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11/08/2003

   
 
AP
‘Sou contra o doping.
Foi um descuido meu,
fui muito ingênua’ Maurren Maggi, que
usou uma pomada cicatrizadora com anabólico proibido
pela agência
mundial antidoping
Choro de Maurren
na sexta-feira 1º, quando foi suspensa:
“Ela ainda chora e,
às vezes, pensa:
‘Minha carreira pode estar indo embora’”,
conta William, pai dela

 

Drama
"A culpa é minha"
Suspensa preventivamente por suspeita de doping, Maurren Maggi não vai ao Pan-americano e pode ficar fora da Olimpíada de 2004

Rodrigo Cardoso

 
Reuters
Em 15 de junho, no Troféu Brasil de Atletismo, quando
ganhou a medalha de ouro no salto: exame da competição,
no dia anterior, revelou a presença de clostebol

Todos os anos, desde 2000, a atleta Maurren Higa Maggi realiza oito testes antidoping. Nenhum apontou qualquer irregularidade. Este ano, fez cinco, sendo o quarto no dia 3 de junho, em Milão. “Lá, ela estava limpa e marcou a melhor marca do mundo do ano no salto em distância (7,06 metros)”, diz Nélio Moura, técnico da atleta. O último teste, realizado em 14 de junho no Troféu Brasil de Atletismo, quando ganhou a medalha de ouro no salto, revelou a presença do anabólico clostebol, proibido pela agência mundial antidoping (WADA), na urina de Maurren.

Na sexta-feira 1º, dia em que a delegação nacional de atletismo embarcaria para o Pan-americano de Santo Domingo, na República Dominicana, a estrela da equipe foi suspensa preventivamente pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf) e deu adeus ao sonho de lutar pelo bicampeonato na competição. Quatro dias antes, o ranking mundial divulgado pela Iaaf colocava a brasileira de 27 anos em primeiro na lista do salto em distância. “Sou contra o doping. Se tivesse que culpar alguém, a culpa é minha. Foi um descuido meu, fui muito ingênua”, disse Maurren, horas depois de ser punida. “Tem muita gente que quer que a número 1 fique de fora do Pan. Ganhar dela assim é mais fácil”, fala Nélio, seu treinador.

O clostebol é uma substância que estimula a produção de células do músculo e melhora o desempenho físico. No Brasil, só é encontrado em forma de creme. Segundo Maurren, ela teve contato com o clostebol ao fazer uso da pomada Novaderm, um dia antes da coleta da urina, numa sessão de depilação permanente numa clínica de estética. “Ela queria ficar bonita para a avó, os primos e amigos, que pela primeira vez viram uma prova oficial dela, no Troféu Brasil”, conta William Maggi, pai da atleta. “Fretei dois ônibus aqui em São Carlos, que levaram 60 pessoas para vê-la em São Paulo.”

A dermatologista Lígia Kogos, proprietária da clínica, diz que o creme cicatriza feridas que aparecem com a depilação a laser. “Sabia que se tratava de um anabolizante, mas ele só aumenta a potência muscular quando ingerido ou injetado. E não sabia que constava da lista da Iaaf”, explica ela.

A atleta, que irá requisitar a contraprova do teste, será julgada pela Confederação Brasileira de Atletismo. Se for considerada culpada, poderá ser suspensa por dois anos,
o que a deixaria fora da Olimpíada de 2004, na Grécia. “É o pior momento da minha vida. Tentei ir para a pista e seguir treinando, mas não consegui. Não sei o que vai ser daqui para frente”, diz ela.

No último fim de semana, Maurren recebeu a visita dos pais e do namorado, o piloto Antonio Pizzonia, em São Paulo. “Comemos pizza e falei que, em nove anos, ela nunca teve férias e deveria viajar, tomar vinho, comer pizza e chocolate”, conta o pai William. “Ela ainda chora e, às vezes, pensa: ‘Puxa vida, minha carreira pode estar indo embora’.”

O choro de Maurren traduz a dor de uma atleta que beira a paranóia para se precaver do doping. Na pista de atletismo, quando recebe uma garrafa de água, ela costuma verificar se o plástico não está furado e só depois dá o primeiro gole. Em seguida, antes de saltar, deixa a garrafa ao lado da mochila e não a utiliza mais. Ao retornar do salto, abre outra garrafa e repete o procedimento. “Maurren já ficou dez dias resfriada, porque, com receio, não quis tomar um antigripal”, conta Nélio. “Certa vez, ela foi à farmácia procurar um antiinflamatório e encontrou o remédio só que com uma dosagem diferente. Não havia nenhum problema, mas ela só o comprou depois de ligar para o médico. Conheço o seu caráter e não duvido da lisura e da inocência dela.”

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