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O
Homem Que Copiava: mistura esperta
de gêneros em filme sofisticado |
Muito
cuidado antes de julgar O Homem Que Copiava, formalmente
o segundo longa-metragem do gaúcho Jorge Furtado, conhecido
por seu curta sociológico Ilha das Flores. Trata-se
de um filme sofisticadíssimo, que mistura gêneros e
permite muitos níveis de leitura. Pode-se ficar na historinha
do técnico de máquinas fotocopiadoras que espia a
balconista de loja de roupas no prédio em frente e se apaixona
por ela. Ou
pode-se mergulhar numa profunda e bem engendrada reflexão
sobre o cinema, que tem como pano de fundo romance, suspense, animação,
ação e outras coisas mais.
Lázaro
Ramos e Leandra Leal, que formam o par romântico, tornam tudo
isso possível. E contam com o contraponto humorístico
de Pedro Cardoso e Luana Piovani, interpretando um casal tão
engraçado quanto improvável. A extrema contenção
de Lázaro e Leandra chega a ser irritante em alguns momentos,
mas muito convincente. O mesmo vale para a dupla Cardoso e Luana,
cujas tiradas estão repletas de segundos sentidos e piadas
particulares.
Tudo
no filme tem uma cópia, uma imagem refletida, um duplo. Exatamente
como quando entramos no cinema e nos identificamos com uma situação
em desenvolvimento na tela,
ou com um personagem qualquer. Mas nem todos esses duplos estão
à disposição do espectador, como seria comum
num filme de amplo consumo e ingestão fácil. Muitas
vezes estão na sombra ou disfarçados, aguardando que
um olhar mais aguçado os capte.
Para todos os paladares
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