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21/07/2003

   

Música
Família Skank
Juntos há 12 anos, os quatro músicos lançam o disco Cosmotron, influenciado por Beatles e Clube da Esquina, dão largada à nova
fase da banda mineira e mostram união até fora dos palcos

Vivianne Cohen

 
Leandro Pimentel
O Skank, que lança o disco Cosmotron: “Ultimamente só eu
tenho dado festas lá em casa, porque sou o menos pão-duro”,
diz o vocalista Samuel Rosa (em primeiro plano)

- É o pé da Ana?, – pergunta Lelo.

– Você já a levou ao médico?, – indaga Henrique.

– Não é picada de mosquito?, – sugere Haroldo.

O pé em questão é o da filha de um ano de idade do vocalista e guitarrista do Skank Samuel Rosa, que aparecera inchado dois dias antes. Assim como faz parte da rotina
do Skank se reunir para a divulgação do novo disco, Cosmotron, trocar informações
sobre a intimidade também tem vez a cada intervalo na agenda da banda mineira.
Juntos há 12 anos, Samuel, 35 anos, o baixista Lelo Zaneti, 35, o tecladista Henrique Portugal, 37, e o baterista Haroldo Ferreti, 34, se vêem como uma família. “A gente encontra conforto um no outro para suportar ficar longe de casa e viajar o tempo todo”, explica Samuel, o mais falante. Fora a incompatibilidade no futebol – o vocalista e
Henrique são cruzeirenses e Lelo e Haroldo torcem para o rival, Atlético Mineiro –,
não há motivos para brigas. As mulheres de cada um são amigas, os filhos idem e
os integrantes têm quase a mesma idade. Portanto, qualquer reclamação soa como provocação. “Ultimamente só eu tenho dado festas lá em casa, porque sou o menos
pão-duro”, instiga Samuel, para protesto geral.

A união é uma das fórmulas de sucesso do grupo. O que começou como uma brincadeira virou uma mina de ouro. Amigos desde que tocavam em festivais em Belo Horizonte, os quatro se juntaram em 1991 para ganhar uns trocados acompanhando um cantor canastrão que imitava Elvis Presley. Um ano depois lançaram o primeiro disco, o independente Skank, que vendeu 250 mil cópias, e em 1993 já estavam contratados pela gravadora Sony. Hoje, seus seis discos somam a marca de cinco milhões. Um resultado surpreendente, como alerta Henrique, o único divorciado: “A gente teoricamente não era para dar certo. Uma banda de reggae em Belo Horizonte?”.

O deslumbramento com a rápida virada na vida e na carreira foi natural. Eles passaram a participar de programas de tevê e tiveram seus discos lançados em países da Europa. “Achamos que tudo era um conto de fadas. A não ser o cansaço, tudo era bom”, conta Samuel. O encantamento acabou em 1998, quando lançaram Siderado. “Houve um patrulhamento exagerado. Ficou parecendo que a última banda que podia soar Skank era
o próprio, porque o nosso estilo de fazer música deu certo comercialmente”, afirma o vocalista. “Era como se soasse meio aproveitador”, conclui ele, que afirma não fazer concessões à indústria fonográfica, e sim negociações, como se apresentar em playback
na tevê. “A gente não quer fazer música para o umbigo”, diz.

Siderado simbolizou o início de uma nova etapa. Além do velho estilo, ali estavam também músicas que fugiam um pouco do formato. A venda de 600 mil cópias injetou ânimo para uma guinada que seria sentida no disco seguinte, Maquinarama, e em Cosmotron, cuja influência não é mais o reggae, mas os Beatles e o Clube da Esquina. “Não faria o menor sentido compor como se tivéssemos 26 anos. Amadurecemos”, ressalta Samuel. A aproximação com o movimento de Milton Nascimento e Lô Borges, entre outros, se deu por iniciativa de Lô, quando gravou a canção “Te Ver”. “Foi um espanto mútuo quando nos encontramos e descobrimos que eles gostavam do Clube da Esquina, e eu gostava do Skank”, conta Lô, justificando sua surpresa pelo fato de ter visto bandas mineiras rechaçarem o Clube para evitar comparações. Hoje, freqüentam a casa um do outro, e ele e Samuel montaram um show no qual cantam músicas dos dois.

O Skank continua fiel às suas raízes, apesar do sucesso. Todos moram em BH e, para ficarem mais tempo com suas famílias, construíram um estúdio na cidade. “A ameaça
de ter de mudar de cidade sempre foi um fantasma”, diz Samuel. Lá, vivem uma rotina
que em nada lembra a de astros. Enfrentam fila de banco e buscam os filhos no colé-
gio. “É uma maneira de ver que não existe só o mundo do show business e não levar
isso muito a sério”, explica o vocalista.

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