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Blog para divulgar literatura
Daniel Galera e
Daniel Pelizzaro começaram com e-zine e criaram editora
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Galera
(à esq.) e Pelizzaro: “A internet
foi um bom começo”, diz Galera |
Encerrado
no fatídico 11 de setembro de 2001, o e-zine Cardoso On
Line mostrou a milhares de internautas a literatura de oito
amigos de Porto Alegre. Daniel Galera, 24, e Daniel Pelizzaro, 29,
que faziam parte do grupo, montaram na época a editora Livros
do Mal para publicarem seus livros. O e-zine tornou-os mais conhecidos
e acostumados a “dar a cara à tapa” com a literatura.
“A internet foi um bom começo. Mas são poucas
as coisas boas que achamos na rede”, diz Galera, que publicou
o livro de contos Dentes Guardados e lança Até
o Dia em Que o Cão Morreu dia 30, em São Paulo.
Galera
se formou em Publicidade “para se livrar da responsabilidade
de ter um diploma”, e não tem hora para escrever (só
precisa estar diante de uma janela). Pelizzaro, ou Mojo, apelido
que significa uma espécie de saco de amuletos, não
se incomoda em parecer ermitão. Tentou quatro faculdades
e não teve paciência de terminar nenhuma, mas já
tinha escrito um livro aos cinco anos e outro aos 17. O texto de
Galera esbarra em referências sexuais das quais, diz, não
consegue fugir. O de Pelizzaro é milimetricamente planejado,
quase uma obsessão pela técnica.
Os
dois usam seus atuais blogs (www.exquisite.com.br/galera/ e www.exquisite.com.br/
mojo) para escrever amenidades e notícias sobre o que produzem.
“A internet é mais
para descansar da literatura. Levo muito a sério o que escrevo
porque é a única coisa que faço bem”,
diz Mojo, que pensa rápido, fala rápido e, se tenta
falar devagar, gagueja. Ovelhas Que Voam se Perdem no Céu
e O Livro das Cousas Que Acontecem foram publicados em 2001
e 2002 pela Livros do Mal. Neste ano, Mojo foi convidado para fazer
parte de Geração 90 – Os Transgressores,
livro organizado pelo escritor Nelson de Oliveira (editora Boitempo)
com contistas relevantes da década de 90.
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Economista virou escritor
João Paulo Cuenca:
do blog para evento literário
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Ele
fez Economia porque queria ganhar dinheiro
antes dos 30 |
João
Paulo Cuenca, 24, era daquelas pessoas que mandam o que escrevem
por e-mail para os amigos lerem. Ninguém reclamava. Aliás,
elogiavam, empolgados com as bizarrices. No final de 2000 soube
que era muito simples fazer um blog (uma página pessoal)
e decidiu colocar seus textos na internet para organizá-los
e mostrar para os amigos. “Acho que essa produção
do primeiro blog (www.folhetimbizarro.blogspot.com) foi boba e imatura,
mas válida como laboratório. Ele começou a
ser linkado (ter acesso) por mais de 50 blogs, muita gente viu”,
comenta o autor que se formou em Economia na tentativa de ganhar
dinheiro antes dos 30.
Cuenca
abandonou o estágio na Fundação Getúlio
Vargas quando seu conto Baile Perfumado, escrito na internet,
ficou famoso no meio literário. Neste ano foi convidado pela
editora Planeta para escrever, com mais dois jovens o livro Parati
– Para Mim. A obra será lançada no evento
de literatura na cidade no dia 31, ao lado de autores consagrados
como o americano Don Delillo. O primeiro livro solo ainda está
por vir. “Nem sei o nome ainda. As pessoas mitificam os escritores,
mas escritor é um bunda-mole. Perde tempo se confrontando
com ele mesmo enquanto os outros estão bebendo, transando,
vendo tevê”, opina ele, que conta seu processo de escrita
no blog www.carmencarmen.blogger.com.br.
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Sucesso com Tribalistas
A publicitária Daniela
Abade só conseguiu publicar livros após ficar famosa na net
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| “Ninguém
aceitava meu livro, então pedi ajuda pela Internet e consegui”,
conta |
Aos
12 anos, a menina nerd de óculos olhava encantada para a
biblioteca dos pais quando escolheu Germinal, de Émile
Zola, para ler porque achou o título bonito. Ela virou um
pesadelo em casa, em São Paulo. “Pensava que meu pai
dava chicotadas nos empregados dele”, lembra Daniela Abade,
31. Publicitária e escritora, ficou conhecida pelo blog Mundo
Perfeito (http://mundoperfeito.terra.com.br/), criado há
dois anos para divertir com notícias inventadas. O blog explodiu
em acessos no ano passado, quando ela criou um “gerador de
letras dos Tribalistas”, uma brincadeira que torna qualquer
um letrista do grupo musical. Foi a fama com o blog que a fez publicar
o romance Depois Que Acabou (editora Gênese) neste
ano. “Ninguém aceitava meu livro, então pedi
ajuda pela internet e consegui”, lembra. Daniela não
passa horas na net. Pelo contrário. Devora livros, tantos
que fica afogada em palavras. “Desisti de fazer terapia quando
a terapeuta pediu para eu
falar menos”, conta, rindo. 
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