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Entrevista

04/08/2003

   
Claudio Gatti

O estilista posa ao lado do pug Antônio na sala do apartamento alugado: “É pequeno, mas é deslumbrante, limpo e cheiroso”

CONTINUAÇÃO

Você vai voltar
a fazer moda?

Como você
perdeu dinheiro?

Você pensou
em ter filhos?

 

Clodovil Hernandes
“Só aceitei a homossexualidade
aos 60 anos”

O apresentador achava que ser gay não
era coisa de Deus, prepara-se para voltar
ao mundo da moda e vai licenciar produtos
para vencer a crise financeira

Luciana Franca

 

Ele cantarola uma canção de Elis Regina enquanto se prepara para a sessão de fotos no bem decorado apartamento em frente ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Clodovil Hernandes, 66 anos, vive em um imóvel alugado na companhia dos cachorros, Castanhola e Antônio, e de muitas mulheres como Billie Holliday, Frida Kahlo e Audrey Hepburn, presentes nas biografias empilhadas na sala de estar. O costureiro, que abandonou os croquis por mais de dez anos para se dedicar à televisão, planeja voltar ao mundo da moda na próxima SP Fashion Week e se prepara para licenciar produtos. A paixão pela alta-costura é evidente ao descrever antigas criações em detalhes. Não se furta a falar de problemas financeiros. Colocou à venda duas mansões (os lances mínimos são de R$ 3,5 milhões e R$ 750 mil) e abriu mão de luxos como carros e brilhantes. Fora da tevê desde o ano passado, sobrevive de palestras e planeja o espetáculo As Mulheres da Minha Vida.

Você vai voltar a fazer moda?
Quando fui à última SP Fashion Week, não tinha idéia do
que era. O Brasil não tem memória e pensava que eles me achavam um dinossauro da moda. Quando surgiu o livro O Brasil na Moda, o Carrascosa (João Carrascosa, editor da obra) me telefonou para uma entrevista. Disse tudo o que pensava. Até coisas que não precisava, como dizer que a Gisele Bündchen aparece sempre com aquele cabelo desgrenhado, sujo. Fui ao lançamento do livro e conheci
Paulo Borges, que foi muito amoroso. Depois fui ao desfile
do Alexandre Herchcovitch. Quando vi o delírio com a minha presença, resolvi que iria voltar a fazer moda.

Você ainda faz vestidos?
Parei há alguns anos. Outro dia veio uma noiva para fazer
um vestido e queria saber quanto custaria. Disse que, no mínimo, US$ 90 mil. Era para não fazer, uma audácia, né?

O que achou do desfile do Alexandre Herchcovitch, que é seu fã?
Achava que ele fazia caveiras, umas coisas dark. Fui para lá para ver uma coisa e vi uns vestidinhos tão bonitinhos! Tudo era bem passadinho, as costuras bem-feitas, as bainhas certas. Jamais imaginei que ele fizesse aquilo. Aceitar o convite para ir ao desfile dele foi coisa de Deus. Até o empresário que cuida da marca dele (Cláudio Rodrigues, responsável pelos licenciamentos de Herchcovitch) está trabalhando comigo agora.

O que achou dos outros desfiles da SP Fashion Week?
Os tecidos do Lino Villaventura, por exemplo, eram ótimos, as musselines, lindas. Mas era uma coisa que eu não faria. Não é difícil aquilo. Era tudo cortado em pedaços e emendado com fitas de cetim. É muito pelado, não tem estrutura. Agora fazer um vestido com três costuras eu quero ver.

Se for participar da próxima edição, o que pretende mostrar?
Minha idéia é fazer uma coleção como se fazia alta-costura antigamente. Porque os novos não sabem fazer. Quero apresentar também roupas para serem executadas na indústria de prêt-à-porter, mais comercial. Quero assinar etiquetas. Vou fazer tudo o que puder. Claro que algumas coisas não faço, como vender papel higiênico com o meu nome. Mas quero fazer móveis, cintos, bolsas, carteiras, sapatos, chapéu. Você conhece alguma marca mais forte que a minha aqui? Não tem.

Ainda há alta-costura no Brasil?
Não tem e nem precisa mais. A proposta de moda hoje
é completamente diferente. Antes, havia roupa de qua-
lidade, como um bom quadro.

A moda atual é mais descartável?
É assim que tem que ser, sazonal. O que se usa agora não é moda, é modismo. É descartável. Precisa ser assim senão as indústrias não vendem. A moda tem obrigação de acompanhar a tecnologia. Antigamente você levava uma roupa e tinha que carregar a empregada junto. Hoje as pessoas querem roupas que possa jogar na mala e pendurar no cabide para usar.

Por que deixou de fazer moda?
Decidi só fazer televisão, gostava de falar para as pessoas. Saí da moda no auge. Abandonei tudo achando que a televisão era o melhor jeito de ajudar as pessoas em casa, tem aquela coisa de conversar com as mães. Sempre soube que tenho uma missão a cumprir e não é na tevê. Mas é com meu trabalho a partir de agora que vou ganhar dinheiro. Sempre me foi dito que eu teria muito dinheiro no fim da vida.

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