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João
Paulo Cuenca (à esq.), Chico Mattoso (centro) e
Santiago Nazarian, autores de Parati para Mim
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O
desembarque de três jovens autores nas ruas tortuosas
da bela Parati resultou num livro pitoresco, perfeitamente
encaixado na nova leva de escritores que o Brasil vem produzindo:
hormônios à flor da pele, uma certa conexão
com o mundo moderno e a elucubração da solidão.
Cada um se jogou para um canto da cidade, olhos calçados
com seus próprios filtros para escrever a mesma quantidade
de letras. Não puderam se comunicar, nenhum disse
ter contado a história
para o outro antes de terminá-la, mas só eles
sabem o verdadeiro processo de feitura de Parati para
Mim (Planeta,
118 págs., R$ 28). E é por isso que o leitor
pode ficar curioso: andaram pelas mesmas ruas? Ficaram trancados
no quarto? Estiveram mesmo na bela cidade histórica?
Não existem muitas respostas em Parati para Mim.
Há pinceladas de sentimentos em cada um dos três
contos. Chico Mattoso, 25, já inicia seu “Emílio”
com a mão no peito de uma garçonete. O relato
é cru, por vezes neurótico e a linguagem é
digna de quem tem essa idade mesmo, mas leu muito e tem
andanças no currículo. João Paulo Cuenca,
24, faz em “A Carta de Pedra” um passeio milimétrico
pelo chão e compartilha dores com a personagem Teresa.
Pouco importa se ele teve uma mulher assim ou não.
A história convence. Santiago Nazarian, 26, apresenta
em “A Mulher Barbada” o lado mais esquizofrênico
do livro. O próprio narrador inspira dúvidas
de quem é, ou o que procura. No final, é de
se surpreender que os três relatos formem uma despretensiosa
coesão que vale ser examinada. Parati em três
atos
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