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11/08/2003

   
 
Leandro Pimentel
Ele sabe resistir ao assédio feminino: “Sempre tive relacionamentos longos. Sempre fui muito tranqüilo, muito caseiro”
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Capa
‘Foi uma porrada boa’
Giba fala da suspensão por ter usado maconha em função de problemas pessoais

Carla Felícia e Vivianne Cohen

 
Fotos: Leandro Pimentel
Ele tem uma relação distante
com o pai:
“Há dois anos não
nos falamos. Não estamos brigados, mas nenhum dos
dois telefona para o outro”
Giba chegou para entrevista à Gente com os cabelos ainda molhados. Tinha acabado de
sair do banho e, na pressa, esqueceu de colocar a aliança de noivado. Foi salvo pelo amigo Ricardinho, que lhe entregou
a jóia antes que a sessão de fotos começasse.

Como encarou a suspensão por doping?
Foi uma porrada boa. Comecei a rever meus conceitos, passei a ver as coisas de maneira diferente. Coloquei na minha cabeça que Deus não me dará mais chances, já me deu muita. Agora é pensar não duas vezes, mas dez, antes de tomar uma decisão, fazer alguma coisa errada. Se tivesse pensado nas conseqüências, não teria feito. Estou arrependido, com certeza.

O que o levou a fumar maconha?
Estava com vários problemas pessoais. Tinha me separado havia pouco tempo, estava distante da minha família, morando sozinho em Ferrara, com dois metros de neve na varanda, cinco graus abaixo de zero, e ainda descobri um problema na tireóide, cujo tratamento tanto pode me fazer engordar dez quilos como emagrecer mais ainda. Um conhecido da cidade me ligou chamando para dar uma volta. E aconteceu. Foi a primeira e única vez. No Brasil, existe
até mais oportunidade, mas sempre pensei: “Por que vou jogar minha carreira fora fazendo uma coisa errada?”
Naquela hora, no entanto, não pensei nisso.

No que pensou ao fazer o exame?
Fiquei bastante atormentado. Pela minha cabeça passou tudo e nada. Pensei que poderia ter dado alguma coisa tanto que no mesmo dia liguei para o Ricardinho (jogador da seleção), que estava no Brasil. Conversamos bastante e ele me acalmou. Estamos juntos há dez anos e há três dividimos o mesmo quarto na seleção. Ligo para ele a qualquer hora, sempre que estou sozinho e preciso conversar.

E quando o resultado foi divulgado?
Pensei: “Minha carreira acabou. O que vou fazer se não puder jogar mais?”. Mas tive o apoio de todo mundo. Em momento algum tive problemas com meu patrocinador, a Olimpikus. Existe uma cláusula de rescisão no meu contrato, mas eles não a usaram. O presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary da Graça, ficou do meu lado, assim como o Bernardinho e os meus colegas. Até por isso, não tive medo de ser cortado da seleção.

Como foi enfrentar o Bernardinho?
Fora de quadra, ele é completamente diferente. Não fiquei envergonhado nem com medo de falar com ele. Ele me ligou um dia depois que saiu o resultado e me deu uma bronca. Disse: “Você já é bem grande para saber que fez a coisa errada, mas não vou te dar esporro publicamente. Estou do seu lado para o que der e vier”.

Ficou deprimido durante a suspensão?
Não. Pensei que tinha feito a coisa errada e estava
pagando por isso. Mantive a rotina normal, treinava
com o time, só não jogava. É como você estudar
durante quatro anos e não ir à formatura.

Acha que sua imagem ficou arranhada?
Todo mundo me falou que isso ia acontecer, mas acho
que a imagem que construí até esse episódio falou mais
alto. Quando cheguei no Brasil, a primeira frase que escutei foi de uma senhora de 75 anos e de uma criança de 12: “Rezei muito para você ficar bem e voltar logo”. Isso me deu tranqüilidade e paz. É claro que fui alvo de brincadeiras. “E aí, quer unzinho?”. Isso escutei de monte. Mas é passado,
já paguei e vou continuar sendo a mesma pessoa de
sempre. Nem penso mais nisso.

Você já passou por outras situações difíceis. Como venceu a leucemia?
Os médicos me desenganaram. Não contaram para a minha mãe que era leucemia, só para o resto da família. Para ela, disseram que era deficiência de ferro. Então ela me dava vitamina de espinafre, mamadeira de tomate, cenoura. Quando fui internado, ela chamou uma senhora para me ver. A senhora mandou todo mundo sair do quarto, rezou muito e pediu para Deus mostrar a ela se eu ia ficar bom. Ela disse que viu todas as minhas veias brancas começarem a ficar vermelhas. A senhora agradeceu, saiu do quarto e disse à minha mãe: “Pode ficar tranqüila que seu filho vai ficar bom”. Depois de uma semana, os exames mudaram e tudo começou a voltar ao normal. Ninguém conseguia explicar o porquê. Foi um milagre de Deus. Ele deve ter dito: “Fica aí embaixo que você ainda tem que passar por muita coisa”. Minha mãe só ficou sabendo que eu tinha tido leucemia seis meses depois.

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