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epígrafe “o ódio é indistinguível
do amor” resume bem o sentido de Valsa Negra,
o quinto romance de Patrícia Melo. Logo nas primeiras
páginas, nota-se que o narrador, um maestro cinqüentão
e bem-sucedido – seu nome nunca aparece –, está
ressabiado com a mulher. Ela toca violino em sua orquestra,
é bonita, rica e tem pouco mais de 20 anos. Diante
desse quadro que começa a se esboçar, o leitor
é levado a dar alguma razão ao personagem.
Afinal, ele é mais velho, está em seu segundo
casamento e tem uma filha apenas alguns anos mais nova que
sua atual esposa.
Patrícia constrói sua história com
ritmo e fluidez, intercalando
a narrativa do maestro com diálogos que saltam das
páginas cheios de vida, sem perder a cadência,
como se tivessem
saído da boca de pessoas de carne, osso e sentimentos
próprios. Essa característica do texto a aproxima
de seu trabalho de roteirista, como em O Xangô
de Baker Street e O Homem do Ano, em cartaz nos
cinemas e baseado em seu romance O Matador. No decorrer
de Valsa Negra, e da crescente obsessão do
personagem principal com a traição
da mulher, tudo o que está à volta dele começa
a ruir. A começar pelas pessoas que o amam.
É impossível não sentir falta de tantos
personagens bacanas que vão sumindo das páginas,
graças unicamente à mania de perseguição
do maestro. Em nenhum momento ele enlouquece completamente,
aliás, a todo momento ele sabe qual a atitude certa
a tomar ou a frase certa a ser dita, mas acaba falando as
piores coisas, da pior maneira, como uma tuba atravessando
a orquestra. Valsa da dor
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