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AXÉ
Tête-a-Tête Margareth
Primeiro disco ao vivo da cantora
tem Chico Buarque e Pixinguinha

Mauro Ferreira

 
Margareth Menezes: repertório
sem bobagens e shows de sucesso

Projetada em escala internacional nos fins dos anos 80, quando foi convidada a abrir turnê mundial do americano David Byrne, a cantora baiana Margareth Menezes amargou injusto ostracismo na década de 90, quando Daniela Mercury e Ivete Sangalo se sagraram musas da hoje desgastada axé-music. Maga, como é chamada no meio musical, somente se reergueu em 2002, quando a música “Dandalunda” estourou no Brasil.

Atualmente, a artista comanda um dos blocos mais prestigiados do Carnaval de Salvador, Os Mascarados, e arrasta multidões para seus shows, realizados com apoio da equipe de produção do escritório de Gilberto Gil. O registro caloroso do espetáculo da cantora está perpetuado em seu primeiro CD ao vivo, Tête-a-Tête Margareth, gravado na Bahia, em agosto.

O disco contagia porque a voz grave de Margareth é potente e porque o repertório dispensa as bobagens da axé-music mais comercial. A cantora se apóia na cadência do samba-reggae de blocos afros-baianos como Olodum e Ilê Aiyê. De quebra, faz vitoriosas incursões pelos repertórios de Chico Buarque (a marcha-rancho “Noite dos Mascarados”), Caetano Veloso (“O Quereres”) e até de Pixinguinha, de quem recria a clássica “Carinhoso”. Um de seus achados é tirar o ranço político de “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua”, sucesso de Sérgio Sampaio. Tabuleiro afro-pop baiano