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Entrevista

24/11/2003

   
     
Edu Lopes
“Fomos processados por um puxa-saco do Collor. O Benedito Ruy Barbosa não gosta de piada com novela dele. Mas os atores pedem para fazer piada com seus personagens”
CONTINUAÇÃO
O Casseta & Planeta entrou no cinema
para ficar?
Como surgem as piadas?

 

Bussunda
“Detesto ser o centro das atenções”
continuação
 

Como surgem as piadas?
A gente fica na redação com a tevê ligada na Globonews, sem som. No último programa (ele se refere à terça-feira 4), teve uma piada com o Lula na África. Tinha aparecido na tevê ele falando com um cara, que estava com uma negra bonita do lado. Aí o Marcelo Madureira falou: “Olha lá, ele quer trocar a Bené dele pela do africano”. A gente botou no programa. Muita piada surge porque você tá vendo o Lula falando, sem som, e começa a dublar.

Como intérprete do presidente Lula, o que espera dele?
Gostaria muito que ele raspasse a barba, porque é insuportável colar aquela barba toda semana. Como cidadão, ainda estou como todo mundo. Vendo esse governo na espera. Tem coisas boas e coisas ruins, mas ainda não dá para julgar. E como humorista não tenho do que reclamar. Está ficando cada vez melhor. Os ministros estão colaborando.

Os políticos brasileiros ajudam os humoristas?
Uma das gravações mais legais que fiz foi na época do impeachment do Collor. Eu e o Beto fomos para Brasília de vestido tomara-que-caia. Entrevistávamos os deputados até que o Roberto Freire disse que estava acontecendo uma reunião dos líderes do movimento Fora Collor na casa do Orestes Quércia, e nos deu o endereço. Chegamos e fomos entrando. Quando vi, estavam sentados na sala o Ulysses Guimarães, o Lula, o Quércia e eu, de tomara-que-caia. Ficamos aquela meia hora antes da reunião, para a imprensa fazer as imagens, depois mandaram a gente sair.

Já desistiu de alguma piada por se tratar de um
assunto forte?

Várias vezes. O que provoca comoção é muito complicado.
O atentado de 11 de setembro, por exemplo, era um
assunto único. Só se falava disso e a gente não podia
fazer piada, porque tinha morrido muita gente. Depois de
umas duas semanas, decidimos apontar para o Osama Bin Laden, para tirar a piada de Nova York, e conseguimos
fazer. Mas é difícil. Fatos como a morte do Senna, a dos Mamonas Assassinas, por mais que as pessoas contem piadinhas, nunca tornamos público. Em alguns casos, você
não pode usar um canhão como a Tevê Globo, por respeito
às pessoas que estão sofrendo.

Existe algum critério para definir o que pode virar piada?
É uma questão de respeito. Tem gente que você respeita e tem gente que você, e o povo brasileiro, não respeita. Na época do impeachment do Collor, fizemos um programa todo sacaneando ele, que não pôde ir ao ar. Passado um mês, o cara continuava presidente, mas a situação tinha mudado tanto que ninguém mais o respeitava. Então o programa
foi ao ar um mês depois.

Vocês sofrem censura na Globo?
Esse foi um veto do departamento jurídico. Não encaro como censura. Os caras estão vendo qual o processo que eles podem levar. De vez em quando a gente chama de ladrão o cara que ainda não foi condenado, isso acontece. Agora, censura política não me lembro de ter sofrido. Tanto temos a compreensão de até onde podemos ir, como eles têm a compreensão de que a gente é humor.

Já sofreu reclamações?
É raro alguém querer pagar esse mico, mas acontece. Fomos processados por um puxa-saco do Collor, de quem não me lembro o nome. O Benedito Ruy Barbosa não gosta de piada com novela dele. Mas os atores pedem para fazer piada com seus personagens. A maioria das pessoas gosta. Deve ter quem não goste, mas nunca levei porrada na rua.

Esperava todo esse sucesso?
Esperava o salário no fim do mês e estava bom demais, mas a gente trabalhou para isso. Temos a vantagem de adorar televisão. Gosto do público da tevê, enorme, e a gente buscou a popularidade sempre.

Mudou sua rotina por causa da fama?
Tenho essa coisa contraditória. Adoro meu trabalho, mas detesto ser o centro das atenções. Por isso, e também porque adoro ficar em casa com a minha família (Bussunda é casado com a jornalista Angélica Nascimento e pai de Júlia, 10) saio pouco à noite. Não gosto de ir num bar e todo mundo ficar olhando para mim.

Ainda acompanha futebol?
Parei com a coluna que escrevia no Lance (diário esportivo) no início do ano, para ter mais tempo para o filme. Cansei um pouco, até pela fase ruim do futebol carioca. Só volto a escrever agora no dia em que o Eurico Miranda sair do Vasco, mas continuo acompanhando. Vejo qualquer jogo.

Qual a expectativa para o jogo com o Ronaldo (Bussunda vai à Suíça, gravar a participação do Tabajara F.C. num amistoso entre os amigos de Ronaldo e os de Zidane)?
Se derem mole, vamos entrar pra jogar. Jogo pelada toda sexta. Já fui lateral, centroavante, e hoje pareço mais a bola. Mas se os caras correrem por mim, posso jogar tranqüilamente. Vão achar que sou o Romário. Minha movimentação é igual.

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