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11/08/2003

   

Música / Inezita Barroso
Voz sem reparos
Com 50 anos de carreira e 78 de vida, a cantora concilia o lançamento
do 80º disco com um programa de tevê, diz que o segredo é fazer tudo
com prazer e critica as novas duplas sertanejas

Dirceu Alves Jr.

 
Jayme de Carvalho Jr.
Inezita mora sozinha com nove
passarinhos, um cachorro e uma tartaruga,
a poucas quadras da filha Marta
Ao entrar no estúdio para gravar o 80º
disco da carreira, Inezita Barroso deixou perplexos os técnicos da gravadora Trama. Não por ser uma estranha no ninho das estrelas da chamada nova MPB que integram o elenco do selo. Era um final de tarde de novembro de 2002 e, depois de cinco horas, a cantora deixava o estúdio com as 13 faixas do CD Hoje Lembrando gravadas sem necessidade de repetir nenhuma vez a gravação. O normal é um artista dedicar o mesmo tempo para registrar a voz sobre a base instrumental de cada canção. “Nunca tinha visto tamanha energia. Inezita gravou direto, uma música atrás da outra, e sem interromper”, surpreendeu-se o experiente produtor Fernando Faro.

Aos 78 anos, a paulistana Inezita se diverte com o espanto dos colegas. “Chego ao
estúdio conhecendo a música, já depurei cada tom, cada detalhe do arranjo. Estudei violão e piano desde a infância, sei o que faço”, diz ela, a exceção de um profissionalismo que deveria ser regra. O CD recém-lançado salda uma dívida do Brasil com essa artista que completa 50 anos de estrada. Dos 80 discos gravados desde 1953, Inezita lamenta não saber que fim levou mais da metade deles. “Gravava para selinhos vagabundos e mal recebia depois”, lamenta. “Aceitava isso porque nenhuma gravadora séria me contratava
e parar de gravar era parecer que eu morri”.

Inezita, porém, mantém uma vitrine para seus fãs com unhas e dentes há 23 anos: o programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura. O contrato com uma emissora estatal foi a forma de aliar o prazer de defender a pura música caipira e a tranqüilidade financeira que não costuma ser encontrada na indústria fonográfica. O rigor da apresentadora impede a produção de convidar a chamada geração sertaneja dos anos 90 e artistas cuja qualidade ela conteste. “Essa gente estragou tudo. Toca bateria, teclado e guitarra. Cantam em estribilho, tudo em um ritmo só, e inventaram que o integrante da dupla com voz mais fraca faz a segunda voz”, reclama. “No Viola, só se apresenta quem passa pelo meu crivo”, afirma. Não abre exceções nem para medalhões como Chitãozinho e Xororó. “Dessa turma só o Daniel canta bem”, avalia.

Mas Inezita não é apenas a artista que começou no rádio, foi atriz premiada dos filmes da Vera Cruz e já era exímia violeira em um tempo em que isso era incomum para o sexo feminino. “Ver aquela mulher tocando violão era formidável, uma coisa rara”, diz o compositor Théo de Barros, amigo desde 1954. Formada em Biblioteconomia, ela também
é profunda conhecedora do folclore brasileiro, ministra uma média de 15 palestras por mês e leciona duas disciplinas do curso de Turismo da UniCapital, em São Paulo. “Nem sei de onde tiro fôlego. Durmo cinco horas por noite e nunca canso. É que faço tudo com prazer.” Na saída da faculdade, ainda procura um colega para acompanhá-la a um bar com uma comida e bebida tão boa quanto aquela que encontrava por décadas no antigo Parreirinha, reduto da boemia paulista, onde tinha cadeira cativa. “Eles não deixavam ninguém sentar no meu lugar. Agora, estou redescobrindo os bares do meu bairro”, conta ela, moradora
da região central de São Paulo.

Dona de sua liberdade, Inezita mora só. Ou melhor, vive com nove passarinhos, um cachorro e uma tartaruga, a poucas quadras da filha Marta, 50, fruto do único casamento, com o advogado Adolfo Barroso, parceiro por sete anos na década de 50. “Ele foi o apoio que nunca tive na família. Todos achavam feio ser artista e Adolfo, que não dava bola
para isso, jamais teve ciúme”, reconhece. Com meio século de estrada, Inezita agradece
ao ex-marido a possibilidade de concretizar seu sonho. E o Brasil aplaude Inezita por
nunca ter deixado de trilhar os caminhos que lhe foram abertos.

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