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13/10/2003

   
 
Fotos: Claudio Gatti
Fotos: Claudio Gatti
Após se separar do marido, Juliana apaixonou-se por Ariane Mnouchkine, diretora do Théâtre du Soleil, com quem está casada há 13 anos: “Meus filhos sempre estiveram com a gente. Foi tudo muito conversado”
Fotos: Claudio Gatti
“Não consigo comprar carro ou casa, mas isso não me faz falta. Minha vida é emocionar as pessoas e me emocionar’’ Juliana Carneiro da Cunha

 

Carreira
Um reencontro emocionado
Há 15 anos em Paris, onde ganha R$ 5.300 como estrela do Théâtre du Soleil, Juliana Carneiro da Cunha encena sua segunda peça em português em quase 30 anos e conta como um grande amor a fez mudar sua orientação sexual

Dirceu Alves Jr.

 

No final do ano passado, a atriz Juliana Carneiro da Cunha começou a sentir a energia escapar de suas mãos. Estava desanimada, parecia doente. Radicada na França desde 1988, ela integra o Théâtre du Soleil, uma das mais conceituadas companhias européias. Um sonho concretizado que parecia insuficiente. Com a ajuda da psicanálise, Juliana verificou que o problema não era de difícil solução: uma temporada no Brasil resolveria. Nada de férias ou visitas às pressas. Nesses 15 anos, seu único trabalho no País foi o filme Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, rodado
em uma fazenda em 1999, insuficiente para melhorar do banzo. “Precisava de um tempo no Rio, em São Paulo. Conversar com o taxista, com o rapaz da padaria. Chegar
e ficar. Dos meus 54 anos, morei 27 deles fora daqui”, diz
ela, sentada na platéia do Teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, onde comove o público como a Linda da peça A Morte de um Caixeiro-Viajante.

Foi o espetáculo protagonizado por Marco Nanini o pretexto que Juliana precisava para voltar para casa. O convite de Nanini esbarrava na agenda do Théâtre du Soleil e na seriedade da atriz, que pediu uma licença de seis meses para fazer a peça. “Dia 1º de dezembro, impreterivelmente, volto”, avisa. A Morte de um Caixeiro-Viajante é o segundo texto em português encenado por Juliana. O primeiro foi Mão na Luva, em 1985, também ao lado de Nanini. “Fui eu que botei a Juliana para falar no teatro (risos). E começou uma intimidade cênica que sempre quis repetir. Quando ela aceitou o convite, fiquei como um noivo no altar esperando a bem-amada chegar”, diz o ator.

Movida por desafios, pela sede do novo. Assim é Juliana, carioca criada em São Paulo, que estudou dança dos 7 aos 17 anos com a bailarina Maria Duschenes. Com uma bolsa de estudos, ela embarcou, aos 18 anos, para a Bélgica para beber na fonte do bailarino Maurice Béjart. A temporada entre Bruxelas e Paris se arrastou até 1978, quando, já casada com o cineasta francês Stephane Dosse, voltou
para São Paulo e teve seus dois filhos, Mateus, hoje com
25, e Joana, 24. “Tínhamos um padrão de vida de estudante. Não dava para sustentar uma criança. Construímos um quartinho na casa do meu pai e aqui ficamos”, conta a atriz. A década de 80 apresentou Juliana à rotina de uma artista brasileira. Fez espetáculos de dança e deu aula para se sustentar, foi premiada na peça As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant mesmo sem pronunciar uma palavra em
cena e participou das novelas Selva de Pedra, na Globo, Helena e Carmen, ambas na Manchete.

Em 1988, a atriz retornou a Paris com a família para a grande virada na carreira e na vida. Dois anos depois, ingressava no Théâtre du Soleil. Já separada do marido, ela se apaixonou pela diretora da companhia, Ariane Mnouchkine, 64 anos. “Foi um amor totalmente surpreendente que nos pegou. Temos as dificuldades comuns a qualquer relação. Há 13 anos, Ariane é uma grande companheira”, afirma. A paixão homossexual foi assimilada pelos filhos, na época, adolescentes: “Meus filhos sempre estiveram com a gente, participaram de toda a nossa história. Foi tudo muito conversado”. A proximidade continua na vida adulta. “Meus filhos me enchem de alegria, fazem pós-graduação, trilham o caminho deles”, diz.

Mas a bela estrada percorrida pela estrela do Théâtre du Soleil não é garantia de status financeiro. Todos os integrantes da companhia têm o mesmo salário, cerca de
R$ 5.300, sem contrato formal. “Não consigo comprar carro ou casa, mas isso não me faz falta”, diz. “Sou feliz. Minha vida é emocionar as pessoas e me emocionar. Se eu não fizesse isso, não imagino como poderia viver.”

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