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Na operação, gravada pela produção da novela Metamorphoses, Tallyta colocou 235 ml de silicone nos seios: “Matei três coelhos de uma vez. Consegui emprego, fiz a cirurgia que queria (o implante de silicone) e acariciei o ego”, diz ela
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Antes e depois: rugas de expressão e o defeito na ponta no nariz, que abaixava quando ela sorria, foram corrigidos

Televisão
A metamorfose em pessoa
Como num reality show, Tallyta cardoso,
filha de David Cardoso, faz cirurgias plásticas que serão levadas ao ar na nova novela da Record que estréia em março

Rodrigo Cardoso

 

No último dia 5, a atriz Tallyta Cardoso saiu da cama às 6h. Numa mochila, juntou a escova de dente, uma camisola, o chinelo de pano cor-de-rosa e uma bata branca. Uma hora depois, ela e a mãe encaravam uma viagem de uma hora até Santos, litoral paulista. Às 10h, cumpridas doze horas de jejum, foi sedada e levada a uma mesa de cirurgia. De lá, uma hora e meia depois, saiu com próteses de silicone de 235 ml nos seios, uma rinoplastia para corrigir um defeito na ponta do nariz, aplicação de botox e seis pintas a menos. Todo o procedimento estava previsto num contrato, assinado pela atriz em janeiro com duração de oito meses. Tallyta foi contratada pela Casablanca, produtora que produz a nova novela da Record Metamorphoses, que estréia em março, para viver ela mesma: uma atriz que participou de comerciais na infância, que se submete a uma plástica e quer voltar à tevê. “É a primeira vez que cirurgias plásticas reais em uma atriz serão mostradas numa novela”, diz Arlette Siaretta, sócia-proprietária da Casablanca.

Oito dias depois da operação, Tallyta, 26 anos, retirou os pontos e, na conversa com Gente, falou da espécie de reality show a que se submeteu: “Matei três coelhos de uma vez. Consegui emprego, fiz a cirurgia que queria (o implante de silicone) e acariciei o ego”.

Filha do ator David Cardoso, Tallyta atuou no seriado Turma do Gueto, também produzido pela Casablanca, até setembro, quando a bandida que vivia na trama morreu. Desde então – e até fechar com Metamorphoses – confeccionava e vendia mosaicos e bijuterias para sobreviver. Em 2002, ao ser convidada para a Turma, Tallyta havia superado uma crise de depressão pelos altos e baixos profissionais. A atriz e a mãe, Evelise Oliveira, moram juntas – os pais dela se separaram quando Tallyta tinha um ano – e sempre dividiram as despesas do lar. A escassez de trabalho e dinheiro desenvolveram um processo de estresse que, como conseqüência, fez com que aparecessem caroços no
rosto de Tallyta.

Para fazê-los desaparecer, a atriz tomou por onze meses um remédio controlado, composto por ácido retinóico, cheio de restrições. “Não podia engravidar, porque a criança nasceria com má-formação congênita. Assinava todo mês um termo de responsabilidade. Não podia comer fritura, tomar álcool, sol”, conta. “Foi muito difícil. Não saía de casa, chorava, fazia terapia, pensei em me matar. Imagina, um dia a garota propaganda da Estrela, a bonequinha, estava cheia de caroços no rosto.”

Tallyta iniciou carreira aos 3 anos, participando
de comerciais dos brinquedos Estrela. Os filmes publicitários eram produzidos pela Diana Filmes, produtora antecessora da Casablanca, de propriedade de Pedro Siaretta, marido de Arlette, que cuida de Metamorphoses. Até os 12 anos, fez cerca de 300 comerciais, um carro a buscava no colégio
para levá-la às gravações e até passagens aéreas
ganhou para filmar. “Era a metidinha no colégio, dava autógrafos, me sentia.”

Dentro de casa, o tratamento VIP era o mesmo. A mãe, Evelise, a vestia de maneira impecável. “Era a única filha, fiz promessa, quando estava grávida, para ter uma menina e achava que era minha boneca”, diz Evelise, mãe também de dois rapazes. Por conta da promessa, Tallyta ganhou o sobrenome Aparecida e, este mês, planeja uma viagem a Aparecida do Norte para pagar outra dívida que Evelise contraiu com Nossa Senhora Aparecida: a graça alcançada pela contratação da filha para Metamorphoses.

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