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Com a mulher Annita, em 1929. |
Um pouco
mais tarde veio a época em que o jovem Oscar não dispensava
as diversões da vida noturna no Rio antigo. Se a influência
maior vinha do avô, era o tio Nhonhô, na época
diretor do Fluminense Futebol Clube, que o levava a locais como o
extinto bar Americano, no centro da cidade, o bar Lamas – até
hoje tradicional reduto da boemia, na zona sul carioca – e a
Lapa. O bairro no Centro da cidade, com seus bares e cabarés,
também era ponto de encontro dos amigos do então estudante
do ensino médio, acostumados a passar por lá para tomar
uma bebida nos bares. “Ficamos familiares, tanto que íamos
durante o dia também, para jogar carta com as moças”,
lembra Niemeyer.
Mantido até
hoje num canto do escritório do arquiteto, em Copacabana,
o cavaquinho é testemunha dos tempos de boemia. Era nele
que Niemeyer tocava os sambas da época, na companhia de um
grupo de amigos que se reunia no Clube de Regatas Guanabara, na
Praia de Botafogo, e permanece em sua memória. “Éramos
eu, Gastão Vida de Cão, Siri e o Barqueiro”,
lembra ele, como se estivesse recitando a escalação
de uma seleção de futebol e garantindo não
ter sido brindado com qualquer apelido na época.
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Família reunida: seu irmão Carlos Augusto, sua
mãe, seu pai, , suas irmãs Leonora, Lilia, Oscar
(no centro), sua irmã Judite e o irmão Paulo
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A vida
despreocupada durou até o casamento, aos 21 anos, com Annita
Baldo, filha de imigrantes italianos de Pádua, perto de Veneza.
Sem pompa, nem circunstância, a cerimônia do matrimônio
atendeu aos desejos da religiosa noiva, que conseguiu convencer
o noivo ateu a casar numa igreja do bairro. “Casei por formalidade.
Mais católica do que minha esposa é impossível,
então não me incomodei em casar dessa forma”,
justifica. O casamento foi no mesmo ano da formatura no ensino médio,
que marcou o início da vida profissional do futuro arquiteto.
Casado, o estudante assumiu a responsabilidade que passou a ter
e trocou a boemia pelo trabalho na tipografia do pai.
Um
ano depois, em 1929, ainda ajudava o pai na tipografia quando matriculou-se
na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde se formaria,
como engenheiro arquiteto, em 1934. A partir do terceiro ano do
curso, o jovem estudante passou a ter duas opções
para seguir em frente na carreira escolhida: ganhar um salário
qualquer como estagiário de firmas construtoras, como a maioria
de seus colegas, ou trabalhar de graça e aprender “o
lado bom da arquitetura”, como ele mesmo diz, no escritório
de algum renomado arquiteto. Alguém que tinha a admiração
de Niemeyer. Alguém com quem iria mudar a história
do Brasil.
Não
Perca!
No próximo capítulo: o início da histórica parceria com
Lúcio Costa, que mudou o Brasil, o trabalho com o mestre
Le Corbusier, mais tarde superado pelo discípulo, e as
primeiras, e tumultuadas, participações em comícios do PCB.
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