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Reportagens

01/12/2003

   
 
Murillo Constantino
A enóloga é quem escolhe o vinho quando sai com o marido, um crítico de gastronomia, mas provoca temores nos amigos: “As pessoas ficam com receio de nos convidar para jantar em suas casas porque devem pensar que sua comida e seus vinhos não são bons o suficiente”
Carta
Durante o evento Mais.Paladar, Jancis provou 18 vinhos nacionais e destacou alguns deles:
Espumante Marson Brut 2002
‘‘Tem um frescor absoluto. Isso é o que me agrada’’
Miolo Chardonnay Reserva 2002
‘‘Os vinhos brancos são os mesmos que se toma na França, Itália, Chile Califórnia e Austrália. Têm um padrão internacional, nada de diferente’’‘‘Os vinhos brancos são os mesmos que se toma na França, Itália, Chile Califórnia e Austrália. Têm um padrão internacional, nada de diferente’
De Lantier 2002 Ametista
‘‘Ele não passou em barrica
de carvalho e isso chamou
a minha atenção. É diferente
do resto do mundo’’
Salton Talento 2002
‘‘Esse é muito bom,
é diferente. Tem excelente persistência, dura na boca’’
Terranova Shiraz
‘‘Vinho de aroma bem intenso’’
Salton Volpi Cabernet Sauvignon 2002
‘‘Muito interessante, tem um bom equilíbrio’’
Marson Gran Reserva
‘‘Tem um bom potencial de envelhecimento’’

 

Carreira
Mestra dos vinhos
A prestigiada enóloga inglesa Jancis Robinson conta em sua primeira visita ao Brasil que
só tomou a primeira taça de vinho aos 20
anos e elogia a bebida nacional

Luciana Franca

 

“Não há uma comida perfeita para acompanhar um vinho. Eu acho que se pode tomar vinho até com feijoada.” A afirmação certamente causa estranheza, mas vinda da boca de Jancis Robinson é um aval para quem se atrever a experimentar a inusitada combinação. A enóloga inglesa, que conheceu o prato típico brasileiro na quarta-feira 19, tão logo desembarcou em sua primeira visita ao País, é atualmente a mulher mais importante do universo do vinho. A autora da enciclopédia The Oxford Companion to Wine e co-autora do Atlas Mundial do Vinho veio a São Paulo para dar palestras no evento gastronômico Mais.Paladar.

É surpreendente que uma sumidade em vinhos só tenha provado a primeira taça aos 20 anos. Mais de 30 anos depois, ela ainda se lembra do impacto causado pela bebida naquele jantar com um antigo namorado na época que cursava Matemática e Filosofia na Universidade de Oxford. “Ele costumava me pagar jantares e lembro da primeira garrafa de vinho que bebemos, um bom bourgogne tinto de 1959. Eu me recordo do cheiro do vinho e de achar tudo aquilo prazeroso”, conta. Depois de formada, Jancis trabalhou dois anos na área de turismo, mas resolveu jogar tudo para o alto e morar um ano em Provence, no sul da França. Foi lá que traçou o seu futuro. “Estava cercada por pessoas que consideravam comida e bebida assuntos importantes. Voltei para Londres determinada a procurar um emprego na área.” O começo não podia ter sido melhor. Com a sorte de principiante, Jancis iniciou a trajetória em 1975 como editora-assistente numa revista de vinhos.

Desde então tornou-se expert nos aromas e sabores. Ela chega a degustar 200 garrafas de vinho por semana e responde sem titubear qual foi o melhor que já bebeu: Château Cheval Blanc 1947. Tratava-se de uma garrafa magnum (de 1,5 litro) do vinho bordeaux levada por um apreciador de Hong Kong a um jantar na França, quando Jancis estava gravando uma série de tevê, em 1994. “Eu experimentei o mesmo vinho diversas vezes e nunca foi tão bom como aquele. Vinho é muito frágil e muito variável”, diz ela, uma das 200 pessoas no mundo que possui o título de Master of Wine. Ela se orgulha de já ter tido em sua adega verdadeiras preciosidades. “Tive sorte de ter vinhos de 1780 e que ainda estavam interessantes. O mais velho que já provei foi supostamente comprado por Thomas Jefferson (1743-1826), presidente dos Estados Unidos. Vinho que tem a habilidade de ficar melhor na garrafa é um sinal de qualidade”, diz a especialista.

Ser mulher num reduto predominantemente masculino não é problema para Jancis. Ela garante nunca ter sido alvo de preconceito na vida profissional. E nem na pessoal, já que assume que é ela quem escolhe o vinho quando vai a um restaurante com o marido. Nada mais justo. Afinal, é ele quem cozinha em casa. A enóloga é casada há 22 anos com o crítico de gastronomia Nick Lander, que assim como ela também assina uma coluna no jornal Financial Times. Talvez o único preconceito que o casal sofra seja em relação aos novos amigos. “As pessoas que não nos conhecem bem ficam com receio de nos convidar para jantar em suas casas porque devem pensar que sua comida e seus vinhos não são bons o suficiente”, diverte-se. Para não errar, os amigos deveriam ler as dicas que Lander e Jancis escrevem no
site www.jancisrobinson.com, um dos mais acessados do Reino Unido. Lá citam dicas de vinhos, lugares e restaurantes. Um local brasileiro acaba de ser inserido.
Jancis ficou encantada não só com a seleção como com o layout da carta de vinhos do restaurante A Figueira
Rubayat, que ela acabara de conhecer.

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