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Estilo árabe na capital paulista
Descendente de árabes, Fause Haten não come quibe nem esfiha, mas herdou o tino para os negócios e é um dos maiores estilistas do Brasil

Rodrigo Cardoso

 
Fotos: Piti Reali
Fause na Avenida Paulista: “Comecei como um típico
árabe: fazendo roupa para sobreviver”, conta o estilista

Edmond Naim é um libanês que aportou no Brasil nos anos 50. Como mascate, vendia armarinhos e bijuterias no interior paulista. Com dois anos na profissão, voltou para a terra natal e trouxe o restante da família. Instalada num apartamento na região da rua 25 de Março (tradicional ponto de comércio paulistano), a família confeccionava roupas e Edmond viajava para vendê-las. Em Jaboticabal (SP), numa de suas paradas, ele conheceu Latif Haten, descendentes de libaneses, com quem namorou, casou e teve dois filhos.

Um deles, Fause, viajava uma vez por ano à Europa. Aos 16, Fause quis uma segunda viagem. Com a negativa do pai, comprou tecidos na 25 de Março e, na máquina de costura da avó, confeccionou shorts e camisetas, vendeu as pe-
ças e juntou dinheiro para viajar. “Comecei como um típico árabe: fazendo roupa para sobreviver”, diz ele. “A 25 de Março é a região mais árabe de São Paulo, mesmo com a invasão de coreanos.”

Hoje um estilista de sucesso, Fause Haten tem duas lojas próprias, uma em São Paulo e outra no Recife, e 200 pontos de venda espalhados pelo País. Primeiro brasileiro a integrar o calendário da Semana de Moda de Milão e de Nova York, possui um showroom na maior metrópole norte-americana e vende suas peças em lojas de multimarcas pelo restante dos Estados Unidos e Oriente Médio. No Brasil, além da confecção, atua no ramo de acessórios, comercializando óculos, bolsas, calçados e jóias.

Há 10 anos, Fause limou carne vermelha do cardápio. Não come quibe e esfiha, mas foi criado na colônia árabe, freqüentou o Clube Sírio-Libanês, e o Zarle, clube de carteado, onde o pai jogava gamão. Estudou no Colégio
São Luiz, na Avenida Paulista, do pré ao ensino médio.
Nos anos 80, a demolição dos prédios antigos do colégio
o marcou. “Acabaram com uma parte da minha história”,
diz. “Nunca mais quis pôr os pés lá.”
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