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Claudio Gatti
A empresária nasceu no Marrocos, formou-se em relações públicas na França e está no Brasil desde os anos 70: “Aqui tinha coisas parecidas com as lembranças da infância”, diz
“Eles acharam que tinham mais credibilidade do que eu. Eu estou tendo paciência, mas sou teimosa e vou receber’’ Arlette, sobre os R$ 32 milhões que, na Justiça, briga para receber do PSDB
 
A polêmica
de Charlote K
.
Antes de Metamorphoses estrear, uma novela sobre a autoria da trama se desenrolou. Dois roteiristas, Marcílio Moraes e Mário Prata, abandonaram o barco argumentando que Arlette mudava os textos deles. “Eles queriam ser autores de uma coisa que não é deles. Não eram autores, eram colaboradores”, diz Arlette. “Estão dando importância para quem não tem importância. Uma boa história está na câmera e não no que está escrito.” A Casablanca anunciou como substituta Charlote K., uma ghost-writer cercada por um núcleo de redatores, que muitos acreditam ser o pseudônimo de Arlette.

Carreira - Arlette Siaretta
A dona da novela
Dona da Casablanca, que produz a nova novela da Record, ela colheu 150 histórias sobre cirurgia plástica antes de sugerir o tema para a emissora

Rodrigo Cardoso

 

Em 1966, Odete de Souza Pinto, mãe do cirurgião plástico Ewaldo de Souza Pinto conheceu Lenir, então com 21 anos. Um defeito no queixo, o nariz adunco e comprido faziam de Lenir uma pessoa tímida. Odete apresentou a moça ao filho, que a levou à mesa de cirurgia sem receber pelo trabalho. Lenir ganhou auto-estima com a operação, tornou-se funcionária da secretaria de turismo de São Paulo e, mais tarde, foi estudar na Sorbonne, na França. Após quase duas décadas sem dar notícias, Lenir ligou para Ewaldo e contou que havia caído de um iate, nas Bahamas, e não encontrou um médico que conseguisse refazer seu queixo. “O iate era do marido dela. Aí, ela contou que havia se formado em Direito e trabalhava na Bélgica. E veio até mim em um jatinho particular”, conta Ewaldo. “Cirurgia plástica muda a vida da pessoa. Ela é feita na alma e não no corpo.”

Essas e outras histórias, sobre os benefícios das plásticas, foram relatas por Ewaldo à cliente e amiga Arlette Siaretta. Sócia-proprietária da Casablanca, império de 10 empresas que formam o maior complexo de audiovisual do País, Arlette colheu cerca de 150 histórias sobre cirurgia plástica. Planejava fazer um seriado, chegou a oferecê-lo a emissoras, mas não vingou. Em meados do ano passado, a empresária comentou com a cúpula da Record as histórias do cirurgião Ewaldo. Assim nasceu Metamorphoses, novela que tem como tema a cirurgia plástica e estréia no domingo 14.

Filha de um marinheiro e uma dona de casa franceses, nascida em Kouribga, no Marrocos, Arlette está desde setembro embalando Metamorphoses. Para não desgrudar da cria, trabalha sábados e domingos, delegou a administração da produtora e nem mesmo cheques tem assinado – dois escritores, porém, abandonaram a novela reclamando da interferência de Arlette no trabalho deles (leia quadro ao lado). “Vamos revolucionar a tevê, imprimir um padrão de qualidade só visto em cinema”, diz ela, que está investindo R$ 120 mil na produção de cada um dos 144 capítulos. “Queremos montar um centro de teledramaturgia.”

Com 11 anos no mercado, a Casablanca finaliza 80% dos filmes publicitários do País e possui equipamentos idênticos ao que o diretor americano George Lucas usa na produção de efeitos especiais. “Montei a Casablanca depois que li num jornal o (publicitário) Nizan Guanaes reclamando que as campanhas dele não ficavam com qualidade, porque faltava um lugar para finalizá-las.”

Nizan, primeiro cliente de Arlette, esteve, em 2002, à frente da campanha publicitária para presidente de José Serra, do PSDB, e Arlette, por trás das câmeras. Ela respondia pela produção, finalização e transmissão da campanha. O casamento não deu certo e até hoje Arlette cobra na Justiça R$ 32 milhões pelos serviços, valor que o PSDB achou exagerado. “Eles acharam que tinham mais credibilidade do que eu”, diz ela. “Eu estou tendo paciência, mas sou teimosa e vou receber.”

Primeira de cinco irmãos, Arlette viveu no Marrocos até os 11 anos. Era boa aluna e, costumeiramente, retornava para casa antes do final das aulas. “Com o terrorismo na Argélia, caíam bombas nos países vizinhos, que suspendiam as aulas.” A família mudou-se então para Paris. Formada em relações públicas, ela aportou no Brasil nos anos 70. “Aqui tinha o cheiro, o ambiente, coisas parecidas com as lembranças da minha infância.” Depois de trabalhar na Colgate-Palmolive, conheceu Pedro Siaretta, dono da Diana Cinematográfica, uma das maiores produtoras dos anos 70. “Ele teve a feliz ou infeliz idéia de me dar emprego. Seis meses depois nos casamos.” Numa reunião com diretores da Colgate, foi interrogada: “Como você virou dona?”. E respondeu: “Casando com o dono!”.

Mãe de Patrick, 30, Arlette distrai-se com cinema,
praia e livros. Na infância, gostava de andar de bicicleta,
mas sempre foi desastrada. Os mais próximos sabem
que andar de carro com ela ao volante é um risco. Nos
anos 70, depois de um acidente de carro, sofreu um corte no nariz e o reconstruiu com uma plástica. Foi a única experiência com o bisturi, garante. Graças a ela, ganhou um nariz novo, a amizade do cirurgião Ewaldo e começou a dar vida à Metamorphoses.

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