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Itamar Miranda/ AE
Na inauguração do Centro de Treinamento do Santos, em 1999, quando jogou pela última vez e marcou dois gols
‘Em nossas casas, tem sempre um violão em algum lugar. Às vezes ele não consegue dormir e pega o violão para compor’
Assíria, sobre Pelé, que irá lançar um CD com composições próprias
Pelé casou-se em 1994, com Assíria Lemos Seixas, um antigo amor
 

Gente Fora de Série
Pelé - continuação
Último Capítulo

 
Piti Reali Claudio Gatti
Na década de 90, Pelé conheceu duas filhas,
já adultas: Sandra Regina (à esq.) e Flávia Kurz
(com a bola). Sandra teve de ir à Justiça para ser
reconhecida. Flávia ganhou um encontro após uma carta

As novas descobertas reforçaram a reputação de conquistador do Rei. Mas, em 1993, ao reencontrar um antigo amor, a psicóloga Assíria Lemos Seixas, que conhecera em Nova York oito anos antes, o coração de Pelé balançou. “Ele quis me namorar na primeira vez, mas eu conhecia a fama dele. Nos encontrávamos, mas não era um namoro”, lembra Assíria. O reencontro foi fulminante, e o Rei chegou à conclusão de que era com Assíria que ele gostaria de passar o resto de sua vida. O “sim” demorou a vir, mas ele soube esperar. Era o sinal que Assíria esperava para ter certeza de que ele tinha mudado, e em abril de 1994 os dois se casaram na Igreja Episcopal Anglicana, no Recife.

Paulo Pinto/ AE
Pelé e Assíria apresentam os
gêmeos Celeste e Joshua, ao
lado da irmã Gemima, filha do
primeiro casamento de Assíria.

No ano seguinte, convidado pelo presidente eleito Fernando Henrique Cardoso, Pelé, enfim, entrou para a política, ao aceitar o desafio de ser o ministro dos Esportes. Foram três anos de aprendizado, nos quais o Rei percebeu que seu prestígio não seria suficiente para colocar em prática seus projetos. Em maio de 1998, decepcionado e disposto a dedicar mais tempo à família, deixou o cargo. Terminava ali o sonho de ser presidente. Nesse meio tempo, assistiu ao filho Edinho ser vice-
campeão brasileiro com o Santos, como goleiro, em
1995, e perdeu o pai, Dondinho, de insuficiência cardíaca,
em novembro de 1996. Meses antes Dondinho tivera o
gosto de ser avô mais uma vez.

Após ter dito, no início do casamento, não ter a intenção de ser pai novamente, Pelé cedeu ao desejo da esposa. Em abril de 1996, depois de submeter-se a tratamento com o médico Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana, o casal anunciou que Assíria estava grávida. Os gêmeos Celeste e Joshua nasceram em 28 de setembro. Pela primeira vez Pelé assistiu ao parto dos filhos e, segundo Luiz Carlos Bueno Ferreira, chefe da equipe de neonatologia do Hospital São Luiz, em São Paulo, onde foi realizada a cesariana, o Rei “chorou mais do que as crianças”.

O nascimento dos filhos fez com que Assíria cobrasse de Pelé um acordo feito na época do casamento: as viagens de negócios não durariam mais do que dez dias. Ele vem cumprindo a promessa. É o pai-herói de Celeste e Joshua, a quem já levou à Vila Belmiro para assistir a jogos do Santos, e o amigo-confidente de Gemima, 12 anos, do primeiro casamento de Assíria.

Além de manter-se como um dos mais requisitados garotos-propaganda do planeta, em 2004 Pelé está cheio de projetos pessoais. Um filme sobre sua história, o grande xodó dele atualmente, com direção de Aníbal Massaini, deverá ser lançado em março. Um disco com composições próprias feitas ao longo de sua vida está sendo gravado e ele também marcará presença no novo CD de sua esposa, Novo Tempo, em um dueto na música “Aqui Estarei”. É o Rei do futebol tentando ser craque em outros campos. “Em nossas casas, tem sempre um violão em algum lugar. Às vezes ele não consegue dormir e pega o violão para compor”, revela Assíria. “As pessoas não conhecem muito este lado dele, e o Edson tem vontade de deixar esse CD como parte de seu legado.”

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