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01/12/2003

   
 
Leandro Pimentel
Ele é formado em antropologia, pensou em ser massagista e foi empresário de Marisa Monte, antes de se tornar cineasta

 

Cinema / Lula Buarque de Hollanda
Lula é do Casseta
Sobrinho de Chico Buarque estréia como diretor de cinema com A Taça do Mundo É Nossa, dos humoristas do Casseta & Planeta e revela a parceria com o ministro da Cultura Gilberto Gil

Nina Arcoverde Mansur

 

Nos últimos onze meses ele esteve mergulhado no trabalho. Desde que o projeto de um filme com os humoristas do Casseta & Planeta saiu literalmente do papel – a idéia era acalentada havia cinco anos –, o cineasta Lula Buarque de Hollanda fez questão de passar os dias acompanhando todas as etapas da produção. Além de dirigir e de ter feito ponta como roteirista, assinou a produção musical, fez a trilha sonora e ajudou na finalização de A Taça do Mundo É Nossa, que estreou na sexta-feira 21 em todo o País. “Meu cotidiano é muito em cima do projeto que estou vivendo”, explica o cineasta. A Taça não só marca a estréia dos humoristas
na telona, como também a do próprio Lula. Aos 40 anos, carioca reservado, como manda o clã dos Buarque de Hollanda, o sobrinho de Chico Buarque é um dos fundadores da produtora Conspiração Filmes e acumula experiência em videoclipes e documentários com medalhões da música,
como Marisa Monte e Gilberto Gil.

O prazer de trabalhar com cinema surgiu há 20 anos, quando pesquisou durante um ano e meio para o filme que Joaquim Pedro de Andrade faria a partir do livro Casa Grande & Senzala, que acabou não se concretizando. Formado em antropologia e na dúvida sobre seguir a carreira de massagista ou cineasta, Lula enviesou para outra opção: tornou-se empresário da cunhada, a até então desconhecida Marisa Monte – o cineasta é casado com Letícia Monte, com quem teve a filha Dora, de 5 anos.

Atuar como empresário não lhe agradou, mas por meio dessa função pôde filmar em película shows, ensaios e viagens da cantora. “Lula Buarque é um visionário. Foi dele a idéia de fazer os especiais musicais e videoclipes filmados em película cinematográfica que se tornaram a marca registrada da Conspiração”, conta Leonardo Monteiro de Barros, sócio-diretor da Conspiração Filmes e produtor de A Taça. Lula gostou do que fez e, em 1988, depois de ganhar uma bolsa para cursar mestrado em cinema numa universidade de Nova York, voltou a estudar. “Meu apartamento tinha o chão inclinado, era torto”, lembra ele, rindo, sobre os dois anos
em que viveu nos Estados Unidos. “Adorava andar de bicicleta, mas era a maior ralação. Meu prédio tinha qua-
tro andares, sem elevador.”

Nova York foi decisiva para a trajetória de Lula. Foi lá que ele se juntou aos futuros sócios na Conspiração, Cláudio Torres e Arthur Fontes. O ministro da Cultura Gilberto Gil pode ser considerado um sócio de Lula, pelo menos no quesito documentários. A partir das pesquisas para Tempo Rei, uma cinebiografia de Gil, surgiu a idéia de rodar o premiado Pierre Fatumbi Verger – Mensageiro entre Dois Mundos.

A morte do etnógrafo francês estabelecido em Salvador (BA), em 1996, no dia seguinte a uma entrevista dada por ele sobre Gil, “impôs” a obrigação de documentar a vida do francês. Gil, então, foi à África com Lula – que seguiu para Paris – para levantar histórias de Verger. “Tive medo de o Gil pegar malária. Mas ele adorou até os hotéis baratinhos, de US$ 5, e deu a maior energia”, revela o cineasta, que compartilhou da intimidade do ministro ao filmá-lo na cida-
de de Ituaçu, onde Gil passou a infância. Lá, os dois passaram a noite num hotel improvisado. “Gil disse que
não tinha dormido porque ficou ouvindo o barulho das pessoas que chegavam para uma feira.”

O ministro é pauta para os futuros trabalhos de Lula, que pretende filmar, quando Gil deixar o cargo, um documentário sobre o exílio do cantor em Londres. E, se tudo der certo, vai emendar um novo longa com os Cassetas. Ainda este ano, Lula entra no mercado de DVDs com uma trilogia dos três primeiros discos de Marisa Monte e um especial de Milton Nascimento gravado. E, em 2004, debruça-se sobre o making of de A Taça para outro DVD. Tá explicado por que Lula diz que seu cotidiano é o trabalho?
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