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21/07/2003

   
 
Felipe Barra
Rosseto participa até da separação de
grãos em sua lavoura:
“Produzi 200 litros
de vinho no ano passado”, diz

 

Política
Das uvas do vovô para
a reforma agrária
O ministro do Desenvolvimento Agrário,
Miguel Rosseto, que planta uvas em suas
terras com a técnica dos avós, tem o desafio
de controlar o MST e acalmar os ruralistas

Cecília Maia

 

A partir de agosto, chova ou faça sol na difícil questão agrária do País, Miguel Rosseto, 43 anos, começa sua tradicional plantação de uva. É assim desde que seus avós chegaram da Itália no fim do século 19 e se instalaram na Serra Gaúcha. Tinham uma área de 25 hectares onde plantavam o sustento e a uva para fazer o vinho. O neto, agora ministro do Desenvolvimento Agrário, tem apenas meio hectare num condomínio rural perto de Porto Alegre, mas, usando as mesmas técnicas dos avós, consegue feitos consideráveis. “Produzi 200 litros de vinho no ano passado”, orgulha-se o ministro, que participa até da artesanal separação de grãos. No ano passado ele e um amigo passaram a noite inteira separando grão por grão da fruta para selecionar as melhores, que seriam colocadas no tonel.

A uva que plantar agora Rosseto só vai colher daqui a três anos, assim como o trabalho que está desenvolvendo no Ministério só renderá frutos mais à frente. “Não se faz reforma agrária do dia para a noite”, diz. “É preciso ter dinheiro, desapropriar e indenizar num processo que leva de 9 a 14 meses para ser concluído.” Mesmo assim o governo espera assentar 60 mil famílias até o fim do ano, meta considerada baixíssima pelo MST, e ilusória para os ruralistas. “O governo está andando a passos lentos”, reclamou o coordenador do MST, Gilmar Mauro. “O governo está omisso e quando fala está estimulando ainda mais as invasões de terra”, grita do outro lado uma das líderes ruralistas do Congresso Nacional, a deputada Kátia Abreu (PFL-TO).

No meio dessa disputa cada vez mais acirrada, Rosseto tenta manter a calma. E parece tranqüilo, apesar de fumar um cigarro atrás do outro e de não se importar muito com as vitórias de seu time, o Internacional. “Minha experiência na vida pública me ensinou a separar o cargo da referência partidária”, rebate ele a crítica de que estaria do lado dos sem terra. As acusações pioraram depois que o presidente Lula pôs na cabeça o boné do MST. “Supervalorizaram esse fato por maldade. Por que ninguém disse nada quando ele usou o boné afro?”, questiona. “A surpresa nisso é que a reação revela a opinião conservadora de alguns setores reacionários que não querem a reforma agrária”, ataca.

Natural da cidade de São Leopoldo, Rosseto começou cedo a gostar da política. Tinha 18 anos e já trabalhava numa metalúrgica quando passou a integrar assembléias e reuniões do sindicato. “Só pensava no movimento dos trabalhadores e por isso perdi várias namoradas”, conta. Tornou-se dirigente sindical, ajudou a fundar a CUT e o PT de seu Estado, e não pensava em se profissionalizar na política até o dia que colocaram seu nome para completar as vagas do PT para deputado federal. Foi eleito. “Foi uma surpresa, minha vida mudou radicalmente”, contou. Não parou mais. Em 1998 foi candidato a vice na chapa vitoriosa com o ex-governador Olívio Dutra, mas não foi feliz na tentativa de reeleição. Acabou sendo indicado ministro no governo. “Dessa vez vim com a família e estamos bem adaptados à cidade”, conta. Os dois filhos mais velhos, que fazem faculdade, ficaram no Sul. Vieram apenas Marina, 7 anos, e Eduardo, 8 anos, filho de seu segundo casamento, com Maria Luíza. Alugou uma casa com piscina num bairro conhecido por Park Way, onde vez por outra recebe amigos do governo. Invariavelmente serve vinho para as visitas e começa a conversa contando: “Esse vinho é da minha produção...”.

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