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Reportagens

29/09/2003

   
 
Fotos: Reprodução
Fotos: Reprodução
Com a única filha, Anna Maria, nascida em 1932
‘Le Corbusier foi importante, mas os traços dele eram diferentes, mais pesados. Ele fez o poema do ângulo reto. Eu, ao contrário, fiz a poesia da curva ’
Oscar Niemeyer

 

Gente Fora de Série
Oscar Niemeyer
Capítulo 2
Os primeiros passos na carreira
Um pouco antes de participar de seu
primeiro comício do PCB, o arquiteto fez
estágio, sem remuneração, no escritório
de Lúcio Costa, foi designado para ajudar o gênio Le Corbusier na obra do prédio do Ministério da Educação, no Rio, e depois o derrotou no projeto da ONU, em Nova York

por Luís Edmundo Araújo

 

Resumo do capítulo 1
Depois de passar a infância jogando futebol – chegou a
atuar num Fla-Flu no Estádio das Laranjeiras –, Oscar Niemeyer aproveitou a juventude na boemia carioca. O casamento com Annita Baldo marcou o fim das noitadas. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes, onde se formou engenheiro arquiteto, em 1934, e pouco antes de concluir
o curso fez estágio num escritório de arquitetura.

Fotos: Reprodução
Com Lúcio Costa, seu primeiro patrão
Ele nem tinha concluído o curso de engenheiro arquiteto e já era pai. Anna Maria, sua única filha, nasceu em 1932. Mas as dificuldades financeiras de quem passou a sustentar uma família ainda antes de completar os estudos não impediram que Oscar Niemeyer levasse adiante os planos traçados para a própria carreira. Deixou de lado o exemplo da maioria dos colegas de faculdade – que a partir do terceiro ano de curso estagiavam em firmas construtoras em troca de um salário – e preferiu trabalhar de graça no escritório do arquiteto Lúcio Costa, na época já considerado um dos melhores do País. “Queria aprender o lado bom da arquitetura”, justifica Niemeyer. Quando conheceu o primeiro patrão, vivia do aluguel de uma outra residência, pertencente à prima Milota, e morava numa pequena casa de avenida movimentada, bem menor do que o sobrado do avô Ribeiro de Almeida onde nascera, em Laranjeiras.

Para conseguir o emprego, obteve uma carta de apresentação com um conhecido de Lúcio e bateu na
porta do ateliê que o futuro colega dividia com o arquiteto Carlos Leão, na Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro. “Não conhecia o Lúcio até esse dia, só sabia que
ele era um bom arquiteto”, conta Niemeyer, que, para trabalhar de graça, conseguiu o estágio sem maiores problemas. “Para mim foi muito útil, porque o grupo que trabalhava ali era muito bom”, lembra.

Além de marcar o início de sua vida profissional, a Avenida Rio Branco também foi palco, na mesma época, do começo da aproximação do jovem Oscar com a ideologia comunista. Foi ali, em frente à antiga Galeria Cruzeiro, que Niemeyer participou pela primeira vez de um comício do PCB (Partido Comunista Brasileiro), ao lado de companheiros de ideologia como o jornalista João Saldanha.

Era o início dos anos 30, quando o então presidente Getúlio Vargas recrudescia no autoritarismo que desembocaria no Estado Novo. Não é de se admirar, portanto, que o jovem arquiteto acompanhasse o comício com um olho no palanque, onde veteranos comunistas como Astrogildo Pereira discursavam, e outro na cavalaria da polícia, que acompanhava a manifestação. Apesar da tensão, tudo corria normalmente até a chegada de um carro com policiais à paisana. “Pensei que era gente do partido, mas eles saíram dando tiro para o alto”, conta Oscar. Na confusão que se seguiu, com os participantes do comício correndo para todos os lados, Niemeyer, Saldanha e outros companheiros do partido refugiaram-se num café de esquina até que o tumulto acabasse. O comportamento garantiu a integridade física do grupo, mas provocou, no dia seguinte, uma repreensão do pai de João Saldanha, o socialista radical Gaspar Saldanha que, ao saber do ocorrido, vaticinou sem titubear: “Vocês deviam ter ficado atrás de um bonde e resistir”.

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