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| Fernando
Morais: jornalismo além do trivial |
Se
você conhece Fernando Morais de livros como A Ilha,
Olga e Chatô – O Rei do Brasil, chegou
a hora de descobrir como o jornalista adquiriu maestria
para transformar em clássicos essas três obras
ainda tão recentes. A coletânea Cem Quilos
de Ouro (Companhia das Letras, 328 páginas, R$
37,50) apresenta um repórter incansável e
perspicaz que acumulou bagagem para brindar os leitores
com algo mais do que uma informação bem apurada.
Doze reportagens assinadas por Morais entre as décadas
de 70 e 90 e detalhadamente comentadas pelo autor são
o suficiente para desvendar um pouco mais do ofício
de um jornalista e os altos e baixos de uma profissão
que vende um glamour praticamente inexistente. Cem Quilos
de Ouro também é um suporte para entender
mais da história recente. Morais reconstitui sua
travessia para desvendar as contradições da
construção da Transamazônica, no auge
do regime militar, narra com raro senso de observação
a glória e a decadência de Fernando Collor
e aponta os embriões que resultaram em
A Ilha e Chatô.
A habilidade de Fernando Morais para contar histórias
envolve o leitor de tal maneira que os mais desavisados
podem pensar que muito daquilo não passa de ficção.
Com uma linguagem fluente e nem por isso menos detalhista,
o autor dá uma aula de jornalismo literário
e prova que para contar bem um fato é preciso oferecer
ao leitor algo mais do que a resposta para as cinco perguntas
básicas do jornalismo: o quê?, quando?, onde?,
como? e por quê?. Para entender Fernando Morais
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