17 de janeiro de 2000
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Os truques do padre Quevedo

Foto: Beto Tchernobilsky

Dono de um visual que inclui diversos brincos presos às orelhas e um piercing atarrachado no nariz, o repórter fotográfico Pio Figueiroa, 22 anos, ficou intrigado com uma foto em que o padre Oscar González Quevedo se fazia espetar por agulhas, sem dor ou sangue. E talvez estivesse pensando em como desenvolver essa técnica de auto-espetamento indolor quando pediu ao padre que a demonstrasse. Para incredulidade dele e do repórter Cesar Guerrero, 29 anos, o padre pegou a colher do cafezinho que acabara de tomar, esticou a pálpebra direita e fixou a colher como se ela invadisse o olho. Foi um momento mágico, ao menos para o desenrolar da entrevista. Ao retirar a colher do olho, Quevedo mostrou que apenas a segurara com a própria pálpebra, usando uma força que chegou a entortar radicalmente o cabo. Repetiu a cena sem pressa para que os jornalistas entendessem o truque e, a partir daí, quebrou a sisudez com que se apresentara inicialmente a seus interlocutores.

A dupla de repórter e fotógrafo da revista esteve com o padre por mais de três horas, no Centro Latino-Americano de Parapsicologia, na quarta-feira 5, com a missão de preparar uma reportagem que revelasse quem é o homem que diz desmascarar falsos paranormais e esclarecer fenômenos tidos como sobrenaturais. Para quem estava encarregado de esclarecer como o padre desvenda os acontecimentos alheios, Guerrero e Pio se viram presos aos truques do próprio Quevedo. Ao pedir que o repórter soltasse fumaça do cigarro diante das lentes para tentar dar um clima misterioso ao retrato do entrevistado, o fotógrafo viu o padre pegar o cigarro de Guerrero, arrancar-lhe o filtro e fechá-lo, aceso, na própria boca. "Deixe que eu faço", anunciou Quevedo, que em seguida passou a soltar fumaça pelo nariz. Quebrada a sisudez e cumprida a missão inicial, a dupla voltou à redação com a convicção de que o padre transmite credibilidade na sua caça a falsos bruxos. "Ele tem conhecimento do tema e faz seu trabalho com seriedade", diz Guerrero.

Luciano Suassuna
Diretor de Redação

 

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