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Sucesso
A garota
que virou refrigerante
Michelly Machri, do comercial da Sukita,
foi aluna de colégio militar, tornou-se modelo para vencer
a timidez e conheceu o namorado num elevador
Chantal Brissac
| Foto: Julio
Vilela |
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Quando Michelly
Machri nasceu, há 20 anos, em Florianópolis, a família
esperava um menino. Depois de três garotas, a dona de casa
Aída e o marceneiro José Aloísio achavam que
ia chegar um belo guri. Na época, não havia o recurso
da ultra-sonografia e o nascimento do bebezinho loiro e de cintilantes
olhos azuis foi uma surpresa. "Não tínhamos escolhido
nem nome para menina", lembra Aída. Ela foi batizada
Michelly, já que um dos nomes pensados para o varão
da família era Michel. Hoje, quando se lembra disso, Aída
sorri com ternura nos olhos. Ela e o marido não escondem
o orgulho que sentem da filha caçula, modelo que se destacou
como a garota da Sukita e que vem trilhando um caminho de sucesso
na moda e em campanhas publicitárias. Quando vê a filha,
linda, com vestidos esvoaçantes e sensuais, ela custa a acreditar.
"Quando criança, ela só queria usar roupas de
menino. E vivia em cima de muro e de árvore."
Michelly confirma.
"Não gostava de boneca. Só queria brinquedo de
menino." Depois, foi crescendo esperta e estudiosa - uma das
primeiras da classe no Colégio Militar de Florianópolis
- e um tanto tímida. Foi este traço de personalidade
que a lançou para o mundo da moda. Ela lembra que era tão
"bicho do mato" que as irmãs mais velhas a aconselharam
a fazer um curso de modelo, para se soltar. Acabou ganhando um concurso
promovido por uma revista e, aos 17 anos, decidiu encarar a carreira
em São Paulo. "No início era duro", lembra.
"Almoçava e jantava na casa do meu namorado porque não
tinha nem comida em casa."
Michelly ganhava
pouco, cerca de R$ 500 mensais, e gastava quase tudo com o aluguel
de um apartamento que dividia com uma amiga. O namorado David Maurício,
de 21 anos, ela conheceu há três anos, dentro de um
elevador. Curiosamente, o mesmo cenário que a celebrizou
na campanha do refrigerante Sukita. "Eu estava subindo com
uma amiga e comentando que estava gorda. Ele se meteu na conversa
e disse: 'Quê isso, meu? Você é linda!' Rimos
e duas semanas depois começamos a namorar", relata.
O elevador da Sukita subiu até andares inimagináveis
para ela. "De um momento para outro, as pessoas começaram
a me parar na rua, pedir autógrafo", conta. Fora os
"tios" inconvenientes, já que ela encarna, na publicidade,
uma adolescente que dispensa a cantada de um quarentão. "Eles
ficam tentando me pegar e são muito grudentos", reclama.
"Teve um que falou para chamá-lo de tio."
Hoje, a garota
que chegava a pegar nove ônibus por dia para cumprir a agenda
de testes para comerciais, tem situação mais confortável.
Com cachê na faixa de R$ 2,5 mil, paga tranqüilamente
aluguel e despesas pessoais e comprou um Palio 97. "Michelly
é ultradisputada, tem uma agenda impossível",
diz Ina Sinisgalli, da agência Ford, que a alçou à
categoria Celebrities - aquela que reúne modelos com fôlego
para outros meios, como a televisão e o teatro.
A
carreira de apresentadora de um programa de esportes radicais ou
mesmo de ecologia está nos planos da modelo. Ela não
gosta de contar os convites que recebeu, mas sabe-se que foi chamada
para participar de Malhação, da Rede Globo, e sondada
por Luciano Huck para seu novo programa. Não aceitou o primeiro,
porque não se sentiu preparada, e com o segundo a conversa
não evoluiu. Michelly não se deslumbra. Coloca como
prioridade sua carreira de modelo - "Quero aproveitar que agora
estou ganhando mais dinheiro" - e não descarta um sonho
antigo, de formar-se em biologia marinha. Pensa em fazê-lo
na Austrália. O namorado iria junto para se aperfeiçoar
em hotelaria. "Ele quer ser chef de cozinha", diz. Michelly
morre de saudades da família, da praia e da liberdade. Quando
volta a Florianópolis, uma fila de vizinhos a aguarda na
porta de casa, querendo autógrafo. Com um resquício
de timidez, ela confessa que atende o povo, mas preferia estar em
seu canto, descansando.
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