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Entrevista

04/08/2003

   
Claudio Gatti

“A primeira vez que
vi um homem com outro foi o meu pai.
Eu tinha 13 anos. Mas nunca o desrespeitei. Devo o norte da
minha vida a ele”

CONTINUAÇÃO

Você vai voltar
a fazer moda?

Como você
perdeu dinheiro?
Você pensou
em ter filhos?
  
 

 

Clodovil Hernandes
“Só aceitei a homossexualidade
aos 60 anos”

continuação
 

Como você lida com o fato de ser filho adotivo?
Não tenho nenhum problema. Meus pais morreram sem
saber que eu sabia. Fiquei sabendo que tinha sido adotado
aos 11 anos de idade. Uma tia me disse e sabe o que respondi? “Isso não quer dizer nada, tia. Minha cadela Lili
tem filhote. Criar é que eu quero ver”.

Você pensou em ter filhos?
Não. Nem poderia. Sou severo e possessivo demais. Os cachorros penam na minha mão. É muita responsabilidade casar e ter filhos porque os filhos não são todos bons. A
gente é fruto da índole, independe da vontade de pai e de mãe. Mas devo o norte da minha vida ao meu pai, apesar de eu nunca ter gostado muito dele. Digo isso porque a primeira vez que vi um homem com outro foi o meu pai. Eu tinha 13 anos. E nunca desrespeitei o meu pai.

Ele soube que você viu a cena?
Não, imagine. Naquele tempo não se tinha essa liberdade
de chamar o pai de você. Eu tenho problema de audição porque respondi atravessado para ele um dia e levei um
tapa na orelha. Os pais eram muitos enérgicos. Minha mãe
não me quis quando eu cheguei em casa. Ela disse que
não queria essa coisa feia. Mas o amor é convívio. A gente ama aquilo que tem para amar.

Começou a se interessar por moda ainda criança?
Escondido do meu pai porque ele não podia saber. Dava
palpite nas roupas da minha mãe, da tia, das primas. Quando fui para o colégio interno, meu apelido era Jacques Fath, um costureiro fabuloso daquela época.

Quando você virou estilista?
Quando estava no último ano do normal, uma colega de classe perguntou por que eu não desenhava vestidos. Eu tinha 16 anos e não sabia que existia essa profissão. Peguei uma página de caderno e fiz 11 vestidos e levei numa loja no centro de São Paulo. A gerente comprou seis dos 11 desenhos. Ganhei mais dinheiro do que o meu pai me mandava de mesada. Foi aí que comecei a trabalhar com moda. Desisti de fazer faculdade de filosofia. Em 1960, ganhava meu primeiro Agulha de Ouro. Fiz carreira vitoriosa porque não sou loiro de olhos azuis. E o Brasil não aceita muito gente morena. O Brasil é racista. Mas eu consegui ser vitorioso mesmo numa sociedade preconceituosa como a de São Paulo.

Como conquistou clientes da alta sociedade?
Com talento. Uma vez dona Hebe Alves, antiga dona do Mappin, chegou numa loja onde eu era estilista. Perguntou
se eu conhecia Paris e eu disse que não. Perguntou se eu conhecia o Maxim’s (restaurante). Eu disse que sabia onde era, sempre fui metido. Então, ela me disse que queria um vestido para ir a um jantar no Maxim’s. Fiz um modelo cin-
tura de vespa, saia balonê. Passaram-se dois meses e ela voltou e disse: “Paris estava velha. Eu era a coisa mais
nova que Paris viu”.

Como era sua relação com Dener (estilista morto
em 1978
)?

Ele era muito louco. Eu saía de noite com ele escondido porque de dia ele brigava comigo. Depois da morte dele, descobri que fazia isso para me promover. Ele sabia que eu era bom e queria competir com alguém de peso. A vida é disputa, correr sozinho é chato. O antagonista é o estímulo para o protagonista. Você não faz nada sozinho. Sozinho, só masturbação e mesmo assim você tem que pensar em alguém.

Vocês eram rivais só na mídia?
Ele falava coisas horrorosas a meu respeito e eu respondia.
Ele era aloprado. Bebia muito, mas era um bêbado divertido. Tinha uma casa em Pinheiros e me deixava namorar lá.
Quando resolveu casar com a Stella (Maria Stella Splendore), ficou me enchendo porque queria que eu casasse também.
Se a proposta dele era essa, a minha não. Não porque eu
não pudesse. Nem hoje, com 66 anos, eu sou impotente.

Quem você gostaria de vestir?
Júlia Lemmertz, por exemplo, é uma pessoa que veste lindamente. Daniela Escobar também é muito alinhada.

Quem não vestiria?
Não é elegante falar quem é mal vestido. Mas tem uma
pessoa que não vestiria por nada: aquela menina que
matou os pais (Suzane Von Richthofen).

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