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Entrevista

01/12/2003

   
Cláudio Gatti

Filha de mãe brasileira e pai alemão, a rainha diz que viveu uma infância feliz no Brasil e pratica o português com os três irmãos: “Quando temos
algum problema, falamos em alemão”

Cláudio Gatti
“Feijoada foi a primeira coisa que desejei comer assim que cheguei aqui. Gosto de uma farofinha, que é uma delícia. É obrigatório. Meu marido gosta muito de vatapá”
CONTINUAÇÃO

Rainha come feijoada?

Como é ser responsável pela educação de uma futura rainha?

 

Rainha Silvia, da Suécia
“Falo português quando estou feliz”
A soberana da Suécia financia projetos
contra a exploração sexual infantil no Brasil,
acha feijoada e farofa uma delícia e não se incomoda que a tratem por você

Eliane Trindade

 

“Rainha Silvia, cadê você, eu vim aqui só pra te ver.” Foi assim que a soberana da Suécia foi saudada por um grupo de estudantes de uma escola pública em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, na quarta-feira 20, primeiro compromisso oficial de sua visita ao Brasil. A rainha Silvia veio ver de perto o trabalho da Childhood Foundation (WCF), instituto criado por ela há quatro anos para atuar junto a crianças vítimas de abuso e exploração sexual. A quebra do protocolo não parece incomodar Sua Majestade, que acha essencial o contato com o povo. Os brasileiros têm um lugar especial no coração da rainha. Nascida na Alemanha, Silvia Renata de Toledo Sommerlath é filha de brasileira e viveu em São Paulo dos 4 aos 13 anos. Aos 59 anos, ela continua falando português, um dos seis idiomas que domina, fluentemente e quase sem sotaque. Adora comida brasileira, especialmente feijoada, farofa e vatapá, e carrega boas lembranças da infância em terras paulistanas. Vai levar de volta outra bela recordação desta sua última passagem pelo Brasil. Realizou na noite de quinta-feira o sonho de conhecer Pelé, um dos 400 convidados do jantar de gala no qual arrecadou fundos para o Instituto WCF-Brasil. Simples e sempre com um sorriso nos lábios, ela não veste o manto de personagem de um conto-de-fadas moderno. Conheceu o rei Carl Gustav quando trabalhava como intérprete na Olimpíada de Munique, em 1972. Foi amor à primeira vista, mas faz questão de dizer que a vida de rainha não é nada fácil. É o que conta nesta entrevista à Gente, concedida durante o trajeto que a levou de ônibus da capital paulista até São Vicente (SP), onde visitou um segundo projeto apoiado por sua fundação, na sexta-feira 20.

Como a senhora consegue manter um português tão
bom e fluente?

Depois que minha mãe morreu não tenho tanta possibilidade
de falar a língua quanto antes, mas continuo falando português com meus três irmãos. Nos falamos sempre por telefone. E na maioria das vezes nos comunicamos em português. É a língua que nós falamos quando nos sentimos bem, quando estamos felizes. Quando temos algum problema, falamos em alemão. O português tem um quê diferente, é a língua do coração. O Brasil está sempre no meu coração.
Vivi uma infância feliz aqui. Minha família era muito unida, mamãe tinha oito irmãos, tenho muitos primos.

Seus filhos aprenderam a falar português?
Infelizmente, eles não falam. Mas cantam em português e gostam de música brasileira. Foi uma pena eles não terem aprendido a língua quando crianças. Deveria ter ensinado a eles, mas seria uma língua que meu marido não falaria. Então, não queria ter uma língua de segredo com meus filhos, algo que ele como pai não pudesse compartilhar.

O que a senhora tem de brasileira?
Costumam dizer que meu coração é brasileiro, minha cabeça é alemã, mas inteira sou sueca.

Como é essa rainha de coração brasileiro?
Sou espontânea. Os suecos são muito disciplinados. Também são um povo caloroso, mas com os amigos, na intimidade. Não gostam de externar isso. Eu tenho facilidade de falar com as pessoas, de estar com as pessoas.

Mesmo com a barreira do protocolo? Como a senhora lida por exemplo com a informalidade do brasileiro?
O protocolo são regras para facilitar a vida. Então, não deve dificultar a vida de ninguém. Se todos conhecem as regras, tudo fica muito mais fácil. Mas não se deve exagerar. Aí é
que vem o fantasma, aquela coisa difícil: “Ai, meu Deus, o
que vou fazer, o que vou falar?”.

As pessoas que cercam a realeza são então literalmente mais realistas que o rei?
De vez em quando, sinto que as pessoas ficam nervosas na minha presença. Tento ajudá-las.

A senhora não se importa de ser chamada de você?
(Risos) Não, imagina. Isso acontece de vez em quando, não
só no Brasil, mas não é um problema.

Rainha come feijoada?
Foi a primeira coisa que desejei comer assim que cheguei aqui. Comi uma gostosa feijoada com farofa. Gosto muito de uma farofinha, que é uma delícia. É obrigatório. Também faço de vez em quando no palácio. Meu marido gosta muito de vatapá. Aprendi a fazer com minha mãe, é uma delícia.

A senhora é vaidosa?
Um pouco, como todas as mulheres. Mas espero que não demais. Não tenho muito tempo para essas coisas. Nem sou expert em maquiagem, por exemplo. Mas o difícil mesmo é achar o tempo para se cuidar.

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