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Reportagens

01/12/2003

   
 
Fotos: Reprodução
Fotos: Reprodução
Com um ano e meio, quando ainda era conhecida por Arlette Pinheiro Esteves da Silva, o nome de batismo

 

Gente Fora de Série
Fernanda Montenegro
Capítulo 1
Nasce uma locutora de rádio
Uma das maiores atrizes do País conheceu quase todo o subúrbio carioca por conta do hábito familiar de trocar de casa, encenou uma peça pela primeira vez, aos 8 anos, nos fundos de uma paróquia, fez aulas de secretariado e trocou o nome, aos 15 anos, quando passou a trabalhar como radialista, o primeiro emprego de sua vida

por Luís Edmundo Araújo

 
Fotos: Reprodução
Fernanda aos 18 anos
No Rio de Janeiro dos
anos 30, os cinemas
espalhavam-se pela
cidade. Além das grandes salas da Cinelândia e do centro, cada bairro tinha ao menos outras duas, com sessões contínuas das 10h à meia-noite. No subúrbio, não era diferente. Ao lado da igreja Matriz do
Engenho de Dentro, os filmes eram projetados num galpão usado como espaço de recreação para as crianças. Foi ali que, um ano após nascer, em 16 de outubro de 1929, a menina Arlette Pinheiro Esteves da Silva teve os primeiros contatos com aquela que viria a ser sua principal diversão na infância.

Levada ao galpão pela mãe, Carmen, e pela avó materna, Maria Pinna Nieddu, que não tinham com quem deixá-la, ela não se lembra de suas primeiras sessões. Mas guarda na memória os últimos filmes mudos de Charles Chaplin, vistos a partir dos 3 anos, e as primeiras produções do cinema falado. “Tinha muito filme de esquimó, trem e daqueles aviadores de capuz com aqueles teco-tecos. Tudo filme americano”, lembra Arlette, hoje mais conhecida como Fernanda Montenegro, nome que inventaria ao assumir o primeiro emprego e que a tornaria famosa como uma das maiores atrizes do Brasil.

Exímia puladora de corda e amarelinha, como está registrado na biografia da atriz, O Exercício da Paixão, de Lúcia Rito, Arlette era, acima de tudo, uma criança observadora. De artes durante a infância, não se lembra, até porque vivia numa casa de três meninas, onde não havia os levados do sexo masculino. “As meninas eram comportadas ou por temperamento ou por educação, que na época era bem mais rígida que hoje”, lembra a irmã mais velha de Aída e Áurea.

Exatamente por ser a mais velha, ela podia passar temporadas maiores com os avós maternos ou mesmo morar com eles. Foi o que aconteceu até os 10 anos de idade. Imigrantes vindos da Sardenha, no sul da Itália, os avós Camilo e Maria Pinna ora moravam juntos com a filha e o genro, o operário modelador Vitorino, ora saíam para uma outra casa. Tantas mudanças, sempre para casas de espaçosos quintais, com pomar e horta, têm, na opinião de Fernanda, explicação na história da família. “Acho que gente que imigra fica buscando um lugar, né?”, especula a atriz.

E a saga dos Nieddu era o assunto principal das histórias que a avó contava a Arlette. Maria Pina conheceu o marido no navio onde viajava, depois que seus pais se desfizeram de tudo na Itália para tentar a sorte no Brasil. Após 33 dias no mar, três dos quais à deriva, o casal chegou ao Rio de Janeiro e, levado para trabalhar em Minas Gerais, pulou de fazenda em fazenda. Mas as condições de vida só melhoraram após a volta ao Rio, onde Camilo, estucador de profissão, trabalhou na construção do Teatro Municipal.

Do hábito familiar de trocar de casa, a menina magra e comprida que ganhara do avô o apelido de Saraguela (ave de pernas longas típica da Sardenha) tirou a vantagem de conhecer quase todo o subúrbio carioca, passando pela Ilha do Governador, Jacarepaguá e Campinho, entre outros bairros. Mas, aliadas às constantes viagens dos avós a Minas e São Paulo, para visitar parentes, as mudanças de endereço deixaram Arlette com medo de ser esquecida nos lugares. “Nas viagens, sempre tinha a impressão, quando acordava num hotel ou em casa de parentes, que meus avós poderiam não estar lá”, lembra a atriz.

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