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Saúde

05/01/2004

   

Pílulas

Os índices de acerto são maiores a partir da 8ª semana de gestação. Pesquisa com 328 grávidas mostrou acerto de 100% a partir da
13ª semana

Se a gravidez for de gêmeos idênticos, o resultado vale para os dois fetos. No caso de gêmeos dizigóticos (duas placentas), se o resultado apontar sexo feminino são duas ou mais meninas, mas se apontar sexo masculino só será possível afirmar que
ao menos um
dos fetos é masculino.

 

Sangue da mãe revela sexo do bebê
Nova técnica, que analisa o plasma materno, permite descobrir o sexo do bebê
com menos de 8 semanas de gestação

José Eduardo Levi e Silvano Wendel

 
Murillo Constantino
Levi e Wendel: sexagem ajudará em doenças de base genética
O Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês está realizando um teste batizado de “sexagem fetal”. Este teste permite saber o sexo do futuro bebê pela análise do sangue materno. Há muito tempo a ciência médica sabe que ocorre a passagem de um pequeno número de células da circulação fetal para a materna. O problema
é que é dificílimo separar as células fetais das maternas
para que se possa fazer qualquer tipo de análise. Por este motivo, para fazer-se uma série de diagnósticos da saúde
do feto, os médicos recorrem aos métodos de imagem,
como o ultra-som, ou aos métodos ditos invasivos, que fazem a coleta de células fetais do líquido amniótico ou
da placenta (vilosidade coriônica).

A descoberta feita na Inglaterra em 1997 e que certamente irá revolucionar a medicina fetal em um futuro próximo é
que existe uma quantidade significativa de DNA fetal presente no sangue da mãe, e este pode ser investigado com facilidade através de técnicas de biologia molecular, que apresentam uma sensibilidade muito alta. Para obter o DNA fetal, basta coletar uma amostra de 5 ml de sangue da mãe, separar o plasma por uma simples centrifugação e fazer o isolamento de DNA. Como também não se consegue separar o DNA fetal do materno, (este último em muito maior quantidade), só se pode analisar aquilo em que seguramente feto e mãe diferem geneticamente.

O mais óbvio é a presença do cromossomo Y nos fetos masculinos e a ausência do mesmo nas mães, pois mulheres têm dois cromossomos X e homens um X e um Y. A detecção, portanto, de DNA do cromossomo Y no sangue de uma grávida indica que o feto é masculino e a ausência do mesmo, que é feminino.

Para averiguar a eficácia do método, o Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês conduziu uma pesquisa em 2002 e 2003 da qual participaram voluntariamente centenas de grávidas. O índice de acerto foi altíssimo (>99%), sendo muitos casos realizados com apenas 5 ou 6 semanas de gestação.

O método não é, no entanto, infalível e pode sofrer interferências de situações imprevisíveis ou desconhecidas que levem a presença de DNA masculino no plasma materno, como por exemplo, uma transfusão de sangue ou transplante de um órgão de um homem para a futura mãe.

É interessante notar que o DNA fetal desaparece da circulação materna em poucas horas após o parto, portan-
to, as gravidezes anteriores não interferem com o resultado do teste, fato também comprovado na pesquisa. Outros estudos mostraram que, quando a quantidade deste DNA fetal é anormalmente alta, existe risco aumentado de
parto prematuro e também pode significar a presença de anormalidades genéticas no feto, mas este tipo de análise
é ainda limitado apenas às mães grávidas de fetos masculinos. O futuro aponta para diversos outros tipos
de diagnósticos que serão realizados com técnicas semelhantes, como a determinação do Rh fetal e a investigação de doenças de base genética.
 
Silvano Wendel é o diretor médico do Banco de Sangue
do Hospital Sírio-Libanês e assessor da Organização Mundial
da Saúde (OMS) para a Segurança do Sangue. José Eduardo Levi
é biólogo, doutor em microbiologia pela USP, responsável pelo
Laboratório de Biologia Molecular do Banco de Sangue do
Hospital Sírio-Libanês e pesquisador do Laboratório de
Virologia do Instituto de Medicina Tropical da USP.

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