10 de janeiro de 2000
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Anjo

A solidária morena do Tchan
Scheila Carvalho reserva parte do que ganha como bailarina do grupo É o Tchan para ajudar fundação de Juiz de Fora que trata de crianças com câncer

Luís Edmundo Araújo
Juiz de Fora (MG)

Foto: André Durão

Uma vez por semana, a trabalhadora rural Áurea Teixeira de Souza, 33 anos, deixa sua casa em Espera Feliz, na Zona da Mata mineira, e viaja 300 quilômetros até Juiz de Fora para acompanhar o tratamento da filha Letícia, de 3 anos, que sofre de leucemia. Apesar da gravidade da doença, Áurea se considera uma mulher de sorte. Com renda mensal que não chega a dois salários mínimos, ela conseguiu uma madrinha de peso para Letícia: desde 1998, é a morena do É o Tchan, Scheila Carvalho, 26 anos, quem financia exames, medicamentos e tudo o mais de que a menina precisa. Ela já passou por sessões de quimioterapia, perdeu os cabelos, hoje já crescidos, e faz exames clínicos periódicos.

A ligação de Scheila e Letícia surgiu por acaso. Interessada em ajudar uma instituição de caridade de sua cidade, Juiz de Fora, a morena pediu conselhos à mãe, Eunice Lessa Carvalho Ladim, 58 anos. Nicinha, como é conhecida, indicou a Fundação Ricardo Moysés Júnior, que atende 94 crianças carentes com câncer. Cada uma tem um padrinho ou madrinha que ajuda no tratamento. "Quando a Scheila nos procurou, a Letícia não tinha madrinha", diz a presidente da fundação, Jane Bellozi Moysés. "Gostei da Letícia desde a primeira vez que a vi. Ela é uma gracinha", diz Scheila.

Ela também tem ajudado na construção de uma nova sede para a fundação, que dará atendimento a mais 60 crianças, e dá uma ajuda financeira mensal para a entidade, cujo valor é mantido em sigilo. Dia 14, na festa de fim de ano da instituição, no Clube Sírio e Libanês de Juiz de Fora, Scheila dançou e distribuiu presentes e autógrafos. Sua chegada mobilizou duas patrulhas da Polícia Militar. Depois, ela foi para o prédio da mãe, no centro da cidade, e encontrou dezenas de fãs querendo autógrafos. Fez subir grupos de cinco a seis pessoas ao apartamento, para atender a todos.

O episódio, segundo Nicinha, virou rotina depois que Scheila ingressou no É o Tchan, em 1997. "Ela não pode andar aqui que vai uma multidão atrás", diz. Nicinha mal vê a filha. "Tenho de ir para a Bahia ou me encontrar com ela no programa do Faustão." Scheila confirma. "São muitos shows e gravações. Não moro em Salvador, tenho um canto lá onde paro de vez em quando", diz.

Envie esta página para um amigoA vida de Scheila mudou, mas o mesmo não aconteceu com Eunice, que não abandonou a barraca de churros, em frente à rodoviária, com a qual, há mais de 20 anos, complementa o orçamento da família. "Scheila está fazendo o futuro dela. Eu continuo ganhando o meu dinheiro", diz. Viúva do motorista Valtencir Fidélis Ladeira, morto em 1996, Eunice é mãe também de Vânia, 36, e Vágner, 33, e avó de Diogo, 13, filho de Vânia. Antes da fama, Scheila, que trabalhava como bancária, reservava os fins de semana para ficar na barraca da mãe. Ela não esconde que, quando criança, se aproveitava disso: "Pedia churros dizendo que estava com fome e dava tudo ao porteiro do parque de diversões para poder andar nos brinquedos de graça".

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