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Gente
Fora de Série
Pelé
Último Capítulo
Os negócios e a família do mito
Nos
anos 90, Pelé montou uma agência
de marketing esportivo com o empresário
Hélio Vianna, mas terminou a sociedade ruidosamente
em 2001, tornou-se ministro
dos Esportes durante o primeiro mandato
de FHC, casou-se novamente, com Assíria
Lemos Seixas, com quem teve um casal de gêmeos, Celeste
e Joshua, e conheceu mais
duas filhas, Sandra e Flávia, já adultas
por Jonas Furtado
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Resumo dos capítulos 1, 2 e 3:
Filho de um jogador de futebol, Pelé frustrou-se com
a perda da Copa de 50 e prometeu à mãe que,
no futuro, faria o Brasil campeão do mundo. Aos 17
anos, recebeu o apelido de Rei. Nos anos 60, consagrou-se
como o brasileiro mais famoso do mundo e casou-se pela primeira
vez. Conquistou o tri em 1970, despediu-se da Seleção
e do Santos, mas voltou a jogar nos Estados Unidos com um
contrato milionário. Longe do futebol, tentou carreira
no cinema e ensaiou uma candidatura à Presidência
da República.
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| Como
ministro dos Esportes, durante o primeiro mandato de
FHC: decepção com a política e
o fim do sonho de ser presidente |
Em
31 de outubro de 1990, uma semana depois de completar 50
anos, o maior jogador de todos os tempos voltou aos gramados
numa homenagem organizada pela Fifa. E o Rei preparou-se
como nunca. Emagreceu oito quilos e entrou no estádio
de San Siro, em Milão, na Itália, pesando
os mesmos 74 quilos com os quais disputara a Copa do México
em 1970. O Brasil foi derrotado pela Seleção
do Resto do Mundo por 2 a 1 e Pelé jogou até
os 43 minutos do primeiro tempo. Depois, participou apenas
de um jogo-treino, na inauguração do centro
de treinamento do Santos, em 1999, e marcou dois gols.
Os
anos 90 firmaram a posição de Pelé
como homem de negócios. Em julho de 1991 ele formou,
junto com o empresário Hélio Vianna, uma agência
de marketing esportivo, a Pelé Sports & Marketing.
Tiveram relativo sucesso no início. Até que,
em 2001, a imagem do Rei foi arranhada com a denúncia
de que uma de suas empresas teria ficado com
US$ 700 mil movimentados em torno de um evento benefi-
cente que nunca ocorreu a favor da parte argentina do Unicef
(Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Após a denúncia, Pelé expulsou Hélio
a quem acusou de ficar com o dinheiro , da
sociedade, encerrou as atividades da Pelé Sports
& Marketing e abriu nova empresa, a Pelé Pro.
Os ex-sócios não se falam desde então
e estão envolvidos em diversas disputas judiciais.
Essa briga foi uma coisa lamentável. Pelé
se envolveu nela com base no que as pessoas diziam para
ele. Não tinha por que me acusar,
não há nenhuma prova, diz Hélio.
A
vida pessoal de Pelé também passou por transformações
radicais na década de 90. Em 1991, Sandra Regina
Machado, então com 27 anos, entrou com uma ação
na Justiça para ser reconhecida como a filha primogênita
do Rei. Fruto de um relacionamento amoroso, ocorrido em
1963, com a empregada doméstica Anízia Machado,
Sandra diz que solicitou a realização de um
exame de DNA após cinco meses tentando, sem sucesso,
um contato pessoal com Pelé.
Comprovada
a paternidade, Pelé disse, a princípio, que
conversaria com Sandra. Mas mudou de idéia, dizendo-se
decepcionado com a postura da filha, que virara uma personalidade
instantânea e tinha sua história bombardeada
pela mídia do mundo inteiro. O amor, se tiver
de existir, virá com o tempo, e isso depende mais
do comportamento dela do que do meu, comentou, na
época. Até hoje os dois não tiveram
uma conversa como pai e filha, mas Sandra e seus
dois filhos já faz parte da lista de herdeiros
e ganhou o direito de usar o sobrenome Arantes do Nascimento
em 1996, após longa batalha judicial.
A
situação não era nova para Pelé.
Em silêncio, paralela-
mente ao caso Sandra, ele acabara de assumir outra filha
já adulta: a fisioterapeuta gaúcha Flávia
Kurtz, gerada em um relacionamento relâmpago com a
então estudante de jornalismo Lenita Kurtz, em 1969.
Pelé e Flávia se conheceram em 1990, quando
ela tinha 20 anos, após uma amiga de Lenita escrever
uma carta apelando ao Rei para receber a filha para uma
conversa olho no olho. Gente revelou a história
em abril de 2002. Ao contrário de Sandra, Flávia
recebeu ajuda financeira e foi aceita pela família.
Tive um sentimento legal quando a conheci exatamente
porque não veio pedir nada. Ela veio contar a história
dela
e queria me conhecer. Como não exigiu nada, acabou
ganhando tudo o que quis, diz Pelé.
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