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Levi e Wendel: sexagem ajudará em doenças de
base genética |
O Banco
de Sangue do Hospital Sírio-Libanês está realizando
um teste batizado de “sexagem fetal”. Este teste permite
saber o sexo do futuro bebê pela análise do sangue materno.
Há muito tempo a ciência médica sabe que ocorre
a passagem de um pequeno número de células da circulação
fetal para a materna. O problema
é que é dificílimo separar as células
fetais das maternas
para que se possa fazer qualquer tipo de análise. Por este
motivo, para fazer-se uma série de diagnósticos da saúde
do feto, os médicos recorrem aos métodos de imagem,
como o ultra-som, ou aos métodos ditos invasivos, que fazem
a coleta de células fetais do líquido amniótico
ou
da placenta (vilosidade coriônica).
A
descoberta feita na Inglaterra em 1997 e que certamente irá
revolucionar a medicina fetal em um futuro próximo é
que existe uma quantidade significativa de DNA fetal presente no
sangue da mãe, e este pode ser investigado com facilidade
através de técnicas de biologia molecular, que apresentam
uma sensibilidade muito alta. Para obter o DNA fetal, basta coletar
uma amostra de 5 ml de sangue da mãe, separar o plasma por
uma simples centrifugação e fazer o isolamento de
DNA. Como também não se consegue separar o DNA fetal
do materno, (este último em muito maior quantidade), só
se pode analisar aquilo em que seguramente feto e mãe diferem
geneticamente.
O
mais óbvio é a presença do cromossomo Y nos
fetos masculinos e a ausência do mesmo nas mães, pois
mulheres têm dois cromossomos X e homens um X e um Y. A detecção,
portanto, de DNA do cromossomo Y no sangue de uma grávida
indica que o feto é masculino e a ausência do mesmo,
que é feminino.
Para
averiguar a eficácia do método, o Banco de Sangue
do Hospital Sírio-Libanês conduziu uma pesquisa em
2002 e 2003 da qual participaram voluntariamente centenas de grávidas.
O índice de acerto foi altíssimo (>99%), sendo
muitos casos realizados com apenas 5 ou 6 semanas de gestação.
O
método não é, no entanto, infalível
e pode sofrer interferências de situações imprevisíveis
ou desconhecidas que levem a presença de DNA masculino no
plasma materno, como por exemplo, uma transfusão de sangue
ou transplante de um órgão de um homem para a futura
mãe.
É
interessante notar que o DNA fetal desaparece da circulação
materna em poucas horas após o parto, portan-
to, as gravidezes anteriores não interferem com o resultado
do teste, fato também comprovado na pesquisa. Outros estudos
mostraram que, quando a quantidade deste DNA fetal é anormalmente
alta, existe risco aumentado de
parto prematuro e também pode significar a presença
de anormalidades genéticas no feto, mas este tipo de análise
é ainda limitado apenas às mães grávidas
de fetos masculinos. O futuro aponta para diversos outros tipos
de diagnósticos que serão realizados com técnicas
semelhantes, como a determinação do Rh fetal e a investigação
de doenças de base genética.
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Silvano
Wendel é o diretor médico do Banco de Sangue
do Hospital Sírio-Libanês e assessor da Organização Mundial
da Saúde (OMS) para a Segurança do Sangue. José Eduardo
Levi
é biólogo, doutor em microbiologia pela USP, responsável pelo
Laboratório de Biologia Molecular do Banco de Sangue do
Hospital Sírio-Libanês e pesquisador do Laboratório de
Virologia do Instituto de Medicina Tropical da USP. |
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