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Reportagens

01/12/2003

   
 
Weimer Carvalho/ O Popular/ ae
O cantor, que sofreu
um leve traumatismo craniano e teve contusões pelo corpo, teve alta na quinta-
feira 20, três dias
após o acidente
Reprodução/ AE
Sebastião Arantes
O Popular/ AE
O cantor e o amigo Ayrison Roberto Pequeno deixam a Clínica Santa Mônica: shows cancelados em Belo Horizonte e São Paulo
Acacio Pinheiro/ Cb Press
O delegado Laerte Bessa (acima) e o cantor Zé Mulato (abaixo, atrás do parceiro Cassiano) deixaram o coma, mas seguem internados

 

Drama
“Pelo amor de Deus, me ajudem”
Leonardo deixa hospital três dias depois de acidente que vitimou o padrinho de um de seus filhos, cancela shows e passa fim de semana deprimido ao lado de familiares da vítima fatal. Ele diz que, se não estivesse dirigindo um jipe, todos os passageiros teriam morrido

Jonas Furtado

 
Diomocio Gomes/ O Popular/ ae
O Land Rover destruído e sem a roda traseira, possível causa do acidente, segundo o cantor

Não pode ser! Tem que ter um jeito!
Passava das 20h30, da segunda-feira 17, quando os gritos do cantor Leonardo ecoaram no breu da Rodovia GO-070. Enquanto expressava sua dor, ele desabotoava a camisa de Sebastião Figueiredo Arantes, 51 anos, padrinho de José Felipe, um dos cinco filhos do cantor. Sob o tênue feixe de luz emitido pelo farol da moto da enfermeira Valdirene Firmino do Nascimento, único ponto de claridade naquele estreito trecho da estrada, Leonardo massageou o peito do amigo, berrou pelo nome dele por mais algumas vezes e, em uma última tentativa desesperada, deu-lhe um tapa no rosto para tentar reanimá-lo. Em vão. “Infelizmente, não tem mais jeito. Ele está morto. Vamos salvar os outros”, desiludiu-o a enfermeira.

Valdirene foi quem prestou os primeiros socorros às vítimas do acidente ocorrido na Rodovia GO-070, que dá acesso ao município de Jussara, a 230 quilômetros de Goiânia. Naquela segunda-feira Leonardo seguia para a Fazenda Talismã, de sua propriedade, onde cria e vende gado de corte e leiteiro. No jipe que o cantor dirigia, além de Sebastião, que Leonardo chamava carinhosamente de “Tatão”, estavam Laerte Bessa, 49 anos, delegado da polícia Civil de Brasília, Ayrison Roberto Pequeno, 52 anos, chefe do Serviço de Apoio à Polícia Civil do Distrito Federal, e José das Dores, 52 anos, da dupla sertaneja Zé Mulato e Cassiano. Amigos quase inseparáveis, sempre que a agenda do astro permitia, todos se encontravam para uma roda de cantorias e conversas recheada de muita piada e cerveja.

No fim de semana do acidente, os dois policiais haviam tirado folga no trabalho e combinaram um encontro com Leonardo. Dessa vez, Bessa tinha uma surpresa: levaria ao amigo um Land Rover Defender, próprio para estradas de terra e locais de aventura, que havia pego emprestado numa revendedora, em Brasília. Com Leonardo ao volante dele, os cinco saíram de Goiânia por volta das 17h rumo à fazenda. Duzentos quilômetros depois pararam no município de Jussara para comprar alguns mantimentos, mas a cidade estava sem luz. O único local que conseguiram enxergar foi uma pastelaria, onde se alimentaram e tomaram caldo de cana. Ficava tarde e ainda teriam que enfrentar mais 120 quilômetros de estrada. Resolveram seguir em frente.

Ao lado de Leonardo, na frente, ia o delegado. Atrás dele, Sebastião. No centro do banco traseiro, Zé Mulato e atrás do piloto se acomodou Ayrison. Cinco minutos depois de deixarem a pastelaria, em um trecho de retas com curvas sutis, Leonardo perdeu o controle da direção e o carro capotou de duas a quatro vezes. “O carro não anda muito rápido. De repente, ele pendeu para a direita e puxei para a esquerda. Foi quando ouvi um baque e o carro capotou”, relatou o cantor. A assessora de imprensa dele, Ede Cury, aventou a hipótese de que a roda traseira do veículo tenha se desprendido do automóvel e ocasionado o acidente.

