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Reportagens

17/11/2003

   
 
Felipe Barra
Dener segura um filhote de tamanduá-mirim recuperado do tráfico: “A única solução para o problema é combatê-lo na origem”, diz ele
“É o terceiro maior comércio ilegal do mundo, depois das drogas e das armas’’
Dener Giovanini, sobre o tráfico de animais
Números do tráfico
de animais

• No Brasil existem
cerca de 400 quadrilhas que retiram por ano
38 milhões de
animais da natureza.

• De cada 10 animais seqüestrados,
apenas 1 sobrevive.

• A atividade movimenta de US$ 1 bilhão a
US$ 2 bilhões
por ano.

Fonte: Rede Nacional de Combate ao Tráfico
de Animais Silvestres

 

Ecologia
Bicho é com ele
Fundador de uma ONG, Dener Giovanini
recebe na quarta-feira 19 da ONU, em
Nova York, o Oscar do meio ambiente

Cecília Maia

 

Desde que recebeu, no final de outubro, um telefonema da ONU informando que ele havia sido agraciado com o prêmio Sasakawa – o Oscar do meio ambiente – o ambientalista Dener Giovanini, 35 anos, ficou em estado de transe. Pensou que fosse trote. A ficha só caiu uma semana depois quando chegou no auditório da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, para uma palestra que já estava programada havia mais de um mês. No local, com 90 lugares, se apertavam cerca de 300 pessoas, que, de pé e aos gritos de “Hero!, Hero!” (herói), o aplaudiram por longos minutos. “Fiquei sem graça, não estava preparado para prêmio tão grande. Nunca tinha ganhado um, e o primeiro foi logo o mais importante do mundo”, conta. Na palestra, Dener deveria falar por 45 minutos sobre a experiência da ONG que criou em 1999, a Renctas – Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres. Falou por mais de 4 horas e debateu a questão com os professores e doutores de uma das universidades mais importantes do mundo. “Eles cancelaram toda a programação que haveria depois de mim. Foi incrível!”, disse.

Emoção maior ele ainda está por viver. Na quarta-feira 19, recebe em Nova York, das mãos do secretário-geral das Nações Unidas, Koffi Annan, o prêmio que antes dele só um brasileiro havia ganho: o seringueiro Chico Mendes, ambientalista morto em 1988. Enquanto Chico chamou a atenção do mundo para a defesa da Floresta Amazônica e por isso acabou assassinado, Dener obteve visibilidade por criar em apenas três anos uma rede de informação exemplar para o combate ao tráfico de animais silvestres. Hoje a Renctas conta com 600 organizações filiadas, 39 mil pessoas cadastradas, que são consideradas policiais voluntários, está conectada à Interpol, a Polícia Internacional, e seu site (www.renctas.org.br) recebe em média 7 mil acessos diários do mundo inteiro. “Detectamos acessos da Arábia Saudita, do Sri Lanka e até do Quênia”, conta.

Agora a ONG se prepara para um passo maior. No final deste mês lança, numa conferência na Argentina com a presença de representantes dos 13 países da América do Sul, a primeira rede sul-americana de combate ao tráfico de animais silvestres. “Não dá para não sentir um orgulho patriótico”, comenta ele sobre o reconhecimento de tudo isso. “Pena que a realidade de nosso País nessa área seja tão vergonhosa.” Segundo a Renctas, existem no Brasil cerca de 400 quadrilhas que retiram por ano 38 milhões de animais da natureza. De cada dez animais seqüestrados, apenas um sobrevive. Apesar disso, a atividade movimenta de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões por ano. “É o terceiro maior comércio ilegal do mundo, depois das drogas e das armas”, afirma.

Dener nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado em Brasília. Começou a defender os animais na época em que se tornou secretário de Meio Ambiente do município fluminense de
Três Rios, cidade onde passou a infância. “Diariamente policiais chegavam no gabinete com animais do tráfico apreendidos. Eu ligava para o Ibama em Brasília, nos zoológicos e não conseguia dar um destino a eles”, conta. Tentou fazer denúncias aos órgãos competentes mas conseguiu apenas ganhar algumas ameaças de morte. Um
dia decidiu largar a secretaria para criar a Renctas. “Des-
cobri que a única solução para o problema é combatê-lo
na origem”, diz ele, que agora luta para tornar a legislação mais dura contra os traficantes de animais. “Hoje, com uma fiança de apenas R$ 40 eles são liberados”, diz. “Assim
nunca venceremos essa batalha.”

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