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23/06/2003

   

lulas

• O grupo de atendimento do HC
a vítimas de seqüestro já tem
em seu cadastro
cerca de 90 pessoas

• Se for seqüestrado, aja sem heroísmo ou covardia. Não fique nem em postura de confronto que possa ser quebrado pelo outro nem curve-se de tal forma que se quebre por si mesmo

• O trauma do seqüestro tem sido comparado ao trauma de guerra. A doença foi detectada na 1ª Guerra Mundial em soldados que voltavam do front

 

O trauma do seqüestro
O caso do engenheiro carioca que matou a família e se suicidou pode ter sido conseqüência extrema do transtorno do estresse pós-traumático, que afeta vítimas desta violência

Eduardo Ferreira Santos

 
Piti Reali
Eduardo: vítimas
entram em depressão
Entre as possibilidades de
abusos a que estamos sujeitos, o crime de seqüestro está cada vez mais perto de nós. Se antes seqüestro era “coisa de rico”, hoje não há quem não conheça alguém que já tenha sido vítima desse crime, pelo menos na modalidade que ficou conhecida como “seqüestro relâmpago”, no qual o nível de brutalidade e desumanidade dos bandidos
choca policiais e médicos habituados a estes traumas.  

Não são só as feridas físicas ou financeiras que marcam as vítimas. Imediatamente após o incidente ou num período
de até cinco anos, a pessoa pode ter um quadro psicológico que se caracteriza por muito medo, ansiedade, angústia, insônia, pesadelos de cenas do trauma, isolamento, depressão, falta de vontade de se divertir ou trabalhar, cansaço extremo: trata-se do Transtorno do Estresse
Pós-Traumático, quadro que chega a ser incapacitante. Atinge a vítima e àqueles que com ela convivem, mas é absolutamente transitório se for tratado com cuidado.

Se não tratado, este transtorno pode evoluir por caminhos espinhosos até chegar a graves quadros psiquiátricos tão sem controle como aquele que atingiu o engenheiro carioca que, há dias, se suicidou após matar a esposa e duas filhas.

Atento a estes fatos, o Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo criou, há 1 ano e meio, um grupo de atendimento para vítimas desta violência urbana, algo inédito no Brasil. Em parceria com o Núcleo de Psiquiatria Forense, o Gorip (Grupo Operativo de Resgate da Integridade Psíquica) já tem em seu cadastro cerca de 90 pessoas que procuraram o HC para minimizar os efeitos do estresse pós-traumático.

A voz corrente dos pacientes é: “Não sou mais a mesma pessoa depois de passar por esta experiência”. Muitos
se queixam não só das ameaças de morte sofridas violentamente, mas de uma terrível sensação enquanto estiveram nas mãos dos bandidos: sentiam-se “mortos”. Viam-se impotentes e conscientes da incapacidade de
ação (como a fantasia que muitos têm da própria morte).

Este tipo de vivência, estudada desde a Primeira Guerra Mundial em soldados que voltaram do “front”, é pela pri-
meira vez abordada no trauma de seqüestro. Segundo observações colhidas até então, apresenta a mesma intensidade de um trauma daquele teor.

Trabalhamos com atendimento grupal e individual, usando métodos de Psicoterapia Breve integrados ao tratamento medicamentoso, quando necessário. O objetivo é restabelecer a integridade psíquica rompida pelo trauma. Já foram atendidos três grupos, além de pacientes em psicoterapia individual. Alguns recebem medicação antidepressiva e contra ansiedade.

O tratamento obedece preceitos da Terapia Focal ou Terapia Breve, com objetivos determinados (reestruturação psíquica) e tempo limitado (12 semanas). Ainda que incipientes, resultados já podem ser registrados. Um deles é a percepção de que o tamanho do “estrago” psíquico pode ser tão grande tanto no seqüestro prolongado quanto no seqüestro relâmpago. Outro é a melhora aparente de pacientes que aprendem a trocar o papel de vítima pelo de sobrevivente. É um sinal de que começa a virar cicatriz a ferida aberta.

Eduardo Ferreira Santos (www.ferreira-santos.med.br) é psiquiatra
e coordenador do Grupo Operativo de Resgate da Integridade
Psíquica do Hospital das Clínicas de São Paulo

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