No momento do capotamento, Leonardo levou as mãos à cabeça enquanto seus pensamentos eram tomados pela imagem do irmão Leandro, falecido há cinco anos, vítima de câncer. Sebastião e Zé Mulato foram atirados para fora. Quando o carro parou, já destruído, Leonardo quebrou o
que sobrara do vidro lateral e saiu. Em segundos, Valdirene surgiu à sua frente. “Pelo amor de Deus, me ajudem. Me ajudem”, foi o que a enfermeira ouviu do cantor. Auxiliada
por seu namorado, Elison de Pina Neto, Valdirene prestou
os primeiros-socorros, ainda sem reconhecer o cantor.
“Vi o Sebastião no meio-fio.” Elison localizou então Zé Mulato, que estava jogado do outro lado da estrada. “Es-
tava todo ensangüentado, tinha sangue saindo pela boca. Coloquei-o de lado para que a secreção não dificultasse a respiração.” A outras pessoas que pararam para ajudá-lo, Leonardo dizia: “Pô, cara, eu estou bem. Quero que aju-
dem meus companheiros”.

De um celular, a enfermeira ligou para o Hospital Santa Clara, onde trabalha, em Jussara. Um rapaz com uma caminhonete transportou os feridos. “Colocamos o Laerte e o Zé Mulato, que precisavam de socorro urgente, na caçamba. Leonardo veio comigo na caminhonete. Ele tinha um hematoma na frente da cabeça e um próximo à nuca, além de escoriações no pescoço. Mas estava tão preocupado em salvar os a migos que nem dor sentia. Dizia que estava bem”, lembra Valdirene. A ambulância acionada pela enfermeira levou Ayrison e o já falecido Sebastião.

No hospital, Leonardo propôs chamar um jatinho ao médico de plantão, mas foi informado de que não havia locais para pouso na cidade. Laerte Bessa e Zé Mulato foram levados para Goiânia em duas unidades de UTI móveis. Com traumatismo craniano leve e contusões nas mãos e pelo corpo, Leonardo foi encaminhado para o posto de saúde onde se encontravam Ayrison e o corpo de Sebastião. De lá, foram removidos para a Clínica Santa Mônica, em Aparecida de Goiânia. Sebastião foi enterrado na terça-feira 18 no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia, com a presença da família de Leonardo.

Zé Mulato, que sofreu politraumatismo craniano e teve cinco costelas quebradas, continua internado na Clínica Santa Mônica, mas já recuperou a consciência e está praticamente descartado o risco de morte. Laerte Bessa, que teve traumatismo craniano e de tórax, está na UTI do Instituto
de Neurologia de Goiânia, respira sem a ajuda de aparelhos, está sem plena consciência e não tem previsão de alta. O estado clínico dele ainda é grave. Leonardo teve alta na quinta-feira 20, três dias depois, por volta das 13h30, junto com Ayrison. Usava um protetor de coluna cervical e tinha uma tala no antebraço direito.

Em casa, em Goiânia, desde então, o cantor cancelou shows que faria na quinta, sexta e sábado passados, em São Paulo e Belo Horizonte. Deprimido com a morte do compadre Sebastião, cujos dois filhos adolescentes estão hospedados com o cantor desde terça-feira 18, ele tem preocupado a família e os médicos por seu frágil estado emocional. Segundo Ede Cury, Leonardo afirmou que “se não estivessem em um carro como aquele, teria morrido todo mundo”. Ele deve voltar aos palcos nesta quinta-feira 27, no Claro Hall, no Rio.

O Land Rover Defender placa JHD 0110, de Brasília, foi le-
vado para o pátio do Instituto de Criminalística, em Goiânia. O laudo final, que deverá apontar se houve ou não falha mecânica do veículo, deve ser concluído em dez dias. O delegado Abadio Vicente Inácio, de Jussara, que abriu inquérito para apurar o acidente, espera pelo resultado da perícia para, em seguida, ouvir o depoimento de Leonardo
e decidir se indicia ou não o cantor por homicídio culposo (sem intenção de matar). Caso isso aconteça, a pena prevista é de dois a quatro anos de detenção mais a
perda da carteira de motorista, por tempo a ser determi-
nado pelo juiz do processo.

Colaborou Cecília Maia

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