Veja também outros sites:
Home •• Revista  
Entrevista

31/08/2003

   
André Durão

“Por que tem que
pegar o horário nobre de uma concessão do serviço público e vender para uma igreja?”
, pergunta Boni

CONTINUAÇÃO

Como você
avalia o SBT?

Voltaria à televisão se fosse chamado?

 

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho
“Só voltaria à televisão como dono”
Ex-homem forte da Globo, ele conta por
que saiu da emissora, diz que o SBT não sobrevive com a estrutura atual e descarta
voltar à tevê como executivo

Rosangela Honor

 

No dia 20 de setembro, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, um dos maiores especialistas em televisão no Brasil, volta a exibir seu inegável talento. Ele é um dos sócios da TV Vanguarda, uma nova afiliada da Globo, que será inaugurada oficialmente nesta data com 46 retransmissoras, no interior de São Paulo. Em seu escritório, no Leblon, no Rio, ele conta que o grupo envolvido no projeto deterá 90% do negócio e a Globo, 10%. “Não estarei à frente da programação. Serei um palpiteiro mor”, diz ele, que participou da construção do prédio, da instalação da engenharia e da criação de vinhetas e campanhas publicitárias da emissora. Além disso, Boni está envolvido no surgimento de uma empresa de consultoria voltada para a criação de novas emissoras.

Você acha que o modelo da televisão brasileira está desgastado?
Sim, principalmente porque temos no Brasil somente uma emissora investindo pesado no talento brasileiro, que é a Globo. As outras estão no marasmo, até mesmo o Silvio Santos. Ele já foi mais agressivo. Imagino que um país precisa de um sistema de televisão competitivo do ponto de vista artístico, comercial e cultural. Falta renovação.

Falta ousadia às emissoras?
Não consigo imaginar uma emissora de televisão que é um serviço público, que está operando o canal porque o governo lhe deu em nome do povo, não fazer jornalismo, só passar filmes e não investir em dramaturgia nacional. Por que tem que pegar o horário nobre de uma concessão do serviço público e vender para o sujeito fazer comercialização do horário para uma Igreja? Nada contra a Igreja, mas entregar o horário nobre para se fazer pregação... A emissora foi dada com o princípio de se fazer um pouco de informação, cultura, educação e entretenimento. Isso não é entretenimento. A catequese é tão comercial quanto um xarope ou um comprimido para dor de cabeça.

Por que você se opõe a atrações como o Big Brother?
Não me oponho, o Big Brother é um fenômeno no mundo inteiro. Me rendo ao sucesso. Mas num país onde você tem grandes atores e grandes autores, você subestima isso com atores medíocres. Quando se permite que esses programas possam ir ao ar, mesmo que tenham audiência, está se dizendo o seguinte: o João das Couves é melhor do que o Dias Gomes, que o Jorge Amado, o Gilberto Braga, o Manoel Carlos e o Benedito Ruy Barbosa. E que estes participantes são melhores que o Antônio Fagundes ou Regina Duarte, isso é impossível.

O que acha do Domingão do Faustão?
O Fausto é muito inteligente, muito criativo e tem raciocínio muito rápido. Tanto que estava perdendo para o Gugu e agora está ganhando. Estes programas que se sustentam em cima de um apresentador e não têm um formato definido, ficam à mercê da capacidade de criação da equipe a cada semana. O apresentador põe a cara no vídeo mas não é o responsável pelo conteúdo do programa. Eu tenho uma admiração muito grande por ele, como tenho pelo Gugu, que é muito humano
e visto pelo telespectador como um filho. Mas esses progra-
mas são traiçoeiros. É uma gangorra. Acho que o Fausto continua inteiro porque a inteligência e competência dele continuam iguais. Mas imagino que ele gostaria de sair
dessa guerra, de fazer um Perdidos na Noite.

Como você avalia o SBT?
O SBT tem dois ativos. Um é o Silvio Santos, um senhor apresentador. E outro ativo é o Gugu. Tem também a Hebe, que acho maravilhosa. Tem o Ratinho, que tem talento, embora o programa não o aproveite. O tripé do Silvio Santos é: Gugu, Silvio Santos e filmes. Não se sobrevive deste jeito. Não se participa da vida da cidade sem jornalismo. Não
se consegue fazer sucesso com novelas que, mesmo produzidas do Brasil, tenham texto mexicano. Está distante
da nossa realidade, não funciona.

Xuxa está com baixa audiência. Ela está ultrapassada?
Ela teve boa intenção ao pegar a credibilidade que tem com o público infantil e fazer um programa para crianças de quatro a sete anos. É o modelo Vila Sésamo. Para fazer um programa do tipo do Vila Sésamo é preciso um monte de ingredientes. Primeiro é trabalhar com pedagogia, é se cercar de pedagogos. A intenção dela é correta mas precisava ser assistida por gente que soubesse educar. Segunda coisa: é preciso que a empresa esteja disposta a perder a audiência. A Xuxa foi ousada ao fazer um programa educativo. Mas ele precisa ser muito bom para ser efetivamente educacional. O talento da Xuxa como apresentadora está intacto, o programa e faixa etária é que estão inadequados.

O que seria banido da programação se você estivesse hoje no comando de uma tevê?
A exploração da violência no sentido da realidade, não
da ficcional. De se ficar em cima da carniça, mesmo que
fosse para denunciar, como alguns programas tentam
fazer, mas não é a maneira de fazer.

1 | 2


Comente esta matéria
 

Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 213
ENQUETE

Vote no mais sexy
e monte o ranking
dos internautas

Você é fã dos cantores bregas?

FÓRUM
TESTE

Que personagem de Julia Roberts você é?
 BUSCA

Aniversário

Colocamos as principais notícias do ano que você nasceu em uma home page.
RESUMO DAS NOVELAS
Saiba o que vai acontecer durante a semana na sua
novela preferida
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
 
| ISTOÉ | ISTOÉ DINHEIRO | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2003 Editora Três