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25/08/2003

   
 
Claudio Gatti
Emílio Carlos, o Cacá, virou comentarista de rodeios em 1993. Hoje, comenta 25 eventos Brasil afora por ano e preside o clube Os Independentes

 

Barretos 2003
O Doutor dos rodeios
Organizador da Festa do Peão de Boiadeiro, Emílio Carlos dos Santos abandonou a Engenharia para comentar rodeios, depois
de uma tragédia que o fez mudar de vida
e parar de comer carne

Dirceu Alves Jr

 

No álbum do recém-nascido Emílio Carlos dos Santos, em meio a várias fotografias, estava escrito o que os pais sonhavam para o futuro daquele caçula de oito filhos. O pai queria ter o único varão da família como fazendeiro, enquanto a mãe preferia vê-lo diplomado, como engenheiro. Hoje, aos 48 anos, o engenheiro civil Emílio Carlos dos Santos se orgulha de também ser o Cacá, organizador desde 2002 da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, evento orçado em R$ 8 milhões que deve reunir mais de 800 mil pessoas entre 21 e 31 de agosto na cidade paulista, trançando um caminho que contentou a todos. E, principalmente, o faz feliz.

Até sete anos atrás, a Engenharia foi seu ganha-pão, o sustento da família, enquanto a vida rural e os rodeios não passavam de lazer. Uma fatalidade fez esse homem dar uma guinada. Em 1996, um tumor no pulmão matou sua mulher, Samira, aos 38 anos, em apenas 40 dias. “Era uma pessoa tão vaidosa, criativa. Sua morte me fez chutar o pau da barraca, decidi sobreviver de um hobby”, diz ele, que tem uma filha, a estudante de Comunicação Empresarial Lívia, 24 anos. “Essa rotina de rodeios não é para homem casado. Você não tem um lar, mora debaixo de um chapéu.”

Cacá cresceu junto à Festa de Barretos. A primeira edição foi realizada em 1956, ano de seu nascimento. Aos 6 anos, levado pelos cunhados, ele já atuava nos bastidores do evento como o responsável por juntar as garrafas jogadas no chão pelos freqüentadores. Depois, ganhou uma promoção e passou a catar troco para os vendedores de ingressos até chegar a bilheteiro e secretário do rodeio, quando passou a integrar o clube Os Independentes, responsável pela festa, aos 21 anos. “Passei por todos os estágios. Mesmo ocupado com a Engenharia, promovia concursos de rainha e bailes. Barretos sempre me deu muito prazer”, diz, com o sorriso estampado nos lábios, ele, que, desde setembro de 2001, é o presidente de Os Independentes.

É com o peito estufado que Cacá afirma ser o responsável pela criação, em 1993, de uma função até então inexistente no segmento: o comentarista de rodeios, aquele sujeito que, ao lado do locutor, explica o que acontece na arena. “O público desconhecia as regras e isso dificultava a compreensão. O rodeio ganhou uma linguagem inacessível a quem não faz parte daquele universo. Por isso é que pessoas como a cantora Rita Lee criticam nossa atividade”, afirma Cacá, que comenta cerca de 25 rodeios por ano Brasil afora, assina uma coluna semanal no jornal Diário de Barretos e foi um dos principais batalhadores da lei que regulamenta a atividade de rodeio no Brasil, sancionada em 2002.

Apesar do inseparável chapéu, das botas e da calça jeans, Cacá quebra o estereótipo do homem do campo ao abominar carne vermelha. “Quando minha mulher adoeceu, prometi
que jamais comeria carne se ela se curasse. Não obtive a graça, mas mantive a decisão. Senti o quanto isso me fez bem”, diz ele, que ainda evita frituras, doces e refrigeran-
tes. O coração reencontrou um caminho. Desde 1999, ele namora Carina, 29 anos, que vive em São Paulo e trabalha com Administração. “Não pensamos em casar. Ela é muito nova”, despista. Como já disse Cacá, o mundo dos rodeios
é para homens livres.

Agradecimento: Villa Country

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