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Uma semana após completar 50 anos,
Pelé despediu-se para sempre do futebol
Prensa Três
Em 2004, Pelé terá
sua vida contada
em um filme do cineasta Aníbal Massaini

Gente Fora de Série
Pelé
Último Capítulo
Os negócios e a família do mito
Nos anos 90, Pelé montou uma agência
de marketing esportivo com o empresário
Hélio Vianna, mas terminou a sociedade ruidosamente em 2001, tornou-se ministro
dos Esportes durante o primeiro mandato
de FHC, casou-se novamente, com Assíria
Lemos Seixas, com quem teve um casal de gêmeos, Celeste e Joshua, e conheceu mais
duas filhas, Sandra e Flávia, já adultas

por Jonas Furtado

 
Resumo dos capítulos 1, 2 e 3:
Filho de um jogador de futebol, Pelé frustrou-se com a perda da Copa de 50 e prometeu à mãe que, no futuro, faria o Brasil campeão do mundo. Aos 17 anos, recebeu o apelido de Rei. Nos anos 60, consagrou-se como o brasileiro mais famoso do mundo e casou-se pela primeira vez. Conquistou o tri em 1970, despediu-se da Seleção e do Santos, mas voltou a jogar nos Estados Unidos com um contrato milionário. Longe do futebol, tentou carreira no cinema e ensaiou uma candidatura à Presidência da República.

Como ministro dos Esportes, durante o primeiro mandato de FHC: decepção com a política e o fim do sonho de ser presidente

Em 31 de outubro de 1990, uma semana depois de completar 50 anos, o maior jogador de todos os tempos voltou aos gramados numa homenagem organizada pela Fifa. E o Rei preparou-se como nunca. Emagreceu oito quilos e entrou no estádio de San Siro, em Milão, na Itália, pesando os mesmos 74 quilos com os quais disputara a Copa do México em 1970. O Brasil foi derrotado pela Seleção do Resto do Mundo por 2 a 1 e Pelé jogou até os 43 minutos do primeiro tempo. Depois, participou apenas de um jogo-treino, na inauguração do centro de treinamento do Santos, em 1999, e marcou dois gols.

Os anos 90 firmaram a posição de Pelé como homem de negócios. Em julho de 1991 ele formou, junto com o empresário Hélio Vianna, uma agência de marketing esportivo, a Pelé Sports & Marketing. Tiveram relativo sucesso no início. Até que, em 2001, a imagem do Rei foi arranhada com a denúncia de que uma de suas empresas teria ficado com
US$ 700 mil movimentados em torno de um evento benefi-
cente que nunca ocorreu a favor da parte argentina do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Após a denúncia, Pelé expulsou Hélio – a quem acusou de ficar com o dinheiro –, da sociedade, encerrou as atividades da Pelé Sports & Marketing e abriu nova empresa, a Pelé Pro. Os ex-sócios não se falam desde então e estão envolvidos em diversas disputas judiciais. “Essa briga foi uma coisa lamentável. Pelé se envolveu nela com base no que as pessoas diziam para ele. Não tinha por que me acusar,
não há nenhuma prova”, diz Hélio.

A vida pessoal de Pelé também passou por transformações radicais na década de 90. Em 1991, Sandra Regina Machado, então com 27 anos, entrou com uma ação na Justiça para ser reconhecida como a filha primogênita do Rei. Fruto de um relacionamento amoroso, ocorrido em 1963, com a empregada doméstica Anízia Machado, Sandra diz que solicitou a realização de um exame de DNA após cinco meses tentando, sem sucesso, um contato pessoal com Pelé.

Comprovada a paternidade, Pelé disse, a princípio, que conversaria com Sandra. Mas mudou de idéia, dizendo-se decepcionado com a postura da filha, que virara uma personalidade instantânea e tinha sua história bombardeada pela mídia do mundo inteiro. “O amor, se tiver de existir, virá com o tempo, e isso depende mais do comportamento dela do que do meu”, comentou, na época. Até hoje os dois não tiveram uma conversa como pai e filha, mas Sandra – e seus dois filhos – já faz parte da lista de herdeiros e ganhou o direito de usar o sobrenome Arantes do Nascimento em 1996, após longa batalha judicial.

A situação não era nova para Pelé. Em silêncio, paralela-
mente ao caso Sandra, ele acabara de assumir outra filha já adulta: a fisioterapeuta gaúcha Flávia Kurtz, gerada em um relacionamento relâmpago com a então estudante de jornalismo Lenita Kurtz, em 1969. Pelé e Flávia se conheceram em 1990, quando ela tinha 20 anos, após uma amiga de Lenita escrever uma carta apelando ao Rei para receber a filha para uma conversa olho no olho. Gente revelou a história em abril de 2002. Ao contrário de Sandra, Flávia recebeu ajuda financeira e foi aceita pela família.
“Tive um sentimento legal quando a conheci exatamente porque não veio pedir nada. Ela veio contar a história dela
e queria me conhecer. Como não exigiu nada, acabou ganhando tudo o que quis”, diz Pelé.

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