10 de janeiro de 2000
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A garota que virou refrigerante
Michelly Machri, do comercial da Sukita, foi aluna de colégio militar, tornou-se modelo para vencer a timidez e conheceu o namorado num elevador

Chantal Brissac

Foto: Julio Vilela

Quando Michelly Machri nasceu, há 20 anos, em Florianópolis, a família esperava um menino. Depois de três garotas, a dona de casa Aída e o marceneiro José Aloísio achavam que ia chegar um belo guri. Na época, não havia o recurso da ultra-sonografia e o nascimento do bebezinho loiro e de cintilantes olhos azuis foi uma surpresa. "Não tínhamos escolhido nem nome para menina", lembra Aída. Ela foi batizada Michelly, já que um dos nomes pensados para o varão da família era Michel. Hoje, quando se lembra disso, Aída sorri com ternura nos olhos. Ela e o marido não escondem o orgulho que sentem da filha caçula, modelo que se destacou como a garota da Sukita e que vem trilhando um caminho de sucesso na moda e em campanhas publicitárias. Quando vê a filha, linda, com vestidos esvoaçantes e sensuais, ela custa a acreditar. "Quando criança, ela só queria usar roupas de menino. E vivia em cima de muro e de árvore."

Michelly confirma. "Não gostava de boneca. Só queria brinquedo de menino." Depois, foi crescendo esperta e estudiosa - uma das primeiras da classe no Colégio Militar de Florianópolis - e um tanto tímida. Foi este traço de personalidade que a lançou para o mundo da moda. Ela lembra que era tão "bicho do mato" que as irmãs mais velhas a aconselharam a fazer um curso de modelo, para se soltar. Acabou ganhando um concurso promovido por uma revista e, aos 17 anos, decidiu encarar a carreira em São Paulo. "No início era duro", lembra. "Almoçava e jantava na casa do meu namorado porque não tinha nem comida em casa."

Michelly ganhava pouco, cerca de R$ 500 mensais, e gastava quase tudo com o aluguel de um apartamento que dividia com uma amiga. O namorado David Maurício, de 21 anos, ela conheceu há três anos, dentro de um elevador. Curiosamente, o mesmo cenário que a celebrizou na campanha do refrigerante Sukita. "Eu estava subindo com uma amiga e comentando que estava gorda. Ele se meteu na conversa e disse: 'Quê isso, meu? Você é linda!' Rimos e duas semanas depois começamos a namorar", relata. O elevador da Sukita subiu até andares inimagináveis para ela. "De um momento para outro, as pessoas começaram a me parar na rua, pedir autógrafo", conta. Fora os "tios" inconvenientes, já que ela encarna, na publicidade, uma adolescente que dispensa a cantada de um quarentão. "Eles ficam tentando me pegar e são muito grudentos", reclama. "Teve um que falou para chamá-lo de tio."

Hoje, a garota que chegava a pegar nove ônibus por dia para cumprir a agenda de testes para comerciais, tem situação mais confortável. Com cachê na faixa de R$ 2,5 mil, paga tranqüilamente aluguel e despesas pessoais e comprou um Palio 97. "Michelly é ultradisputada, tem uma agenda impossível", diz Ina Sinisgalli, da agência Ford, que a alçou à categoria Celebrities - aquela que reúne modelos com fôlego para outros meios, como a televisão e o teatro.

Envie esta página para um amigoA carreira de apresentadora de um programa de esportes radicais ou mesmo de ecologia está nos planos da modelo. Ela não gosta de contar os convites que recebeu, mas sabe-se que foi chamada para participar de Malhação, da Rede Globo, e sondada por Luciano Huck para seu novo programa. Não aceitou o primeiro, porque não se sentiu preparada, e com o segundo a conversa não evoluiu. Michelly não se deslumbra. Coloca como prioridade sua carreira de modelo - "Quero aproveitar que agora estou ganhando mais dinheiro" - e não descarta um sonho antigo, de formar-se em biologia marinha. Pensa em fazê-lo na Austrália. O namorado iria junto para se aperfeiçoar em hotelaria. "Ele quer ser chef de cozinha", diz. Michelly morre de saudades da família, da praia e da liberdade. Quando volta a Florianópolis, uma fila de vizinhos a aguarda na porta de casa, querendo autógrafo. Com um resquício de timidez, ela confessa que atende o povo, mas preferia estar em seu canto, descansando.

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