 77 anos, no hospital Holly Cross, em Fort Lauderdale, Flórida (EUA), onde morava há 23 anos. Ele estava internado há três meses em conseqüência de uma doença degenerativa dos pulmões. "Ele foi para a Flórida porque lá poderia tratar um de seus filhos que tinha problemas de saúde", revela o amigo da juventude Chico Anysio. Nascido em Salto, interior de São Paulo, em 1922, em uma família de imigrantes italianos, ele chegou a sobreviver do trabalho em uma fábrica de tecidos antes de ser descoberto pela Rádio Bandeirantes de São Paulo, em 1941, em um concurso de locutores no qual enfrentou 350 candidatos. Com a experiência atrás dos microfones, acabou tornando-se um dos pioneiros da implantação da televisão brasileira. Em 1950, ele apresentou o programa inaugural da TV Tupi, onde ficou famoso com O Céu É o Limite, o primeiro programa de perguntas e respostas do País e que ficou quase 30 anos no ar em diversas emissoras. A imigrante egípcia Micheline Christophe, então com 15 anos, foi uma das recordistas, em 1969, ao ficar 29 semanas no ar. "O programa mudou minha vida, pois decidi estudar História com a bolsa de estudos que ganhei", conta ela, hoje com 45 anos. Outro programa que J. Silvestre comandou foi o Almoço Com as Estrelas, depois transferido para Airton e Lolita Rodrigues. "Ele era reservado, mas muito gentil e culto", lembra Lolita. Também escreveu e atuou em telenovelas como Meu Trágico Destino, de 1953, transmitida ao vivo. Já com o programa Esta É Sua Vida, ele fazia homenagens lacrimosas a celebridades das quais relatava trechos dramáticos da vida e apresentava parentes em pleno palco, ao vivo, para extrair flagrantes de emoção. Em 1979, foi nomeado presidente da Radiobrás pelo então presidente João Baptista Figueiredo, mas divergências com a equipe o levaram a deixar o cargo poucos meses depois. Voltou à tevê em 1982, no SBT, para apresentar o Show Sem Limite. De 1983 a 1986, apresentou na Rede Bandeirantes os programas J. Silvestre, Essas Mulheres Maravilhosas e Porque Hoje É Sábado. Voltou a viver na Flórida em 1986, ocupando os dez anos seguintes com seus quadros e livros, chegando mesmo a escrever um romance, O Presidente Está Morrendo. Apesar de preferir viver na Flórida com a família, esteve no Brasil mais uma temporada para apresentar Domingo Milionário, na extinta Rede Manchete, em 1997, um retumbante fracasso que durou apenas seis meses. Com a derrocada da emissora, voltou à Flórida. Conforme seu desejo, seu corpo foi cremado e as cinzas, jogadas ao mar. Deixa a mulher, Nívea, 70 anos, quatro filhos, Alexandre, Pedro, Paulo e João, e seis netos.


Álvaro Valle

Católico praticante e entusiasta do golpe militar de 1964, o presidente do Partido Liberal morre aos 65 anos

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente nacional e fundador do PL, ex-deputado Álvaro Valle, morreu no domingo 9, no Rio de Janeiro, aos 65 anos, vítima de câncer no intestino. Advogado e diplomata, ele foi deputado por seis legislaturas pela Arena, PDS e PFL, antes de criar o PL, em 1985, onde julgava poder exercer seu credo liberal. Em 1999, só não se reelegeu porque faltou-lhe um único voto. "Nos últimos dias ele pediu para receber a comunhão todos os dias, das irmãs da Congregação da Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças", revelou o vice-presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que assumirá o comando da legenda. Atribuía a sua fé o fato de ter escapado de vários acidentes, como a avalanche que quase o atingiu numa estação de esqui sueca, matando uma amiga sua, em 1968, quando era cônsul em Gotemburgo, na Suécia. Escapou de novo quando avalanches quase soterraram seu carro nos montes Pireneus, numa viagem entre a França e a Espanha, em 1986. Valle escreveu mais de 20 livros, entre eles Arrogância no Poder. Foi casado por três anos com sua assessora Márcia de Paula, 30 anos mais jovem, com quem não teve filhos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, na segunda-feira 10.

Dante Ancona Lopez, publicitário, radialista e exibidor cinematográfico que popularizou em São Paulo o hábito de assistir ao cinema de autor, morreu na sexta-feira 30, aos 90 anos, de causa não divulgada.
Seu trabalho mais lembrado é a reforma e reinauguração do cine Trianon com o nome de Belas Artes, em 1967. Amigo do secretário-geral do Partido Comunista Luís Carlos Prestes, ele desagradou o regime militar ao exibir filmes censurados, o que lhe valeu a prisão pelo Doi-Codi em 1975. Ressurgiu para transformar o Cine Rio, no Conjunto Nacional, em CineArte, e para erguer o Cineclube Elétrico, já extinto.

O cineasta austríaco naturalizado suíço Bernhard Wicki, um dos mais importantes diretores em língua alemã do pós-guerra, morreu em Munique, Alemanha, na quarta-feira 5, após doença prolongada.
Apesar de ter começado a vida como ator, em Viena, e tentar ser poeta, ele será lembrado como co-diretor de clássicos antibelicistas como O Mais Longo dos Dias (1962) e A Ponte (1959). Devido a sua simpatia pela causa comunista na juventude e sua participação na escola radical de arquitetura Bauhaus, hostilizada pelo regime nazista, ele acabou preso por dez meses em um campo de concentração no interior da Polônia. Deixa a mulher, Elisabet.

Isolda Corrêa Dias, que fez enorme sucesso nos anos 50 e 60 como a cantora romântica Morgana, morreu na terça-feira 4 no hospital Campo Limpo, em São Paulo, de causa não divulgada, aos 65 anos.
Sua canção mais famosa foi a música-tema da novela O Direito de Nascer, da extinta TV Tupi, em 1965, época em que era carinhosamente chamada de "Fada Loira". Em 1973, no auge do sucesso no Brasil e no exterior, ela decidiu trocar a carreira de cantora por uma rede de pizzarias, montada em sociedade com o marido. Ela foi sepultada na quarta-feira 5 no cemitério Quarta Parada, em São Paulo.

 

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