Veja também outros sites:
 
Home •• Revista ••• Reportagens  
Reportagens

15/12/2003

   

Cinema
Cidadão Nômade
Filho de pais que namoraram por correspondência, Chico
Diaz viveu no México, Peru, Costa Rica e Estados Unidos
e cursou arquitetura antes de seguir a carreira artística

Nina Arcoverde Mansur

 
André Durão
“Não é humano um pai ficar longe do filho. Eu sempre
fui muito família e esse é um modelo que me persegue’’

Chico Diaz, cujo filho de oito anos mora em Brasília

Conversar com Chico Diaz é se perder no tempo e no espaço. Em poucos minutos, o ator, de 44 anos, faz um convite ao universo de sua vida nômade. Nascido no México, Chico só chegou ao Rio em 1968, depois de passar por Estados Unidos, Costa Rica e Peru acompanhando o pai, um paraguaio técnico em comunicação da OEA (Organização dos Estados Americanos), a mãe, uma professora de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e cinco irmãos. O peregrino, porém, tornou-se um carioca na essência. Afinal, foi no Rio que traçou as trajetórias pessoal e profissional. Chico se orgulha de ser um dos únicos de sua geração a manter a média de um filme por ano desde a estréia, em 1981. São mais de 40 longas no currículo. Seus trabalhos mais recentes na tela são As Alegres Comadres, Garrincha – A Estrela Solitária, Amarelo Manga, Benjamim e A Selva. No teatro, protagoniza O Que Diz Molero, uma das peças mais bem-sucedidas na temporada carioca.

Até se tornar um ator reconhecido, porém, Chico enfrentou momentos de indecisão. Ele, que começou a fazer teatro aos 15 anos, ainda no colégio, terminou o ensino médio sem saber que carreira seguir. Acabou optando por arquitetura. Sentia-se mais seguro numa profissão reconhecida. O ator chegou a se formar e a fazer estágio na área ao mesmo tempo em que tocava seus projetos no teatro e no cinema. A decisão de abandonar as pranchetas só aconteceu quando o ator percebeu que poderia viver da arte. “Se tivesse que fazer esforço para me tornar ator, não seria ator.”

Embora a opção pela arte nunca tenha sido motivo de arrependimento, Chico enfrentou momentos difíceis na carreira. A primeira crise profissional veio no final dos anos 80. Nessa época, os trabalhos eram escassos, os salários pouco compensadores e os papéis pequenos. Mesmo assim, ele não recusava nenhum convite. “Fazia tudo que aparecia com carinho, profundidade e dedicação”, recorda. Em 1989, impulsionado pelo trabalho que fizera numa produção estrangeira, decidiu arriscar a sorte nos Estados Unidos. Durante um ano e meio, correu atrás de agentes e chegou a ser escalado para pequenas produções americanas. Mesmo assim resolveu voltar ao Brasil. “Percebi que tinha algo construído aqui e que não seria bom abandonar um caminho”, justifica. A família e a namorada da época também foram fundamentais para seu retorno.

O conceito de família, aliás, sempre foi importante na vida de Chico. Os pais dele, Juan e Maria Cândida, serviram de modelo para o ator. Os dois se conheceram em 1954, nos Estados Unidos. O casamento só aconteceu no Brasil, após namorarem quase dois anos por correspondência. “Queria ter um monte de filhos para passar essa base”, revela ele, com uma ponta de mágoa. Quando se separou da atriz Cecília Santana, há um ano e meio, seu único filho, Antônio, de 8 anos, mudou-se com a mãe para Brasília. “Não é humano um pai ficar longe do filho. Eu sempre fui muito família e esse é um modelo que me persegue”, diz ele, que atualmente está solteiro. Sempre que o tempo permite vai à Capital Federal ver o menino. Irmão de Chico, o diretor teatral Enrique Diaz confirma a profunda ligação familiar. “Apesar da diferença de oito anos, somos muito amigos. A família toda é muito ligada e isso influencia cada um de nós”, conta ele.

O verdadeiro sentido da família não foi a única herança deixada pelos pais. Chico cultiva o hábito de conhecer culturas e lugares diferentes. Para viver melhor os tipos que representa, gosta de se estabelecer nas cidades onde trabalha. “Preciso de pouco para viver. Para mim, bastam uma janela, um som e uma mesa de estudo, além de pouca roupa e dinheiro suficiente para as minhas necessidades básicas.”

Comente esta matéria
 

Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 228
ENQUETE

Eleja os brasileiros
que mais se
destacaram este ano

QUEM SOU EU?
DINHEIRO
TESTE
 BUSCA

ANIVERSÁRIO

Colocamos as principais notícias do ano que você nasceu em uma home page.
RESUMO DAS NOVELAS
 
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
 
| ISTOÉ | ISTOÉ DINHEIRO | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2003 Editora Três