Veja também outros sites:
 
Home •• Revista  
Entrevista

24/11/2003

   
Fotos: Leandro Pimentel

“A ditadura é a guerra mundial do brasileiro, uma coisa que marcou. E é uma época que dá muita piada”, diz ele

Fotos: Leandro Pimentel
“Eu era um problema. No segundo grau
(atual ensino médio) cheguei a ser reprovado com zero em todas as matérias, porque eu matava a aula e ninguém em casa sabia”
CONTINUAÇÃO

O Casseta & Planeta entrou no cinema
para ficar?

Como surgem
as piadas?

 

Bussunda
“Detesto ser o centro das atenções”
O humorista estréia no cinema com os cassetas, conta que foi uma preocupação para a família na juventude e diz que o governo Lula está ficando melhor para fazer piadas

Luís Edmundo Araújo

 

Irmão do economista Sérgio e do médico pediatra Marcos, Cláudio Besserman Vianna, 41 anos, tinha tudo para ser a ovelha negra da família. Chegou a provocar uma reunião convocada pelos pais para se discutir seu futuro, até que o humor o salvou. Como Bussunda, virou um dos mais populares entre os sete integrantes do Casseta & Planeta. Além do programa semanal na Globo – que atualmente se reveza com A Grande Família no posto de humorístico de maior audiência da emissora –, poderá ser visto nas telas de cinema a partir desta quarta-feira 19, no primeiro filme dos cassetas, A Taça do Mundo É Nossa (leia a crítica).

O Casseta & Planeta entrou no cinema para ficar?
Gostamos muito de fazer cinema, dessa lapidação desde o início e, depois, do controle sobre o produto final. Queremos mais. A idéia é fazer um a cada dois anos, para não ser um embrulha e manda qualquer um.

Por que situar a história na década de 70?
O humor da época era contra a ditadura, e hoje em dia só se lembram do período para falar sério, porque ainda é esse tabu. A ditadura é a guerra mundial do brasileiro, uma coisa que marcou. E é uma época que dá muita piada. Tem comunistas, militares, sexo, drogas e rock’n’roll, jovem guarda, seleção tricampeã. Quando chegamos nessa época a história veio surgindo, foi tranqüilo.

A década de 70 também marcou o começo de vocês.
É verdade. A Casseta Popular (jornal alternativo que, junto com o Planeta Diário, de Hubert, Reinaldo e Cláudio Paiva, deu origem ao Casseta & Planeta) começou em 1977. Até hoje, Beto Silva, Marcelo Madureira e Hélio de la Peña usam os nomes que escolheram na época, porque o jornal era clandestino e não podíamos dar os nomes verdadeiros. Como já era Bussunda, eu assinei como Bussunda Dois. Se viessem me prender, diria que eu era o Bussunda Um. A Casseta éramos nós quatro e o Cláudio Manoel, que era Claude Mañel na época, mas abdicou desse nome gay.

É verdade que na faculdade você era uma preocupação para a família?
Fiz até uma palestra uma vez com o título “Como o Humorismo Salvou Minha Vida”. Meus pais chegaram a reunir meus irmãos sem mim para falar: “Tem que cuidar do Claúdio. Se a gente morrer, quem vai cuidar dele?”. Realmente, eu era um problema. No segundo grau cheguei a ser reprovado com zero em todas as matérias, porque eu matava a aula e ninguém em casa sabia. Depois cheguei na faculdade pública (escola de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Como passou no vestibular matando aulas?
Tinha uma boa base. Na verdade, meu projeto de vida nessa época era não fazer nada. Estudei um pouco pra passar no vestibular e pronto. Fui o penúltimo colocado para o segundo semestre. Na faculdade pública, meus pais não podiam reclamar que pagavam mensalidade, e a faculdade ajudava nesse projeto de não fazer nada. Então fiquei lá. Não me formei, mas foram ótimos anos.

Como entrou na Casseta?
A Casseta surgiu na Engenharia da UFRJ, quando o Beto, o Hélio e o Marcelo fizeram um jornal para reclamar da
falta de mulher na faculdade. Era amigo deles da praia,
em Ipanema, e o Cláudio também. Quando resolveram
ampliar o jornal, nos chamaram. Entrei na faculdade lançando
o primeiro número de que participei. A gente fazia o jornal e vendia até ter grana para rodar outro. Isso durava quatro, cinco meses. Fiquei assim na faculdade, até que, quando estava tentando me formar, juntando um monte de matéria, pintou o convite da Globo para escrever o TV Pirata (em 1988). Aí abandonei a faculdade.

Você vê muita televisão para criar as paródias do programa?
Já fui noveleiro. Hoje, vejo a novela das oito às terças-feiras, na espera do programa. Não acompanho muito, e acho que esse é o nosso mérito. Fazemos a paródia para o cara que
vê a novela de vez em quando. A gente chama o personagem da Malu Mader de Malu Mader, isso é o que dá certo. Vejo mais tevê a cabo, mas também vejo tevê aberta. Adoro os programas bons e os ruins. Só não gosto dos médios. Tem
uns programas muito ruins que são involuntariamente engraçados. Não vou ficar nomeando, mas tem vários aí,
todo mundo sabe. Os programas de auditório em geral, as novelas mexicanas. Gosto de ver.

Sempre vê televisão com olhar de humorista?
Depende. Quando o noticiário é pesado, vejo de baixo astral como todo mundo. Talvez fique até mais baixo astral por saber que não vai dar para fazer piada com aquilo. Mas normalmente tenho esse olhar, sim. Quinta-feira, por exemplo, é o dia que escrevemos piada. Então na quarta vejo o Jornal Nacional pensando o que dá piada ali. Mas também não sou maluco de ver televisão o tempo inteiro pensando no que vou botar no programa. As coisas aparecem.

1 | 2


Comente esta matéria
 

Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 225
ENQUETE

O que você pensa
sobre a separação
do fenômeno
Ronaldinho e
Milene Domingues?

QUEM SOU EU?
VOCÊ É MEDROSO?
ENSAIO
CLÉO PIRES
 BUSCA

ANIVERSÁRIO

Colocamos as principais notícias do ano que você nasceu em uma home page.
RESUMO DAS NOVELAS
 
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
 
| ISTOÉ | ISTOÉ DINHEIRO | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2003 Editora Três