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Divulgação

No disco, Daniela Mercury quer, e já consegue, soar universal

Axé
Carnaval Eletrônico
Daniela Mercury recorre aos DJs
para revigorar seu pop afro-baiano

Mauro Ferreira

 

Depois de Elza Soares, chegou a vez de Daniela Mercury lançar um disco com bases eletrônicas. A cantora baiana flerta com o bate-estaca das pistas desde seu CD Sol da Liberdade, lançado em 2000, mas nunca tinha investido de forma tão radical no som dos DJs como em Carnaval Eletrônico, nono título de sua irregular discografia. O CD reúne nomes como Memê, XRS (Xerxes de Oliveira), Anderson Noise, Renato Lopes, Marcelinho da Lua e Zé Pedro. Sob a coordenação de Memê, cada DJ produziu uma ou duas faixas.

O resultado é revigorante para Daniela e para a desgastada axé music. A união do baticum baiano com os grooves dos DJs renova um gênero agonizante. Curiosamente, uma das melhores faixas é “Maimbê Dandá”, já um sucesso em Salvador. A música é de autoria de Carlinhos Brown, que atacou de DJ na faixa e produziu eletrizante batida de house.

As levadas do disco escapam da uniformidade. Há batidas de tecno, drum’n’bass (“Quero Voltar pra Bahia”, sucesso de Paulo Diniz nos anos 70) e até um clima lounge em “A Tonga da Mironga do Kabuletê”, hit da dupla Toquinho & Vinicius. O único ponto negativo são as músicas assinadas por Daniela, sempre sem inspiração como compositora. Mas a folia eletrônica da cantora é coerente com o sotaque globalizado de seu CD anterior, Eletrodoméstico MTV ao Vivo. Daniela Mercury quer, e já consegue, soar universal. Baticum baiano