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Entrevista

29/09/2003

   
     
Piti Reali
“Não foi embate (disputa com Gushiken por verbas), estávamos todos apalpando a máquina, esse corpo estranho. Estávamos testando o que era governar”
CONTINUAÇÃO
Você planejava ser mãe há muito tempo? 
Como vê o cinema nacional hoje?    

 

Carla Camurati
“Faltava um pedaço de vida para mim”
continuação
 

Isso não é conseqüência de ser mãe mais madura?
É bom porque, em primeiro lugar, você quer mais aquele filho. Aos 20 anos, a gente tem outros tipos de ansiedade. Aos 40, já vivi uma série de coisas e comecei a sentir falta de um pedaço de vivência. Faltava um pedaço de vida para mim. O Antônio não pode sentir meu cheiro e já quer mamar. É tão guloso. Ele mama de duas em duas horas, é grandão. Não sou uma mulher grande. O João também não é nenhum homenzarrão. Brincamos que o Antônio é o maior de nós três.

A idade assustou você?
Comecei a querer um filho há uns três anos. A mulher tem um relógio interno e precisa respeitar. É real. Todo médico faz questão de jogar isso na nossa cara. A questão da idade sempre grila, mas nunca me perseguiu.

A maternidade é fundamental?
Falo sempre por mim, ok? A maternidade é uma função da mulher. É ruim passar pela vida, no meu ponto de vista, sem isso. O corpo propicia ser mãe, gerar uma criança, amamentá-la e você deixar de desenvolver esse instinto pode não ser tão legal. Vai que eu nascesse homem na outra vida e não tivesse aproveitado isso (risos).

O que você pensa para o futuro do Antônio?
O que mais quero é fazer o Antônio olhar o mundo, ensiná-lo a apreciar as coisas. Quero que ele tenha sensibilidade para entrar em um jardim e reparar naquela árvore, naquela flor.

Como está a adaptação de O Mistério de Irma Vap
para o cinema?

Vou rodar no ano que vem. Não teria como pegar uma produção agora. Nesse festival de cinema infantil, divido o trabalho com uma equipe. A intensidade de produzir um
filme, a carga horária de trabalho é muito grande. São 10 semanas trabalhando 14 horas diárias, uma folga semanal.
Não é esse o momento. Afinal, eu já fiz três filmes e agora estou no meu primeiro filho.

Você é tida como impulsionadora da retomada do cinema nacional com Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, em 1995. Oito anos depois, como vê aquele sucesso?
Meu sonho eram três semanas em cartaz. Ficamos 11 meses. Nunca imaginei que isso fosse acontecer. Fizemos quase 1,3 milhão espectadores com 30 cópias. Não faço idéia do que Carlota Joaquina poderia ser hoje nas bilheterias com um megalançamento e 200 cópias rodando o Brasil, como acontece com a maioria dos filmes.

Como vê o cinema nacional hoje?
Estamos em um momento muito bom. Foi feito um investimento na indústria do audiovisual que está rendendo frutos. O mais legal está na variedade da nossa produção. Tem coisas muito diferentes em cartaz ao mesmo tempo. Não estamos diante de uma corrente, todos os filmes com o mesmo estilo. Você tem Carandiru, Lisbela e o Prisioneiro e O Caminho das Nuvens, todos muito diferentes. Isso é salutar.

Não existe uma estética muito semelhante, talvez televisiva, em todos esses filmes que você citou?
Não é problema. O bom é existir a pluralidade, uma coisa não deve substituir a outra. O cinema de arte, independente da indústria que se forme, não vai morrer. O Woody Allen faz aquele número de espectadores que não é nem perto de 3 ou 4 milhões e filma a vida inteira. Ele não é o Steven Spielberg e os dois convivem muito bem no mesmo país.

Críticos defendem que a fase da retomada está encerrada e que o cinema nacional deve entrar
em outro ciclo. O que você acha?

Concordo. A retomada é fato, já aconteceu e não pode se arrastar por 30 anos. É preciso ver o que vai acontecer agora, qual é a política que o Brasil vai adotar para o audiovisual. Estamos caminhando. O Brasil é uma sopa no mel para o audiovisual, um país enorme que fala a mesma língua. É um mercado muito interessante e promissor. Precisa ser utilizado e cobrado para garantir novos filmes a partir de 2005. Tudo precisa ser bem pensado.

Você não sente saudade de atuar?
Eu gosto de atuar, claro que sinto saudade, mas comecei a dirigir, produzir, me envolver em outras coisas. Em outubro, vou dirigir a ópera O Barbeiro de Sevilha em Belo Horizonte
a convite do Palácio das Artes. Adoro ópera, adoro dirigir ópera. Vou passar o mês lá, com toda infra-estrutura, apenas cinco horas diárias de ensaio. E levo o Antônio junto. No
ano que vem, devo voltar como atriz no filme Ele me Bebeu, do José Antônio Garcia.

Quando você sentiu que era necessária a virada na sua carreira de atriz para cineasta?
Sempre quis dirigir cinema. Estava insatisfeita com minha carreira. Não estava feliz. Coisas que acontecem natural-
mente na vida de todo mundo.

Você não perde dinheiro abrindo mão de ser atriz da Globo?
Quando a gente gosta de uma coisa tem que fazer. Não existe dinheiro que me pague o prazer que tenho ao dirigir. Fazer Carlota Joaquina foi impagável. E foi uma experiência que não posso reclamar do que ganhei. Veio tudo junto. Não trocaria por nada a mudança que fiz.

Faria televisão novamente?
Recebi convites para dirigir em tevê, mas nunca pude abandonar o trabalho em que estava envolvida no momento. Faria com o maior prazer. Como atriz, quem sabe. Nada é impossível. Gilberto Braga me convidou para uma participação em um capítulo em Celebridade, mas não pude. O Antônio estava gripadinho no dia da gravação.

Seus três filmes não concorreram em nenhum festival brasileiro. Por quê?
Nunca gostei de festival. Não gosto da idéia de esperar
por um festival. Não vou perder o melhor momento de
lançar o meu filme na esperança de ganhar um prêmio.
Você pode não ganhar o prêmio e perder o momento
certo de jogar o filme na tela
.

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