Teve blockbuster,
independentes e muitos estreantes:
os cinco melhores filmes brasileiros deste ano
1
O
Homem Que Copiava De: Jorge Furtado
Construído em várias camadas, que permitem leituras
diferentes de cada tipo de público, o filme estrelado
por Lázaro Ramos, Leandra Leal e Luana Piovani
mostra que dá para ser acessível e divertido sem
ser raso. A prova é que conquistou cerca de 700 mil espectadores
com poucas cópias e sem muita propaganda, só no
boca-a-boca.
2
Amarelo
Manga De: Cláudio Assis
Estreante em longas-metragens, o pernambucano Cláudio
Assis conseguiu fazer um ótimo filme com poucos recursos.
Amarelo Manga é direto, cru e equilibra bem
seus muitos personagens. O diretor arrancou belas interpretações
dos atores Matheus Nachtergaele, Leona Cavalli e Dira Paes
e fez uma obra que difere bastante da produção
brasileira atual.
3
Durval
Discos De: Anna Muylaert
Vencedor de sete Kikitos no Festival de Gramado de 2002, o
longa-metragem da estreante Anna Muylaert foi lançado
comercialmente somente neste ano, com boas atuações
de Ary França e Etty Fraser e uma virada que surpreendeu
o público. É um filme urbano diferente, leve
no começo e bastante sombrio na metade final.
4
Separações De: Domingos de Oliveira
Simples, mas cheio de frescor. Domingos de Oliveira conseguiu
dizer o que todo mundo gostaria sobre casais e separações
sem muita pirotecnia – o cenário é quase
só um apartamento. Os personagens principais são
interpretados por ele próprio e sua mulher, Priscila
Rozenbaum. Prova de que dá para fazer cinema brasileiro
bom sem gastar muito.
5
Carandiru De: Hector Babenco
Não é o melhor filme de Hector Babenco, mas a
proeza de levar 4,6 milhões de pessoas aos cinemas para
ver a história de presidiários e do massacre de
111 detentos merece aplausos. A principal qualidade da obra
é ir contra a corrente mais fácil e mostrar que
os presos são seres humanos, por piores os crimes que
tenham cometido.
A
escolha dos internautas
Os
melhores filmes do ano para os internautas que votaram
no site
de IstoÉ Gente
1
Lisbela
e o Prisioneiro De: Guel Arraes
• Com: Selton Mello e Débora Falabella
2
O
Homem Que Copiava De: Jorge Furtado
• Com: Lázaro Ramos e Leandra Leal
3
Maria,
Mãe do Filho de Deus De: Moacyr Góes
• Com: Giovanna Antonelli
e Luigi Barricelli
4
Carandiru De: Hector Babenco
• Com: Milton Gonçalves
e Wagner Moura
5
Os
Normais – O Filme De: José Alvarenga Jr.
• Com: Fernanda Torres
e Luiz Fernando Guimarães
O
mico do ano
2003
teve filmes comerciais fracassados, lançamentos frustrantes
e demora na estréia dos longas. Mas o campeão dos equívocos
foi:
Marcos
Palmeiraem Dom
Era para ser uma homenagem a Dom Casmurro, mas
o resultado do filme
dirigido por Moacyr Góes é vergonhoso.
A produção é de quinta categoria,
o roteiro, risível, e as atuações,
péssimas. Mas Marcos Palmeira ainda assim se destaca
negativamente. Não convence como Bento, fazendo
o personagem parecer um chato sem importância.
Os
destaques
Atores
que deram show e um sonho que foi alcançado no cinema
brasileiro em 2003
Wagner
Moura
O ator baiano de 27 anos já tinha dado mostras de seu
talento em As Três Marias e Abril Despedaçado.
Mas em 2003 ele se superou. Começou roubando a cena de
Antonio Fagundes em Deus É Brasileiro, como o
malandro Taoca, conseguiu se destacar na multidão de
atores de Carandiru, no papel de um traficante viciado,
e foi uma das boas coisas em O Caminho das Nuvens, vivendo
um pai rígido que leva sua família do Ceará
ao Rio de bicicleta.
Simone
Spoladore
Existem poucos papéis femininos nos filmes brasileiros.
Por isso, não é sempre que há uma
atriz para destacar. Em Desmundo, produção
de Alain
Fresnot baseada no livro de Ana Miranda e falada em por-
tuguês arcaico, a paranaense Simone Spoladore emociona
como Oribela, uma órfã enviada para um casamento
força-
do no Brasil de 1570. Sua atuação combina vigor
e sensibilidade. Pouco visto nos cinemas, o longa-metragem
está disponível em vídeo e DVD.
Cinema
brasileiro
ganha público
Alcançar 20% do mercado sempre
foi um sonho de produtores e diretores na retomada do cinema
brasileiro. Pois neste ano a meta foi atingida. Dos cerca
de 100 milhões de ingressos vendidos, mais de 20 milhões
foram de filmes brasileiros, o que representa um aumento de
227%, segundo o boletim Filme B. Os grandes responsáveis
foram Carandiru (4,6 milhões), Lisbela e
o Prisioneiro (3,1 milhões) e Os Normais –
O Filme (foto, 2,8 milhões).