10 de janeiro de 2000
Home
Home
Semana
Outras Edições
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Busca

Música

A beijoqueira embala a folia
Gil emagreceu dez quilos para cantar na Banda Beijo, lançou a moda dos cocós e agora ensaia carreira-solo

Gerson de Faria

Foto: Fábio Domingues

O papo começou com uma brincadeira inocente no sofá do programa da Xuxa: "Quem você gostaria de beijar?", perguntou a apresentadora. "O Luciano Szafir. Acho ele o máximo", respondeu Gil, 24 anos, referindo-se ao ex-namorado e pai da filha da entrevistadora. Para todos os efeitos, foi como uma cantada em rede nacional. Teve até empresário intermediando ligações celulares entre os dois na ponte telefônica Rio-Salvador. Em seguida, veio o toque que faltava para a história ganhar uma moldura. Na micareta de Recife, em outubro, no camarote oficial da festa, recheado de globais, o cantor Netinho, com auxílio de uma empilhadeira usada pelos blocos de trio para ganhar mobilidade nos desfiles, ergue a cantora nos braços e a leva até o parapeito do camarote: "É sua, Szafir!" O dublê de ator e empresário chegou a amarelar diante dos lábios de Gil e só correspondeu ao beijo sob pressão da galera, que gritava: "Tu é gay!". A seqüência foi constrangedora para Szafir, mas gloriosa para Gilmelândia Palmira dos Santos. "Foi só uma brincadeira", ela explica.

Faz pouco mais de um ano que Gil apareceu na cena axé. Veio como a nova vocalista da banda Beijo, que Netinho havia decidido tirar do limbo onde estava jogada depois de uma disputa judicial. Empresário da folia, ele assumiu o negócio e providenciou tudo a toque de caixa: o tempo de ensaiar, de gravar o CD e de subir no trio elétrico. Na mosca: "Peraê", uma das faixas do disco, estourou como um dos três hits do Carnaval de 1999 e projetou a venda do CD para a marca das 350 mil cópias. Uma nova diva do gênero pintava nas paradas.

Nesse meio tempo, a vida de Gil deu uma guinada. Ela deixou a periferia de Salvador e foi morar num apartamento alugado num bairro nobre da cidade. "Ganho num show o que antes levava um ano para ganhar", diz ela. Gil foi descoberta cantando enquanto lavava roupa no quintal de casa. Tinha 15 anos. O caça-talento Tom Caldas, na época um trintão, convenceu-a a se mandar com ele para um show no interior da Bahia. Fez dela sua mulher e parceira numa dupla para se apresentar na noite com repertório que incluía de Reginaldo Rossi a Djavan. O relacionamento acabou pouco antes dela entrar para a banda.

Para que Gilmelândia se transformasse em Gil, uma maquiagem transformadora foi operada. A cantora ganhou tops e calças de cintura baixa. Perdeu dez quilos. Adotou tatuagens temporárias nos braços e cocós nos cabelos (birotes feitos com auxílio de fios de arame), que se tornaram uma marca registrada. O visual chegou a ser condenado por consultoras de moda, o pessoal da banda torceu o nariz e ela própria achou um horror. Mas, diz, Xuxa aprovou e agora é como se não pudesse mais se separar da criatura. Comprovou isso na micareta de Aracaju. "A meninada toda de cocó na cabeça gritava querendo saber por que eu estava sem os meus", conta. Gil emprestou novo estilo à banda. Os shows ganharam um gás de aeróbica. O pique da cantora é garantido por um personal trainer. Ela só não conseguiu manter a silhueta prevista: dos dez quilos que perdeu, já recuperou sete. Já para os cocós e os beijos em cena ela prevê uma sobrevida de pelo menos uma temporada. "Não iriam me reconhecer sem eles."

Envie esta página para um amigoEm 2001, Gil engata carreira-solo. A decisão, tomada pelos empresários e a gravadora Universal, foi divulgada há meses. O novo CD da banda, com lançamento previsto para a primeira quinzena de janeiro, leva o sugestivo nome de Meu Nome é Gil. A cantora, porém, é reticente quanto à idéia, temendo mexer em "um time que está ganhando". "Tudo o que eu sonhei na vida foi ter um grupo e cantar as coisas que eu gosto." O quê? "Música romântica, coisas de Marisa Monte. Marisa é tudo pra mim", diz. Enquanto o dia não chega, Gil mantém suas fichas no sonho, mas não descarta a hipótese de estar vivendo uma bolinha de sabão. "Se der tudo para trás, é porque estava escrito assim. Mas quero agarrar essa chance." Há quem ache que não há ilusão nenhuma. A acelerada "Venha", que puxa o novo CD, já martela nas rádios e é aposta para o Carnaval de 2000.

Boletim Assine Fale Conosco Outras edições Home Boletim Assine Fale conosco Outras edições Home