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01/12/2003

   
 
Fotos: EFE
Na estréia como
titular na seleção

 

Esporte
Não quero ser Beckham
Três meses depois de trocar São Paulo por Milão, Kaká vira ídolo na Itália, estréia como titular na Seleção Brasileira, passa a morar sozinho num apartamento, mas se constrange com o assédio

Jonas Furtado

 
André durão

Do desembarque no aeroporto internacio-nal de Malpensa, em Milão, na Itália, na tarde do sábado 16 de agosto, à partida da Seleção Brasileira contra o Peru, em Lima, no domingo 16 de novembro, o paulista Ricardo Izecson, o Kaká, de 21 anos, experimentou emoções pelas quais a maioria das pessoas não passa em uma vida inteira. Em três meses, assinou um contrato de cinco anos com o Milan, pelo qual receberá US$ 2,2 milhões por temporada, tornou-se ídolo da torcida do atual campeão europeu e estreou como titular da Seleção – no último jogo do Brasil no ano, na quarta-feira 19, contra o Uruguai, ele anotou um gol no empate por 3 a 3. “Agora Kaká vale US$ 30 milhões. E pensar que o compramos a preço de banana...”, gabou-se o primeiro-ministro italiano e presidente do Milan, Sílvio Berlusconi, referindo-se aos US$ 8,5 milhões pagos ao São Paulo pelo passe do craque.

Se em campo Kaká enche os olhos dos torcedores, fora dele dá sinais de entrosamento com a rotina da cidade. Há duas semanas, deixou o hotel onde morava no centro e mudou-se para um apartamento a quinze minutos do antigo endereço, na saída da auto-estrada que leva ao centro de treinamento de Milanello. “Fiquei apenas três dias nele porque tive de me apresentar à Seleção. Ainda não tive tempo de curti-lo”, comenta o jogador, que vai morar sozinho e, de tempos em tempos, receberá a visita do pai ou da mãe.

Na apresentação ao Milan, quando
foi recebido por 10 mil torcedores

A jovem Caroline Lyra, de 16 anos, apesar dos 9.520 quilômetros que separam São Paulo de Milão, segue como titular no coração do jogador. Os dois estão juntos há um ano e Caroline já o visitou na Itália. “É duro namorar a distância. É muita saudade”, pondera Kaká. “Mas a gente fica muito tempo no telefone, na internet, conversando sempre. E ela veio uma vez para cá, quando ainda estava no hotel.”

Na Itália, Kaká ainda não tem fã-clube como no Brasil. Mas os torcedores criaram uma saudação especial para o novo xodó: “Nós viemos aqui, nós viemos aqui, para ver Kaká jogar”. “No Brasil, as pessoas pedem autógrafo, tiram fotos. Lá, eles te cumprimentam, elogiam e vão embora”, compara ele, que está gostando de não ser a estrela solitária do time. “No São Paulo, se o time perdesse eu era o culpado. No Milan, a responsabilidade é dividida entre todo mundo.” O que não mudou são os elogios à postura fora das quatro linhas. No dia em que desembarcou em Milão, alinhado num terno e gravata, a imprensa local o comparou a um astro de cinema pela aparência e elegância. “É, já há comentários sobre esse outro lado. Mas não são tão diretos como no Brasil. Prefiro que deixem em segundo plano essa história de galã”, afirma.

Colega de profissão, o inglês David Beckham, do Real Madrid, é o oposto de Kaká nesse quesito. Celebrado até no Oriente pelos traços físicos e postura de pop star, Beckham não é uma referência para o brasileiro. “Não quero ser igual (a Beckham). Prefiro direcionar para o futebol, que é a minha carreira. Se ocorrerem propagandas, patrocínios, ótimo. Mas nada que seja superexposto.”

Têm contribuído para a rápida adaptação de Kaká em Milão as aulas de italiano que ele faz desde que chegou ao país – “Já entendo tudo. Vou falando, misturando, errando e peço para o pessoal ir corrigindo”, diz – e o fato de o novo clube ser uma espécie de “comunidade brasileira” entre os times europeus. Além de Kaká, o Milan tem Rivaldo, Dida, Serginho e Cafu. Mas é a cozinha italiana que o distrai. “Os restaurantes são excelentes, só que não encontrei um que possa falar ‘é o meu cantinho favorito’”, cita o apreciador da boa-mesa. “Milão é parecida com São Paulo. É uma cidade de trabalho, trânsito bem carregado, excelentes teatros e cinemas. Só não tem violência.”

A violência dentro de campo, porém, continua no calcanhar do craque, mas ele tem se garantido. A prova de fogo aconteceu no clássico da cidade, contra a Inter, em outubro, quando marcou seu primeiro gol pelo time e trocou empurrões e tapas na cara com o argentino Killy Gonzales – atitude inimaginável para o Kaká de outras épocas, que chegou a deixar o campo chorando após ser alvo de entradas violentas no campeonato brasileiro. O ex-garoto protegido do Morumbi dá sinais de maturidade em busca de respeito e reconhecimento internacionais.

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