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29/09/2003

   

Cinema
O novo vício de Moacyr Góes
O diretor teatral estréia na telona com três filmes no
mesmo ano, prepara-se para rodar mais um e diz que
quase não teve filho por medo de atrapalhar o trabalho

Mariane Morisawa

 
Felipe Barra
“Não tenho a menor vergonha de dizer que quero ser gostado’, diz Moacyr Góes, que está em cartaz com Dom e lança Maria, Mãe do Filho de Deus, Xuxa Abracadabra e Show de Verão até janeiro de 2004’

É noite de 19 de agosto, no Palácio dos Festivais, na cidade gaúcha de Gramado. Moacyr Góes está prestes a assistir à primeira exibição pública de Dom e descobrir a diferença fundamental entre teatro e cinema: “É que cinema não tem coxia para eu me esconder na estréia. Tive que ficar na platéia e foi horrível”. Diretor teatral premiado com três Shell e dois Molière, Moacyr debuta no cinema com uma homenagem a Dom Casmurro, de Machado de Assis, com Maria Fernanda Cândido e Marcos Palmeira. Nos palcos e nas telas, o diretor garante não ter medo da crítica, mas da platéia. “Não tenho a menor vergonha de dizer que quero ser gostado. Não aprecio vaias”, diz o diretor, que já passou por isso quando recebeu o Prêmio Shell por Antígona em 1993.

A busca pelo público pode explicar por que Moacyr Góes será o único diretor brasileiro a estrear três filmes neste ano. Além de Dom, em cartaz nos cinemas, ele rodou Maria, Mãe do Filho de Deus, produção com o Padre Marcelo Rossi que estréia dia 10 de outubro, está filmando Xuxa Abracadabra, que chega no final do ano, e em seguida faz Show de Verão, com Angélica, que será lançado em janeiro de 2004. Por conta disso, 2003 foi o primeiro em 20 anos de carreira em que o diretor não esteve no teatro. “Preciso muito fazer uma peça no ano que vem, porque o teatro é a minha casa”, diz.

Todos os filmes são resultado da parceria com o produtor Diler Trindade. “Chamei porque
o Moacyr é um excelente diretor de atores. E percebi que ele não tinha preconceito com
o popular”, afirma o produtor. “Ele é o sonho de todo produtor, respeita prazos e orçamentos”, completa Diler. Moacyr não hesitou em aceitar os projetos comerciais para
os quais foi convidado. “É fundamental que eu me exercite na linguagem cinematográfica
se quiser continuar, até porque tenho certeza de que não serei aquele cineasta de um
filme a cada cinco anos. Se for assim, fico no teatro”, diz. Não que não tenha existido dúvida quando Diler ofereceu o longa-metragem de Xuxa. “Acho a Xuxa legal, mas fiquei pensando no que aquilo poderia trazer de bom”, conta o diretor. “E vi que não poderia deixar de passar por essa experiência. É mais um filme, é mais um momento. Não é o momento definitivo”, afirma.

Os doze anos de análise foram fundamentais para ele ver as coisas sem grilos, como costuma dizer. A terapia, inclusive, o ajudou a decidir enfrentar a paternidade, aos 38 anos. “Miguel é meu melhor espetáculo”, derrete-se Moacyr sobre o menino de 5 anos. Tanta relutância tinha apenas um culpado: o trabalho. “Achava que um filho poderia cortar minha liberdade, porque sou um workaholic praticante. Quando saquei que poderia continuar pensando em trabalho 24 horas por dia e num filho 48 horas por dia, vi que não podia me privar da experiência”, conta ele, casado com a atriz Flávia Guimarães. O diretor torce para que Miguel não queira seguir sua profissão. “É muita exposição. Não tenho herança, preciso trabalhar. Mas já pensei em largar tudo”, conta. É o que explica o esconderijo na coxia cada vez que estréia uma peça. Só que, com tantos filmes para lançar, Moacyr Góes ainda vai sofrer muito na platéia.

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