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No dia 20 de setembro,
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, um dos
maiores especialistas em televisão no Brasil, volta a exibir
seu inegável talento. Ele é um dos sócios da
TV Vanguarda, uma nova afiliada da Globo, que será inaugurada
oficialmente nesta data com 46 retransmissoras, no interior de São
Paulo. Em seu escritório, no Leblon, no Rio, ele conta que
o grupo envolvido no projeto deterá 90% do negócio
e a Globo, 10%. “Não estarei à frente da programação.
Serei um palpiteiro mor”, diz ele, que participou da construção
do prédio, da instalação da engenharia e da
criação de vinhetas e campanhas publicitárias
da emissora. Além disso, Boni está envolvido no surgimento
de uma empresa de consultoria voltada para a criação
de novas emissoras.
Você
acha que o modelo da televisão brasileira está desgastado?
Sim, principalmente porque temos no Brasil somente uma emissora
investindo pesado no talento brasileiro, que é a Globo. As
outras estão no marasmo, até mesmo o Silvio Santos.
Ele já foi mais agressivo. Imagino que um país precisa
de um sistema de televisão competitivo do ponto de vista
artístico, comercial e cultural. Falta renovação.
Falta
ousadia às emissoras?
Não consigo imaginar uma emissora de televisão que
é um serviço público, que está operando
o canal porque o governo lhe deu em nome do povo, não fazer
jornalismo, só passar filmes e não investir em dramaturgia
nacional. Por que tem que pegar o horário nobre de uma concessão
do serviço público e vender para o sujeito fazer comercialização
do horário para uma Igreja? Nada contra a Igreja, mas entregar
o horário nobre para se fazer pregação... A
emissora foi dada com o princípio de se fazer um pouco de
informação, cultura, educação e entretenimento.
Isso não é entretenimento. A catequese é tão
comercial quanto um xarope ou um comprimido para dor de cabeça.
Por
que você se opõe a atrações como o Big
Brother?
Não me oponho, o Big Brother é um fenômeno
no mundo inteiro. Me rendo ao sucesso. Mas num país onde
você tem grandes atores e grandes autores, você subestima
isso com atores medíocres. Quando se permite que esses programas
possam ir ao ar, mesmo que tenham audiência, está se
dizendo o seguinte: o João das Couves é melhor do
que o Dias Gomes, que o Jorge Amado, o Gilberto Braga, o Manoel
Carlos e o Benedito Ruy Barbosa. E que estes participantes são
melhores que o Antônio Fagundes ou Regina Duarte, isso é
impossível.
O
que acha do Domingão do Faustão?
O Fausto é muito inteligente, muito criativo e tem raciocínio
muito rápido. Tanto que estava perdendo para o Gugu e agora
está ganhando. Estes programas que se sustentam em cima de
um apresentador e não têm um formato definido, ficam
à mercê da capacidade de criação da equipe
a cada semana. O apresentador põe a cara no vídeo
mas não é o responsável pelo conteúdo
do programa. Eu tenho uma admiração muito grande por
ele, como tenho pelo Gugu, que é muito humano
e visto pelo telespectador como um filho. Mas esses progra-
mas são traiçoeiros. É uma gangorra. Acho que
o Fausto continua inteiro porque a inteligência e competência
dele continuam iguais. Mas imagino que ele gostaria de sair
dessa guerra, de fazer um Perdidos na Noite.
Como
você avalia o SBT?
O SBT tem dois ativos. Um é o Silvio Santos, um senhor apresentador.
E outro ativo é o Gugu. Tem também a Hebe, que acho
maravilhosa. Tem o Ratinho, que tem talento, embora o programa não
o aproveite. O tripé do Silvio Santos é: Gugu, Silvio
Santos e filmes. Não se sobrevive deste jeito. Não
se participa da vida da cidade sem jornalismo. Não
se consegue fazer sucesso com novelas que, mesmo produzidas do Brasil,
tenham texto mexicano. Está distante
da nossa realidade, não funciona.
Xuxa
está com baixa audiência. Ela está ultrapassada?
Ela teve boa intenção ao pegar a credibilidade que
tem com o público infantil e fazer um programa para crianças
de quatro a sete anos. É o modelo Vila Sésamo.
Para fazer um programa do tipo do Vila Sésamo é
preciso um monte de ingredientes. Primeiro é trabalhar com
pedagogia, é se cercar de pedagogos. A intenção
dela é correta mas precisava ser assistida por gente que
soubesse educar. Segunda coisa: é preciso que a empresa esteja
disposta a perder a audiência. A Xuxa foi ousada ao fazer
um programa educativo. Mas ele precisa ser muito bom para ser efetivamente
educacional. O talento da Xuxa como apresentadora está intacto,
o programa e faixa etária é que estão inadequados.
O que seria banido da programação se você estivesse
hoje no comando de uma tevê?
A exploração da violência no sentido da realidade,
não
da ficcional. De se ficar em cima da carniça, mesmo que
fosse para denunciar, como alguns programas tentam
fazer, mas não é a maneira de fazer.
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